O último passe, um aniversário e um murro | The last pass, a birthday and a punch!

Depois de dois passes bem altos nas Rockies, aguardava-nos agora o último passe, desta vez com “apenas” 2944 metros de altitude. A verdade é que também não voltámos a descer abaixo dos 2000 metros, mas não são de desprezar estes passes, que implicam cada um, a sua diferente conquista. Pois que tínhamos determinado fazer apenas meio dia de viagem, quando não gostámos assim tanto de Hot Sulphur Springs e nos lançámos à conquista do passe logo a seguir ao almoço. Não é que as subidas sejam íngremes, mas são longas, em curvas e contra-curvas, o que não nos permite atingir grandes velocidades. A altitude também não é grande amiga do tempo, desta vez meteorológico, e além de frio ainda enfrentámos chuva e vimos raios e trovões ao largo; e nem ajuda muito o nosso desempenho aeróbico, pois raciona para aquém do desejável o oxigénio que tragamos em cada fôlego. Já eram seis horas quando decidimos ficar mesmo por um dos parques de campismo ainda a 15 km do passe, e sem rede de telemóvel acabámos por nos separar do Garry (mais tarde viemos a descobrir que ele tinha ficado do lado esquerdo da estrada e nós do lado direito). Há que atentar também no facto de que estes não os típicos parques de campismo portugueses. As casas-de-banho são um buraco no chão, sem água corrente, há água mas sai uma torneira no chão sem qualquer instalação adicional, não há chuveiros, nem qualquer tipo de estabelecimento comercial, não há controlo de entradas e saídas, o dinheiro é deixado à entrada ou entregue aos responsáveis do parque que de vez em quando passam, e há ursos, para além de outros animais que nos querem roubar a comida. O problema com os ursos não é só andarem atrás da comida, mas terem um olfacto apurado e conseguirem cheirar a roupa com que comemos, se esta estiver na tenda podem atacar humanos.

Adiante. Chegámos ao parque de campismo, montámos a tenda à chuva (acho que até de olhos fechados já o conseguíamos fazer), e depois encharcados, ficámos a olhar um para o outro sem saber se havia água, a pensar nos noodles que íamos comer, enfim, a infelicidade pura e dura. Felizmente, na tenda ao lado da nossa estava um casal, que tinha chegado de carro, e a quem nos dirigimos para perguntar se havia água potável. Foi amor à primeira vista, o Chad e a Allison, já tinham estado em Portugal, tinham feito uma lua-de-mel de seis meses pela Europa, e era o dia de anos do Chad, para comemorar tinham escolhido acampar, pescar e passar a sua primeira noite sem o filho de um ano. Generosamente partilharam connosco o seu jantar, vinho e cerveja, o calor da fogueira que tinham ateado e muitas horas de conversas. Para grande alívio nosso também partilharam a bagageira do seu carro para guardarmos a comida longe dos ursos. Convidaram-nos também para o pequeno-almoço do dia seguinte, que por acaso era o dia de anos do Pedro. Tal como o jantar, tomámos a refeição à chuva e seguimos caminho em direcção ao passe. Um pouco mais abaixo o sol já tinha voltado, e lá voltámos às nossas roupas de Verão. Para comemorar o aniversário fomos jantar fora com o Garry, o Evan e mais dois ciclistas que se juntaram a nós em Walden, onde comemos o melhor bife panado eleito pela revista National Geographic.

Então e o murro? Nunca se metam com uma bungee cord (corda elástica com ganchos nas pontas) molhada, à mais pequena distração ela pode voltar para trás e acertar-vos com um gancho no lábio!
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After two high passes in the Rockies, we had now a last pass to do, this time with “only” 9,659 feet. The truth is that we never descended below 6,500 feet, but still, each one of the passes implies a different type of conquer. We had determined to do just an half day trip, and leave the pass for the next day, when we didn’t liked so much of Hot Sulphur Springs and launched ourselves in the conquest of the pass shortly after lunch. The climbs are not steep, but they are long, with lots of curves, so we can’t reach great speeds. The altitude is not a great friend of weather, so besides the cold, we also had rain and we saw thunder and lightning in a short distance. The altitude is also not such a great help of our aerobic performance, as it rations to below the desired oxygen we bring in in each breath. It was already six when we decided to set by one of the campgrounds, 9 miles from the pass, with no sign in our cell phones we ended up separating from Garry (later we found out that he had been on the left side of the road and we on the right side). We must also pay attention on the fact that these are not the typical Portuguese campground. The bathroom is a hole in the ground without running water, all the available water comes from a field faucet without any additional installation, there are no showers, no shops or grocery stores, there is no control of people coming in and out, the fee is left inside an envelope at the entrance or with the park responsible that passes from time to time, and there are bears, in addition to other animals we want to steal your food. The problem with bears is not that they are looking for food, they can also smell the clothes that you eat in, and if you keep them in the tent they can attack humans.

We reached the campsite, we set up the tent in the rain (by now I think that we could set it up with even with closed eyes), then, soaked, we were looking at each other wondering if there was any water, thinking of the ramen noodles we were going to eat, we were feeling miserable. Fortunately, in the campsite next to ours there was a couple who had arrived by car, and to whom we turn to ask if there was drinking water. It was love at first sight, Chad and Allison had been in Portugal , they had a six months honeymoon in Europe, and it was Chad’s birthday, who had chose to camp, fish and spend his first night without the son of a year to celebrate it. They generously shared their dinner with us, wine and beer, the heat of the fire they had kindled, and many hours of conversations. For our great relieve they also allowed us to use their car trunk to keep our food away from the bears. They also invited us to breakfast the next day, which happened to be Pedro’s birthday. Just like dinner the night before we took breakfast in the rain and we continued our journey towards the pass. A little further down the sun returned, and we returned to our summer clothes. To celebrate the anniversary we went out to have dinner with Garry, Evan and two other cyclists who joined us in Walden, where we ate the best chicken fried steak elected by the National Geographic magazine .

And what about the the punch? Never mess with a wet bungee cord, at the smallest distraction she can go back and hit you with a hook on the lip!

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