Mazatlán

Finalmente o continente, e uma vez mais todas as dúvidas, inseguranças e adaptações necessárias inerentes a mais uma mudança, uma vez que a Baja California, dizem, é quase um país diferente do resto do México. No ancoradouro em Mazatlán arranjámos uma panga (pequeno barco) para nos levar daí até terra, para de seguida tomarmos um colectivo (autocarro) que nos deixou no centro da cidade. Às duas da tarde sentia-se um calor húmido, massas de gente em todas as direcções, muito trânsito, vendedores ambulantes de doces, de brinquedos, de frutas, muitas lojas e de repente o cheiro a pão e a bolos quentes, que nos fizeram deter numa pastelaria tradicional, procurando fugir, por meros instantes, do caos que nos desorientava. De volta à rua e ao barulho, cruzámos duas ruas e logo nos encontrámos na praça à frente da catedral, onde na alameda central do jardim se perfilavam engraxadores de sapatos, cada um com o seu estabelecimento, composto de uma cadeira elevada para os clientes e todos os materiais necessários ao labor. Em auxílio do Don, que buscava um suposto bar sobre o qual havia lido no guia, esquecido no barco, fomos contactando taxistas e transeuntes. Uma eventual confusão de povoações costeiras terá colocado o bar na cidade errada, mas um músico de viola às costas, que viríamos a encontrar diversas vezes nos dias seguintes, colocou-nos na rota de uma praça simpática, calma, longe de multidões, e com uma escolha profusa de cafés e restaurantes onde saciar apetites e sedes, de líquidos e de tranquilidades.

Já com as energias restabelecidas, e o mapa mais ou menos estudado, deambulámos pelo centro histórico de Mazatlán, cidade em tempos famosa no circuito mundial de cruzeiros, quem não se lembra do Barco do Amor?, a seu tempo abandonada pela violência crescente das guerras do tráfico de droga, restabelecida agora com os seus edifícios recuperados, e para nosso benefício sem as massas de turismo que em tempos inundaram as suas ruas. Orgulhosa dos escritores que por aqui passaram, aqui e além há placas ilustrativas de narrativas escritas pelas mãos famosas de Jack Kerouac ou Herman Melville. Desembocámos no malecón, construído na época dourada do turismo dos anos vinte, de que os decrépitos e charmosos hotéis são ainda testemunha. Mas o tempo era escasso, a panga esperava-nos para nos levar de volta ao que temporariamente chamámos de casa e os autocarros ainda estavam longe. Acenámos então a uma pulmonia, um pequeno táxi, com base de carocha, e corpo de carrinho de golfe, e com os cabelos aos vento seguimos até ao ancoradouro. Os dias anteriores tinham sido longos e trabalhosos, impunha-se agora um intervalo de descanso.

A manhã seguinte trouxe-nos nova volta de barco, desta vez até à marina de Mazatlán, no lado oposto da cidade, passada toda a zona dourada, composta de opulentos hotéis e resorts, que nos dias que correm são a escolha preferida dos viajantes com pacotes. Apanhado novo coletivo para a zona central, fomos em busca da estação de camionetas. Quando estávamos em La Paz conhecemos um grande grupo de ciclistas em casa da Glenda, do qual fazia parte a Alexa. De mãe americana e pai mexicano, ela e o Paul tinham deixado Minneapolis num tandem e iam encontrar-se em Guadalajara com os pais e o resto da família para passar o Natal. Pelo caminho convidaram todos os ciclistas que encontraram para se juntarem à sua festa, nós incluídos. Já não havia tempo para fazer o percurso de bicicleta, e por isso decidimos apanhar um autocarro. Mais tarde viríamos a descobrir que todos os ciclistas, com excepção de dois que apanharam um avião, fizeram o mesmo.

