A casa ciclista de Santiago | Santiago’s cyclist house

Casas ciclistas tendem a ser grandes armadilhas, onde deixamos os dias correr lentamente e vamos ficando. A casa do Santiago e da Ana Lúcia não é excepção. Há vinte e quatro anos atrás um viajante do Japão perguntou na loja de bicicletas onde o Santiago trabalhava se havia algum sítio em Quito onde podia montar a sua tenda uma noite ou duas e depois de todos dizerem que não o Santiago voluntariou-se. Apesar de não saber falar inglês lá se entenderam e a estadia durou dezanove dias. Hoje em dia, apesar de não ter página na internet, nem sequer no site warmshowers, a informação passa de boca de boca e a cada ano, com a crescente popularidade do cicloturismo chegam cada vez mais viajantes a esta casa de portas abertas.

Para além das longas conversas com o Santiago, que sempre bem disposto vai dando dicas de visita ao Equador, naquele tom de quem ama a sua terra, ao mesmo tempo que põe ordem na casa, foi uma verdadeira delícia conhecer os ciclistas que nos calharam em rifa ao longo da nossa estadia. A começar pelo Cedric, com quem já tínhamos partilhado o espaço na casa ciclista de Medellin, e que é provavelmente o ciclista mais rápido que já conhecemos, saiu em Maio, deste ano, de Montréal e já chegou até aqui, com dias 170 Km ou mais.

Os checos Michal e Zuza, que cozinharam um goulash de comer e chorar por mais, começaram a viagem na Patagónia e com as suas histórias inspiraram-nos a ser mais aventureiros e sair mais vezes das estradas principais. Decidimos fazê-lo, depois contamos como correu!

E finalmente os argentinos Luciano e Sol, os dois são ceramistas e têm um projecto de visitar o máximo número de ceramistas ao longo da América Latina para depois fazer um catálogo. Pelo caminho vão trabalhando e vendendo as suas obras. À data em que escrevo ainda estamos em dúvida se se vão juntar a nós nos próximos dias a explorar os vulcões do Equador ou ficar por aqui mais uns tempos.

Aproveitámos também a estadia para visitar a cidade de Quito, que fica uns 400 metros acima de Tumbaco, mas fizemo-lo apanhando o autocarro (que passa de três em três minutos e custa 0,28 €), e mais um articulado para chegar ao centro (este ainda mais barato), e adorámos! Depois de visitarmos mil e uma cidades coloniais já não é fácil sentirmo-nos impressionados, mas Quito deixou-nos maravilhados. O centro colonial é grande, recheado de edifícios bem conversados e opulentas e belíssimas igrejas, algumas das quais as mais bonitas que já vimos. A primeira visita foi feita a um Domingo, um dia em que o centro está vedado a carros e pelas ruas iam circulando centenas de visitantes e locais, ao mesmo tempo que artistas tocavam, cantavam ou expunham a sua obra. Vendedores ambulantes de guloseimas e utilidades enchiam as ruas e na Praça Central velhinhos viam a vida a passar nos bancos de jardim ao mesmo tempo que as crianças pequenas corriam atrás dos brinquedos da última moda.

Por ser perto do dia em que Eugénio Espejo colocou bandeiras vermelhas em sete cruzes da cidade, com os dizeres ”sejamos livres, consigamos felicidade e glória”, há mais de duzentos anos, gesto que mais tarde havia de dar origem à revolução da independência havia uma encenação histórica, com uma espécie de caminhada pela cidade acompanhada de uma banda. Mais à frente havia uma procissão e depois entrámos na rua dos artesãos onde comprámos um pão fenomenal e o Pedro um pião artesanal.

Ainda caminhámos até à parte mais moderna e turística da cidade, onde estão os cafés e restaurantes mas o Domingo fez-se sentir como noutras cidades e o ambiente era mais deserto e não tão interessante.

Na nossa segunda visita decidimos subir no teleférico, que chega aos 4000 mil metros e daí se caminha até ao cume do vulcão Pichincha. Habitualmente os dias amanhecem solarengos, ao meio-dia o Sol é mais forte do que alguma vez sentimos na nossa vida, o que faz algum sentido, visto estarmos tão alto e no equador, e à tarde chove. Infelizmente parece que não acertámos com os tempos, quando chegámos ao topo eram onze e pouco e começava a chover. Preparados para tal ocorrência vestimos os impermeáveis e continuámos a andar, mas quanto mais nos afastávamos do teleférico pior ficava o tempo e rapidamente a chuva se transformou em granizo, que não só nos molhava como nos picava mãos e cabeça. Para juntar à festa começámos a ouvir trovões e resolvemos voltar para trás. Assim que apanhámos o teleférico de volta, o tempo amainou e o Sol resolveu dar o ar da sua graça. Um pouco contrariados fomos almoçar e depois o Pedro, tendo já pouco peso na sua bicicleta, resolveu comprar mais um pião.

Um passeio de bicicleta por uma linha de comboio convertida em ciclovia e um piquenique junto ao rio, com os restos do churrasco argentino feitos pela Sol e pelo Luciano na noite anterior, completaram o programa das festas, ou das actividades, da nossa estadia em Tumbaco.

