Costa Rica, a pan-americana e o mundial de futebol | Costa Rica, the Pan American and the world cup

Chamam-lhe a Suíça da América Central, mas não sabemos dizer se é verdade porque nunca estivemos na Suíça. No entanto conseguimos ver que existem grandes diferenças de desenvolvimento entre este país e os seus vizinhos do norte.

A Costa Rica aboliu o seu exército em 1948, e o dinheiro que aí investia foi dedicado à educação, onde há uma criança há uma escola, e é ver escolas nos recantos mais escondidos do país onde a língua inglesa se ensina desde os quatro anos. Onde há uma casa há luz e um posto de iluminação pública, e hoje em dia também internet e em quase todo o lado é possível beber água da torneira sem ficar doente. Sem grande património histórico ou cidades atractivas pela sua cultura, fez da preservação da natureza a sua bandeira e uma grande percentagem do seu território é composto por parques nacionais.

Alguns chamam-lhe gringolândia dizendo que está tomado/colonizado pelos Estados Unidos, e embora haja uma grande comunidade de americanos que vivem na e da Costa Rica, sente-se que esta ainda pertence aos Ticos (os seus habitantes), cujo mote é Pura Vida, que quer dizer “está tudo bem”, “sem problemas” ou “um bom dia para ti também!”, e que embora a população viva em melhores condições que na restante América Central o estilo de vida americano ainda está bem longe de se ver implantado.

A diferença entre a Costa Rica e a Nicarágua deixada para trás foi marcante, em vez de campos agrícolas ou pastagens há uma floresta, cheia de árvores e o cheiro a ar puro nota-se às primeiras inspirações. Claro que isto também ajuda a ter sombra na estrada, um presente magnífico para quem às vezes pedala com 44º graus. Felizes chegámos à primeira cidade, uns vinte quilómetros depois da fronteira para logo nos desiludirmos com o jogo de futebol entre Portugal e a Alemanha. E então entrámos na pan-americana, a estrada que supostamente liga o Alaska à Patagónia, mas que só nalguns troços está devidamente identificada. Com um vento imenso, estreita e sem bermas e cheia de camiões nos dois sentidos ia (Sara) perdendo o controle da bicicleta algumas vezes, face às razias de alguns amigos de dezasseis rodas. Eventualmente a estrada tornou-se um pouco mais larga e o trânsito abrandou mas foi com manifesto alívio que saímos da estrada em direcção a Cañas Dulces onde estava a primeira de muitos anfitriões.

Tínhamos recebido o contacto da Anais através da Alice que conhecemos na Nicarágua, e não podíamos ter tido melhor experiência. Cheia de uma energia e alegria contagiantes está a aprender a tocar ukelele e presenteou-nos com várias sessões, que o Pedro acompanhou com o seu guitalele (guitarra do tamanho de um ukelele), levou-nos com os seus amigos a beber uma cerveja a um miradouro e, a cereja em cima do bolo, conseguiu escapulir-se aos seus compromissos profissionais para nos levar às praias do Golfo do Papagaio, das mais bonitas que já vimos, de água bem quente e rodeadas de vegetação, cheias de sombra para fugir ao Sol castigador. Infelizmente esquecemo-nos da máquina fotográfica em casa, mas essa internet está cheia de fotos por isso a quem tenha curiosidade são as praias Panamá, Cocos, Hermosa e Ocotal.

Depois de um tarde de praia bem passada, e do melhor ceviche que já comemos nesta viagem, já era tempo de nos fazermos à estrada e aproveitar o facto dos bombeiros na Costa Rica serem reconhecidos pelos ciclistas como muito hospitaleiros. Felizmente a pan-americana tinha quilómetros e quilómetros de estrada em obras, com a maior parte já feita mas ainda não aberta ao público, ou seja, uma autêntica auto-estrada para nosso uso exclusivo, o que veio aliviar o stress do dia anterior e ainda dar-nos tempo de fazer um pequeno desvio para visitar umas cascatas onde aproveitámos para nadar e para nos refrescarmos. Bem recebidos pelos bombeiros de Cañas, tivemos direito ao nosso primeiro duche de água quente desde há quase dois meses.

O medo de pedalar na pan-americana, bonita, montanhosa, verde, mas de bermas estreitas e carros com pouca vontade de se desviar foi ligeiramente mitigado com o pensamento de que durante duas horas a Costa Rica pararia para assistir ao jogo com a Itália. E assim foi, o trânsito abrandou e nós só parámos nos últimos dois minutos, que vivemos com emoção no restaurante que entrou em êxtase quando a Costa Rica ganhou o jogo. Foi uma festa e face à desilusão da nossa própria equipa o nosso coração foi começando a bater pela Costa Rica até aos quartos de final.

