Ensenada e o Dia dos Mortos | Ensenada and the Day of the Dead

Depois de uma noite bem dormida, acordámos para um belíssimo pequeno-almoço e para as dicas do Roberto, que já fez esta viagem pela Baja, e que nos disse quais os locais menos aconselháveis para passar uns tempos, quais os mais agradáveis e mais uma série de dicas úteis.

Até Ensenada escolhemos não retomar a nossa vida de crime e tomar a estrada livre, o que implicou subir e descer uma montanha, mas tínhamos tempo. Depois de um belíssimo almoço em La Misión, tomámos mais um gostinho do México e encontrámos uma estrada em obras onde um funcionário nos parou por um bocado, para depois nos mandar seguir por cima de alcatrão acabadinho de colocar. Por todo o lado saltavam bocados de alcatrão quente, e à parte de baixo da nossa bicicleta, dos alforges, das garrafas e até do nosso corpo, ficaram agarrados pedaços pretos, que depois de secaram pareciam plástico, e que só com recurso a gasolina branca, conseguimos remover mais tarde. Depois do alcatrão veio a gravilha, e finalmente, e com algum alívio, voltámos a ter uma estrada normal.

Chegados a Ensenada dirigimo-nos a casa da família Valles, que muito bem nos acolheu, mas onde só foi possível ficar uma noite porque no dia seguinte iam sair. Contactámos então o Felipe, e para sua casa nos dirigimos para passar mais uma noite. O Felipe mora num pequeno T1 com a Margarita, e graças à sua boa vontade, acolheu naquele dia cinco ciclistas, o Sam e a Flurina, suíços, o Kevin, da Irlanda e nós. Este era o dia dos Mortos, e o Felipe, que está a fazer um doutoramento em nanotecnologia, decidiu não ir trabalhar para nos poder acompanhar nas inúmeras tarefas que tínhamos para cumprir, como por exemplo, comprar um cartão SIM e activá-lo, e tomar a segunda dose das nossas vacinas da hepatite A. Estas duas revelaram-se bastante complicadas. De centro de saúde em centro de saúde, lá descobrimos que a vacina vem por campanhas, e logo por azar, a campanha tinha terminado na semana anterior. Talvez no Hospital General de San Quintin, onde estava previsto chegarmos daí a dois ou três dias. Em Ensenada também havia um Hospital General, mas os serviços já estavam encerrados naquele dia e só voltavam a abrir na Segunda-feira (era Sexta). O cartão SIM não foi mais simples, de loja em loja, até comprarmos um no supermercado, para depois voltarmos à loja principal para o activarmos, deu trabalho, mas graças à simpatia e muita paciência do Felipe tudo se resolveu.

Também foi a passear com o Felipe e com o resto do grupo pelas ruas de Ensenada que começámos a descontrair e a ver o México por baixo da primeira camada que o tornava desconfortável aos nossos instintos.

No ar pobre e inacabado das habitações, escondem-se casas ricas e cheias de boas condições. Nas ruas mal alcatroadas, e com passeios cheios de armadilhas (quando os há), existem lojas para todos os gostos e feitios, mesmo no centro da cidade, sem ser preciso pegar no carro para ir ao centro comercial mais próximo. As barraquinhas que proliferam por todo o lado, não mais têm que comida de rua absolutamente deliciosa, cheia de sabor e um pouco picante. As panaderias vendem pão fresquinho e bolos deliciosos acabados de fazer. Os mexicanos são pessoas iguaizinhas às outras todas, entretidos na sua vida, nos seus recados, mas muito mais sorridentes e amistosos que os seus vizinhos do Norte.

E o Dia dos Mortos? Nas nossas cabeças o cenário era de pessoas vestidas de esqueletos passeando pela rua, mas nada mais errado. Nalguns locais muito específicos do México há festas líndissimas, mas na maioria dos sítios é uma festa familiar. Em casa são colocados pequenos altares com as fotografias dos “seus” mortos, e junto a eles as suas comidas, bebidas e objectos preferidos, às vezes também cigarros e outros vícios. O mesmo se faz nos cemitérios junto às campas, que se vão visitar e onde se põem flores frescas. À noite as famílias reúnem-se, comem e falam dos que já partiram. No dia seguinte vão ao cemitério buscar a comida e comem-na, mas diz a tradição, que os alimentos já não têm sabor.

