A cidade mais fixe dos EUA (para ciclistas) | The coolest town in the States (ciclistwise)

Após o dia mais molhado de sempre e do resgate em Salem, a tirada até Portland adivinhava-se fácil dado a grande quantidade de ciclovias e vias partilhadas  que Portland tem. Nada podia estar mais errado. Na verdade poderíamos ter escolhido uma outra rota mais longa, mas escolhemos a mais directa, e portanto a mais perigosa, que nos levou os nervos até à flor da pele. Da tão ansiada ciclovia que nos deixaria respirar de novo, separava-nos uma estrada rápida e larga com inúmeras faixas, cujo número aumentava e diminuía consoante os povoados que ia cruzando; subindo pontes e consequentemente perdendo bermas; com inclinações dignas de uma pequena prova de montanha. Isto por dezenas de quilómetros que nos demorariam horas a percorrer, pelo que nos pusemos a salvo já bem depois do almoço. No entretanto gritaram-nos, buzinaram-nos, tourearam-nos e mostraram-nos o dedo. Mas assim que chegámos à ciclovia passámos a  concentrar-nos no que vinha à frente em vez do que vinha atrás de nós.

O nosso primeiro objectivo era tentar arranjar um ingresso para ver o Ty Segall, que iria tocar nessa mesma noite. Era uma façanha digna de Pedro: ciclar mais de meia centena de quilómetros; encontrar o local do concerto e conseguir os bilhetes; encontrar o sítio onde iríamos ficar e deixar tudo (que entretanto ignorávamos quão longe estaria), banharmos-nos e comer para depois voltar ao concerto a tempo.

Seguimos pela ciclovia a par, até uma das pontes que cruza o rio Willamette, subimos até ao tabuleiro e dirigimo-nos até uma praça grande onde estava o palco principal do NxNW, o contra-festival do famoso SxSW, em Austin, TX; e que lhe serve de antevisão, e foi aí o primeiro local onde procurámos os elusivos ingressos. O concerto de Ty Segall estava integrado no festival e seria mesmo em downtown, no Dante’s. A primeira tentativa foi gorada pois na banca da praça só vendiam passes, e assim seguimos para o Dante’s onde nos disseram por telefone que venderiam os bilhetes a partir do meio-dia. Assim que demos com o sítio e perguntámos aí como podíamos adquirir os bilhetes, ninguém nos sabia esclarecer: ora nos diziam para esperar, ora nos mandavam perguntar na pizzaria que se encontrava no canto do edifício. Após interpelarmos uma meia-dúzia de pessoas, o senhor que aprontava a mesa de mistura lá nos informou que não havia qualquer venda antecipada à porta, e que teríamos de estar lá antes do início do concerto. Na verdade queria ter o bilhete pois a probabilidade de voltar ao centro da cidade ia diminuir para níveis irrisórios sem ele. Onde iríamos ficar ficava a 30 minutos de bicicleta, e estes parecem uma eternidade depois de tomar um duche num dia com mais de 70 km, e além do mais os nossos anfitriões mereciam a atenção devida.

O Tim e a Kate tinham lançado o repto umas duas semanas antes, e quando voltámos a falar com o Tim se ainda nos podiam acolher, ele queria oferecer-nos boleia de Salem no próprio dia! Mas queríamos entrar de bicicleta em Portland e por isso recusámos. Eles esperavam-nos em sua casa e tardávamos em chegar. Com todas as voltas na ainda desconhecida Portland na senda pelos bilhetes, a noite caía enquanto cruzávamos para Este a ponte Burnside. Sem conhecer os meandros ciclísticos cruzámos a Belmont até à rua 52, ignorando todas as inúmeras vias que nos poderiam acolher na nossa condição de ciclistas. Chegámos já de noite e os Raphael esperavam por nós acompanhados de um casal amigo. Apesar de nos porem à vontade e se oferecerem para nos levar ao Dante’s; o duche, o encanto do quarto nas águas furtadas que sem luzes se alumiava à luz das velas e a promessa de uma refeição bem guarnecida de pasta, vinho e companhia interessante, impunha-se ao concerto que se via cada vez mais distante. Decidimos ficar e a promessa foi facilmente superada quando a Liz e o Garry, com quem nos tínhamos encontrado ao almoço, se nos juntaram para recolher uma mala que a Liz deixou para trás esquecida, e que levámos connosco.

