De volta à sela | Back on the saddle

Após o buraco negro que foi a temporada de festas com a família no Brasil, bombardeados com os mimos que só uma família sabe dar e saltando de churrasco em churrasco de cada vez que travávamos conhecimento com a nova família ganha por legalidade, voltamos às selas por um portal espácio-temporal na forma de um ónibus nocturno entre Maringá e Florianópolis, com as bicicletas ainda nas caixas que as levaram a voar de Lima até Iguaçú.

Chegámos com uns quilos a mais no corpo e menos na bagagem pois as coisas de inverno foram já com a família para casa. Como num sonho acordámos no terminal de Floripa com as binas para montar. Trabalho para duas horas de apertar parafusos e porcas reconstruindo-as até ao formato cavalo de carga, e eram já onze horas quando estávamos prontos para sair. Entretanto ganhávamos uma mão cheia de admiradores que passavam e sem qualquer vergonha perguntavam ao que andávamos.

O objectivo desse dia era chegar perto do Rodrigo e da Alícia, warmshowers que ajudam os ciclistas que se aventuram pelo sul do Brasil. Havia poucas dezenas de quilómetros para fazer e muitas horas para matar, e fomos entregar um pacote que a Daniza (cunhada da Sara) enviou para uns dos nossos mais recentes amigos Brasileiros, o Anderson e sua família. No que viria a se revelar como a hospitalidade típica brasileira, comemos e cochilámos umas horas antes de regressar a cruzar a ponte até à ilha de Floripa. Uns bons quilómetros de ciclovia ao longo do que eram praias que foram tomadas em aterro para alargar as vias que servem o maior polo urbano do estado de Santa Catarina levaram-nos para estradas estreitas e estancadas de carros onde nós, mesmo alargados pelos alforges, conseguíamos passar à frente sem grande atraso.

Chegámos antes da hora marcada e o pequeno cachorro do casal, reconhecendo as bicicletas e identificando ciclistas, já nos recebia de forma aberta se bem que do lado de lá do portão. Em menos de um quarto de hora chegava o Rodrigo na sua bicicleta clássica de estética urbana adequada às viagens diárias de e para o trabalho. A Alícia chegou uma hora depois e logo se preparou um jantar e conversa boa entre os nossos relatos e os seus de viagem e as suas sugestões para os dias que se avizinhavam.

O dia seguinte foi entregue à parte sudeste da ilha, saltitando de praia em praia, passando pelo Pântano do Sul e Açores onde parámos para o banho do dia. Depois subimos a serra encetando terrenos agrícolas onde a estrada era aqui e ali ladeada por fazendas e chacaras, e voltámos para casa passando pela praia da Amarração onde apesar da hora tardia, tudo pululava de vida como só uma tarde de verão permite e no final um salto na Lagoa do Peri uma grande massa de água doce a escassos metros do mar.

No dia seguinte era hora de aproveitar o melhor conselho do Rodrigo. Para seguir viagem há duas hipóteses e a segunda hipótese só nos foi gracejada pela boca do Rodrigo, à qual eramos ignorantes. O Rodrigo e a Alícia, que já tinham feito o mesmo trajecto numa pequena viagem, tinham saído da ilha tomando um barco pesqueiro que os deixou na Praia do Sonho, imediatamente à frente de Caeiras de Baixo onde se toma o barco na praia. Ofereceu-nos o número do barqueiro e duas noites depois saímos através de Ribeirão da Ilha – pequena vila pitoresca de traços lusos – onde almoçámos ostras e depois já atrasados chegámos ao barqueiro que nos esperava na beira do fim da estrada e nos indicou a servidão para a praia onde íamos embarcar.

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After the black hole that was the holiday season with family in Brazil, flooded with the cuddles that only a family knows how to give and jumping from barbecue to barbecue each time we made acquaintance with the new family extended by legality, we returned to the saddle by a space-time portal in the form of a night bus between Maringa and Florianópolis, with the bikes still in the boxes that flew them from Lima to Iguaçu.

We have come with a few extra pounds in our bodies and less on the luggage as the winter items have been sent home with the family. As in a dream we wake up in Floripa terminal with the bikes to assemble. A work for two hours of driving screws and nuts, rebuilding them to the workhorse format, and were already eleven when we were ready to leave. Meanwhile we won a handful of admirers who passed and shamelessly asked we were up to.

The goal of the day was to get to Rodrigo and Alicia’s house, warmshowers hosts that help cyclists who venture into the south of Brazil. There were a few tens of kilometers to do and many hours to kill, and we had to deliver a package that Daniza (Sara’s sister inlaw) sent to some of our latest Brazilian friends, Anderson and his family. In what would prove to be the typical Brazilian hospitality, we ate and dozed a few hours before returning to cross the bridge to the island of Florianópolis. Some good kilometers of bike path along the beaches that were that were taken in by landfills to extend the routes that serve the largest urban hub of the state of Santa Catarina took us to narrow roads and stalled cars where we even widen by the saddlebags, we could move ahead of them without much delay.

We arrived before time and the couple’s small dog, recognizing bicycles and identifying cyclists, already was receiving us in an openly manner, even separated by the gate. In less than a quarter of an hour Rodrigo came in his classic urban aesthetic bike adequate to the daily trips to and from work. Alicia arrived an hour later and then prepared a dinner and we shared good conversation among our reports and their travel and suggestions for the days that lay ahead.

The following day was delivered to the southeast part of the island, beach hopping through the Pântano do Sul and Azores beaches where we stopped for bath of the day. After we climbed the surrounding mountain passing through agricultural land where the road was here and there flanked by farms, we returned home through the Amarração beach where despite the late hour all swarmed with life the way only a summer afternoon can, and in the end a jump in Lagoa do Peri, a large lake of fresh water a few meters from the sea.

The day after it was time to enjoy Rodrigo’s best advice. Onward out of the island there are two ways and the second one we were before ignorant and had only learned by Rodrigo’s mouth. Rodrigo and Alicia, who had already made the same journey on a little trip, had left the island taking a fishing boat that left them in the Praia do Sonho just in front of Caeiras de Baixo where you take the boat on the beach. He offered us the cell number of the boatman and two nights later of our arrival we went through Ribeirão da Ilha – small picturesque village of lusitanian traits – where we had oysters for lunch and then arrived late near the boatman waiting by the edge of the end of the road, and he indicated the pathway to the beach where we would board.

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