Originalmente íamos a uma festa de um amigo do Felipe que depois foi desmarcada e por isso decidimos fazer um belo jantar em casa, com tortas (sandes) de carne assada, e pan de muertos (uma espécie de folar). Mais uma característica mexicana, às vezes as coisas nem sempre são como nos dizem, os horários nem sempre correspondem à marcação, mas há sempre tempo e vontade para uma festa!

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After a good night’s sleep, we woke up to a beautiful breakfast and Roberto’s tips, who has made this journey through Baja, and told us what places we should spend less time, which were more pleasant and some more useful tips.

Until Ensenada we chose not to resume to our life of crime and we took the free road, which led up and down a mountain, but we had time to do ti. After a wonderful lunch at La Mision, we had one more taste of Mexico and found a road where a construction employee stopped us for a while, then told us to go just after they put fresh tar. From everywhere jumped bits of hot tar, and the bottom of our bikes, the panniers, bottles and even in our bodies, were clinging with black pieces, which seemed like dried plastic, and that only with the use of white gasoline we managed to remove later. Then came the gravel, and finally, with some relief, we again encountered a normal road.

We arrived in Ensenada and we headed home to the Valles family who welcomed us, but where it was only possible to stay one night because the next day they went out. Then we contacted Felipe, and rode to his house for one more night. Felipe lives in a small T1 with his girlfriend Margarita, and thanks to his goodwill, he welcomed five cyclists that day, Sam and Flurina, from Switzerland, Kevin, from Ireland and us. This was the day of the Dead, and Felipe, who is doing a PhD in nanotechnology, decided not to go to work in order to help us with the numerous tasks we had to accomplish, such as buying a SIM card and activate it, and take the second dose of hepatitis A vaccine, which both proved to be very complicated. From health center to health center, we found out that the vaccine comes in campaigns, and then by chance, the campaign had ended the previous week. Maybe at the Hospital General de San Quintin, they told us, where we were scheduled to arrive in two or three days. In Ensenada there was also a General Hospital but the services were already closed that day and they would only to open on Monday (it was Friday). The SIM card was not simpler, from shop to shop until we bought one at the supermarket, and then return to the main shop to activate it, but thanks to the kindness and patience of Felipe everything was solved.

As we were was walking with Philip and the rest of the group through the streets of Ensenada we started to relax and see Mexico under the first layer, the one that made it uncomfortable to our instincts.

In poor air and unfinished dwellings, lurk rich and full houses in good condition. In the streets poorly paved, and sidewalks full of traps (when there are some), there are shops for all tastes and sizes, even in the city center, without having to take the car to go to the nearest shopping center. The stalls that proliferate everywhere, are filled with absolutely delicious street food, full of flavor and a little spice. The panaderias sell freshly baked bread and delicious freshly baked cakes. Mexicans are like everybody else, engrossed in their daily lifes, in their chores, but very friendly and smiling more than their northern neighbors .

And the Day of the Dead? In our minds the picture was of people dressed as skeletons walking down the street, but that couldn’t be more wrong. In some very specific locations of Mexico there are gorgeous feasts, but in most places is a family celebration. At home are placed small altars with photographs of “their” deads, and with them their food, drinks and preferred objects, sometimes also cigarettes or other vices. The same is done with the graves in the cemeteries, that they visit and where they put fresh flowers. In the evening the families gather, eat and speak of those who have departed. The next day they go to the cemetery to seek the food and eat it, but tradition says that the foods have no longer flavor.

Originally we were going to a party of a friend of Felipe who was later cancelled and so we decided to make a nice dinner at home with tortas (sandwiches) of roast beef, and pan de muertos (a kind of brioche). Another Mexican feature, sometimes things are not always as they say, the schedules are not always as they are arranged, but there is always time and mood for a party!

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