E mesmo após o Garry e a Liz saírem, era já tarde demais para o concerto e os nossos ossos, batidos pelos dias de interminável ciclismo desde a queda da Sara em Mount Vernon pediam repouso. E bem necessário era, pois menosprezámos incautamente o que o convite do Tim nos reservava para o dia seguinte.

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After the wettest day ever and the rescue in Salem, the stretch into Portland seamed easy enough given the large amount of bike lanes and shared paths by which Portland is famous. Nothing could be more wrong . In fact we could have chosen another route, better but longer, but instead we chose the most direct one, and therefore the most dangerous one, which led our nerves to surface our skin. Between us and the long-awaited bike path that would allow us to breathe again, awaited us a road, fast and wide, with numerous lanes, whose numbers rose and fell depending on the crossing villages; climbing bridges and consequently losing berms; sometimes with the steepness worthy of a small mountain race. This endured over dozens of kilometers that took us hours to cover, so we reach safe haven well after lunch. Meanwhile car drivers shouted and honked at us, bullfighted us and showed us the finger. But once we reached the bike path we started to concentrate on what was coming ahead instead of what we left behind.

Our first goal was to try to get a ticket to see Ty Segall, who would play that night. It was a feat worthy of Pedro: cycling over fifty kilometers, find the concert site and get tickets, find the place where we would stay and leave everything (though we did not know how far that would be) , bathe and eat for later return back to the concert venue on time .

We followed the bike path along until one of the bridges crossing the Willamette River, went up to cross it and headed up to a large square where the main stage of  the NxNW festival was located, a counter-festival to the famous SxSW festival in Austin, TX; and which serves to it as a preview, and that’s the first place where we sought the elusive tickets. The  Ty Segall concert was integrated into the festival and was due somewhere downtown, at Dante’s. The first attempt was foiled because the booth at the square sold only passes to the whole festival, and so we went to Dante ‘s where we were told by phone that they would sell tickets from noon. So we found the place and there asked how we could purchase the tickets, to which no one could clarify us: or someone would tell us to wait, or we were told to ask at the pizzeria located at the corner of the building. After half a dozen people had given their not so certain answer, the gentleman behind the mixer table informed us that there was no advance ticked sales and we had to be there before the concert starts. The reason we wanted the ticket was because the probability of returning to the city center would decrease to insignificant levels without it. Where we wore bound to stay was 30 minutes away, cycling, and these seem like eternity after taking a shower after a 70 plus km day, and besides our hosts deserved our due attention.

Tim and Kate had set the challenge two weeks before, and when we called back to Tim the day before reaching Portland to see if they could still accommodate us, he wanted to offer us a ride from Salem on that same day! But we wanted to enter by bike in Portland and so we refused the kind offer. They were waiting for us at home and we were delayed. With all the twists and turns in the still unknown Portland on the quest for the tickets, night fell as we crossed the Burnside bridge to go East. Without knowing the intricacies of cycling Portland, we went up on Belmont until the 52nd, ignoring all the many ways that we could better accommodate our cyclist condition. We arrived late in the evening and the Raphaels were waiting for us accompanied by a couple. Although we were put at ease and offered a ride to Dante’s; the shower, the charm of the room in the attic that had no lights and was shining to candlelight and the promise of a rich meal comprising pasta, wine and interesting company, imposed itself upon the concert which was set increasingly distant. We decided to stay and the promise was easily overcome when Liz and Garry, with whom we had met at lunch, joined us to collect a pouch that Liz left behind forgotten, and that we took with us .

And even after Garry and Liz leave, it was too late for the concert and our bones beaten by endless days of cycling since Sara fell before Mount Vernon invited us to rest. And it was well needed as we heedlessly despised what Tim’s invitation reserved for us the next day.

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Um pensamento sobre “A cidade mais fixe dos EUA (para ciclistas) | The coolest town in the States (ciclistwise)

  1. Não se preocupem (preocupar?, vocês parecem tudo menos preocupados, seus sortudos do pedal), que eu envio-vos o último álbum por WeTransfer para vos acompanhar na viagem para sul.

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