Comprados os bilhetes para a classe conforto, no dia seguinte às 23 horas, explorámos um pouco mais de Mazatlán, percorrendo a pé todo o malecón, ocupado por famílias, adolescentes, ou casais de namorados, numa preguiça indolente típica de Domingo. Alguns aventuravam-se no mar, aproveitando o maravilhoso clima de Dezembro, outros levavam botas e casacos, indícios de que também aqui o Inverno se leva a sério. Passámos pelo Muchacho Alegre, um restaurante de boa pinta, que elegemos para o nosso jantar de despedida com o Don e o Doug, marcámos hora para mais tarde e fomos comer um coco. A água de coco era retirada e entregue num saco de plástico com uma palhinha, e aos pedaços cortados, ainda no recipiente original, era possível adicionar lima espremida e uma variedade de molhos, do mais doce ao mais picante. Sentados a ver o pôr-do-sol e a observar o mar, quis o destino que nos virássemos à passagem de três ciclistas, dois dos quais tínhamos conhecido em casa da Glenda. Afinal, descobrimos, havia outra alternativa para passar para o continente, no ferry de carga. Para a próxima já sabemos.

O Muchacho Alegre afinal era alegre demais, ao som da ensurdecedora música da banda que tocava ao vivo, as conversas de despedida apenas seguiam nos intervalos, mas a comida, marisco na sua maioria, não podia estar melhor!

E chegou o dia da partida, e com ele uma nova viagem de barco, desta vez até à Marina El Cid, a menos de um quilómetro de distância, onde o Don e o Doug poderiam aproveitar os serviços incluídos no resort, e assim passar o Natal num clima mais festivo. Começávamos finalmente a ficar mais ágeis nas manobras navais, e já era tempo de irmos embora. Mas, com a viagem marcada apenas para as onze da noite, ainda pudemos desfrutar das espreguiçadeiras à beira da piscina, que se dividia entre uma parte de água quente, com um escorrega directo à água fria, cascatas e grutas para explorar, mais um escorrega maior, e de novo as espreguiçadeiras. Uma vez mais um típico momento lua-de-mel que se arrastou por quatro horas, e que não pudemos prolongar já que era necessário tratar de arrumar tudo, montar as bicicletas e rumar à estação de camionetas.

Ainda jantámos com o Don e mais uns amigos velejadores, um típico prato natalício de pimentos recheados com carne e molho de nozes, apreciámos as luzes da Natal na praça Machado e vimos um local a saltar para a água do cimo de uma torre, no escuro, depois de entregue uma moedinha ao amigo que estava em terra. Chegados à estação embarcámos num autocarro mais confortável que o avião da Sata que nos levou até Boston. Cadeiras largas, muito reclináveis, ecrã táctil individual em frente, com jogos, músicas e filmes à escolha, auscultadores, casa-de-banho, uma porta a separar os passageiros do motorista, e à entrada entregaram-nos um saquinho individual com água, coca-cola, sandes e outras guloseimas. E assim passámos a noite, eu com “Os Miseráveis”, o Pedro com o “Quem quer ser bilionário?”, até desembarcarmos na estação de Guadalajara e nos prepararmos para a aventura de chegar ao centro da cidade.

IMGP8468

IMGP8472

IMGP8481

IMGP8484

IMGP8490

IMGP8498

IMGP8513

IMGP8526

IMGP5229

Finally the continent, and once again all the doubts, insecurities and adaptations inherent to another change, since Baja California, as they say, is almost a different country from the rest of Mexico. At anchor in Mazatlan we got ourselves a panga (small boat) to take us from there to land, then we took a colectivo (bus) that left us in the city center. At two in the afternoon it felt a moist heat, masses of people in all directions, heavy traffic, hawkers of sweets, toys, fruits, many shops and suddenly the smell of warm bread and cakes which made us stop at a traditional bakery, trying to escape, by mere moments, the disorienting chaos. Back on the street and on the noise, we crossed two streets and soon found ourselves in the square in front of the cathedral, where, in the central mall garden, we could see lines of shoe polishers, each with its establishment, consisting of a high chair for customers and all necessary labor materials. In aid of Don, who was looking for a supposed bar on which he had read in the guide, forgotten on the boat, we started contacting taxi drivers and passersby. With a possible confusion of coastal towns, that put the bar in the wrong one, we were helped by a musician with a guitar on his back, that we were to meet several times in the following days, who gave us directions for a nice place, quiet, away from crowds, and with a profuse choice of cafes and restaurants to satisfy our appetites and dirsts.