Diz o Pedro que quando paramos ganhamos inércia e voltar a engrenar na viagem é difícil e creio que é uma das razões para às vezes pararmos tanto tempo. Parece que de repente volta um certo medo do desconhecido e o nosso instinto leva-nos a ficar onde estamos bem e acomodamo-nos, mas a verdade é que só custa mesmo sair. A partir do momento em que assentamos o rabo na bicicleta e damos a primeira pedalada tudo volta a parecer muito natural e a viagem segue. É o que vai acontecer amanhã e arriscando por caminhos de montanha. Desejem-nos sorte!!

IMGP2164

IMGP1694

IMGP1767

IMGP2150

IMGP1686

IMGP1680

IMGP2127

Cyclists houses tend to be huge traps where we let the days run slowly and we keep on staying. Santiago and Ana Lucia’s home is no exception. Twenty four years ago a traveler from Japan asked at the bike shop where Santiago used to work if there was any place in Quito where he could set up his tent for a night or two and after everybody said no Santiago volunteered. Despite not speaking English somehow they manage to understand each other and the cyclist stayed for nineteen days. Today, even without website, or being at warmshowers, the information passes from mouth to mouth and every year, with the growing popularity of cycle touring, travelers keep arriving and arriving to this house with open doors.

Apart from lengthy conversations with Santiago, who is always well prepared to give Ecuador visiting tips, in a tone of one who loves his country, and at the same time putting the house in order, it was a real delight to know the cyclists who stayed there at the same time as we did. Starting with the Cedric, with whom we had already shared space in Medellin’s cyclist house, and that is probably the fastest cyclist we have met, since he left Montreal in May of this year and is already in Quito, cycling sometimes 170 Km or more each day.

The Czech Michal and Zuza, who cooked some amazing goulash, and began their trip in Patagonia. Their stories inspired us to be more adventurous and go out more often of the main roads. We decided to do it, we will let you know how it went!

And finally the Argentinians Luciano and Sol, who are both potters and are trying to visit all the potters throughout Latin America and then make a catalog. Along the way they work and try to sell their potters. At the time of writing we are still unsure if they will join us in the next few days exploring the volcanoes of Ecuador or if they will stick around a little longer.

We have also taken the time to visit the city of Quito, which lies about 400 meters above Tumbaco, but we went by bus (which happens to pass every three minutes and costs € 0.28), and then we took another articulated bus to the center (this one even cheaper), and we loved it! After visiting a thousand colonial cities is no longer easy to be impressed, but Quito left us amazed. The colonial center is great, filled with well preserved and opulent buildings and beautiful churches, some of which the most beautiful we’ve ever seen. The first visit was made on a Sunday, a day on which the center is closed to cars so hundreds of locals and visitors walk on the streets, while artists played, sang or exposed their work. Street sellers of sweets or utilities filled the streets and older people sat on the central square seeing life go by and talking to friends while small children ran around with the latest toys.

Being close to the day when Eugenio Espejo put red flags in seven crosses the city, with the words “let us be free and achieve happiness and glory” gesture that later lead to the revolution of independence, more than two hundred years ago, there was an historical reenactment, with a kind of walk through the city accompanied by a band. Up ahead there was a procession and then we entered the street of artisans where we bought a phenomenal bread and Pedro a hand made pivot.

We then walked up to the most modern and touristy part of town, where cafes and restaurants are located, but Sunday was felt like in other cities and there were few people on the streets and lots of shops were closed.

On our second visit we decided to get on the cable car, which reaches 4000 meters above sea level and then walk up to the summit of Pichincha volcano. Usually the days start very sunny day, at midday the sun is stronger than we ever felt before, which makes sense, since we are so high and at the equator, and on the afternoon it rains. Unfortunately it looks like we got the weather wrong and when we reached the top at eleven there was no sun and it started to rain. Prepared for such occurrence we put our waterproof jackets and continued to walk, but the further we got away from the cable car the worst the weather and the rain quickly turned to sleet, which not only drenched us as well as stung our hands and heads. To join the party we started to hear thunder and decided to turn back. Once we took the cable car back down, the weather subsided and the sun decided to show. A little upset we had lunch and then Pedro, having little weight on his bike, decided to buy another pivot.

A bike ride on a train line converted to bike path and a picnic by the river, with the remains of Argentine barbecue made by Sol and Luciano on the previous completed the activities during our stay in Tumbaco .

Pedro says that when we stop we gain inertia and reengage on the journey is hard and I believe that is one of the reasons why sometimes we stop for so long. It seems that suddenly a fear of the unknown arises and our instinct leads us to stay where we feel good and we settle ourselves. But the truth is that the hardest part is just to leave again. From the moment we sit our behinds on the bike and give the first stroke, everything goes back to normal and the trip continues. This is what will happen tomorrow and we are going to risk a little more by taking some mountains trails. Wish us luck!!

Anúncios

7 pensamentos sobre “A casa ciclista de Santiago | Santiago’s cyclist house

  1. Hola chicos, I am glad that you choose to go through mountains and small roads. You will experience some high altitude and cold, but I am sure you will be fine and maily you will enjoy!!! Good luck! Zuza and Michal

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s