Os últimos momentos na estrada movimentada aguardavam-nos já depois do almoço, desta vez com o país em festa, mas nem por isso mais amigos do ciclista e por isso foi com extremo alívio que entrámos na Costanera, a estrada que, tal como o próprio nome indica, segue pela costa do país e que nos levaria quase até à fronteira com o Panamá.

IMGP8783

IMGP8789

IMGP8796

IMGP8799

IMGP8807

IMGP1140

IMGP1143

IMGP8825

IMGP1150

They call it the Switzerland of Central America, but we can not say if this is true because we have never been to Switzerland. However we could see that there are large development differences between this country and its northern neighbors.

Costa Rica abolished its army in 1948, and the money invested therein was dedicated to education, where there is a child there is a school, and one can see schools in the most hidden corners of the country where English is taught from the age four. Where there is a house there is electricity and public illumination, and nowadays also internet and almost everywhere you can drink tap water without getting sick. With no great historical heritage and attractive cities for its culture, nature conservation is Costa Rica motto and a large percentage of its territory consists of national parks.

Some call it Gringoland saying that it is taken/colonized by the United States, and although there is a large community of Americans living in and of Costa Rica, one feels that it still belongs to the Ticos (the inhabitants), whose motto is Pura Vida, which means “everything is fine”, “smooth” or “a nice day to you too” and that although the population lives in better conditions than in the rest of Central America, American way of life is still very far from being the norm.

The difference between Costa Rica and Nicaragua left behind was striking. Rather than agricultural fields or pastures there is a forest full of trees and the smell of clean air can noted in the first inspirations. Of course this also helps to have shadow on the road, a magnificent gift for those who sometimes pedal with 44 degrees. Happy we got to the first town, some twelve miles beyond the border we soon got disappointed with the football match between Portugal and Germany. And then we entered the pan-American highway, the road that supposedly connects Alaska to Patagonia, but that has only some sections properly identified. With a huge side wind, narrow lanes and no shoulders, and filled with trucks going in both directions I (Sara) losing control of the bike sometimes dealing with the close calls of some sixteen wheelers friends. Eventually the road became a bit wider and the traffic slowed but it was with relief that we left the road towards Cañas Dulces where we met the first of many hosts.

We got Anais’ contact from Alice that met in Nicaragua, and we could not have had a better experience. Filled with a contagious energy and joy she is learning to play the ukelele and presented us with several sessions to which Pedro joined with his guitalele (guitar the size of a ukelele), took us with some friends to have a beer at a lookout and the icing on top of he cake, got to leave very early from work to take us to the beaches of the Golfo de Papagaio, some of the nicest we’ve seen, with hot water and surrounded by greenery, filled with shade to escape the punishing sun. Unfortunately we forgot the camera at home, but the internet is full of photos so who has curiosity they are Panama, Coco, Ocotal and Hermosa beaches.

After an afternoon well spent beach, and the best ceviche I ever ate on this trip, it was time we hit the road and enjoy the fact that firefighters in Costa Rica are recognized by cyclists as very hospitable. Fortunately the Pan American had miles and miles of road construction, with mostly already finished but not yet open to the public, ie an authentic highway for our exclusive use, which came to relieve the stress from the day before and even allowed us enough time to go visit some nearby waterfalls where we had the chance to swim and refresh ourselves. Welcomed by the firefighters Cañas, we got our first hot shower after almost two months.

The fear of riding in the Pan American, beautiful, hilly, green but with narrow shoulders and cars with little desire to deviate was slightly mitigated by the thought that for two hours Costa Rica would stop to watch the match with Italy. And so it was, traffic slowed and we only stopped for the last two minutes and lived with emotion at the restaurant where everybody became ecstatic when Costa Rica won the match. It was a party and at the face of disappointment with our own team our heart was starting to beat with Costa Rica until the quarter-finals.

The last moments on the busy road waiting for us now after lunch, this time with the country on a big party, but equally enemies of the cyclists so it was with extreme relief that we entered the Costanera, the road, as the name suggests, that follows the coast of the country and that would take us almost to the border with Panama.

 

Anúncios

2 pensamentos sobre “Costa Rica, a pan-americana e o mundial de futebol | Costa Rica, the Pan American and the world cup

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s