With our energy restored, and a more or less studied map, we walked on the historic center of Mazatlán, in times famous in the world circuit of cruise ships, who doesn’t remember the Love Boat?, in time abandoned by the increasing violence of the wars of drug trafficking, now renovated with its restored buildings, and for our benefit without the mass tourism that once flooded its streets. Proud of writers who passed through here, here and there illustrative plates show narratives written by the famous Jack Kerouac or Herman Melville. We ended up in the Maléon, built in the golden age of tourism (in the twenties), whose decrepit and charming hotels still witness. But time was scarce, the panga expect us to take us back to what we have called home temporarily and buses were still far away. We then waved to a pulmonia, a small taxi, based on the VW beetle and with a golf cart body, and with our hair in the wind we followed to the boat dock. The previous day had been long and laborious, we know needed a rest.

The next morning brought us a new boat ride, this time to Marina Mazatlán, on the opposite side of town, past all the golden zone, composed of opulent hotels and resorts which these days are the preferred choice of package travelers. We took another colectivo to the central zone, and went in search of the bus station. When we were in La Paz we met a large group of cyclists at Glenda ‘s house, including Alexa. With an American mother and a Mexican father, she and Paul had left Minneapolis on a tandem and would be in Guadalajara with parents and the rest of the family to spend Christmas. Along the way they invited all the cyclists they met to join the party, us included. We had no time to do it on a bicycle, and so we decided to catch a bus. Later we found out that all the cyclists, except two who took a plane, did the same.

We bought tickets for the comfort class, the next day at 11 pm, we explored a bit more Mazatlán, traveling on foot across the malécon, occupied by families, teenagers, or couples dating, on a typical lazy Sunday. Some ventured into the sea, enjoying the wonderful December weather, others had boots and coats on, evidence that here too the winter can be taken serious. We passed by Muchacho Alegre, a restaurant with a nice look, that we choose for our farewell dinner with Don and Doug, that we arranged for an hour later and went to eat a coconut. Coconut water was removed and put on a plastic bag with a straw, and the rest of it, cut into pieces, remained in the original container, to which you could add squeezed lime and a variety of sauces, from the sweeter to the more spicy. We sat down, watching the sunset and the sea, when fatem ade us turn around and see three passing bicycle riders, two of whom had met at Glenda’s. After all, we discovered that there was another alternative to pass to the continent, by cargo ferry.

Turns out the Muchacho Alegre was a little too happy, and the sound of the band that played live, made it impossible to maintain a conversation except on the intervals of the music, but the food, mostly seafood, could not be better!

And the day of departure arrived, and with it a new boat trip, this time to the El Cid Marina, less than a kilometer away, where Don and Doug could avail the services included in the resort, and so spend Christmas in a more festive atmosphere. Finally we started to become more agile in naval maneuvers, and it was already time to leave. But with thetrip scheduled only to the 11 pm, we could still enjoy the sun loungers by the pool, which was divided between one part with warm water, with a direct slide to cold water, waterfalls and caves to explore, plus a larger slide, and again the sunbeds . Once again a typical honeymoon moment that lasted for four hours, and that we could not continue as it was necessary to deal with packing, mount bikes and head to the bus station.

We had dinner with Don and a few more boaters friends, we ate a typical christmas dinner, stuffed peppers with meat sauce and nuts, we appreciated the Christmas lights in Plaza Machado and saw a guy jumping to the water from the top of a tower in the dark, after we gave some change to his friend who was on land. From the train station we boarded a bus more comfortable than the plane who took us to Boston. Wide reclinable chairs, individual touchscreen in front, with games, music and movies to choose from, headphones, bathroom, a door separating the passengers from the driver, and at the entrance they gave us an individual bag with water, coca -cola , sandwiches and other goodies . And so we spent the night, me with “Les Miserables” , Pedro with “Slum dog Billionaire”. Until we got to Guadalajara station and prepare for the adventure of getting to the city center.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s