Dia 3 PL – Jeanné | Day 3 PL – Jeanné

Estávamos nós a gozar o quentinho da fogueira em Yellowstone, quando apareceram dois rapazes previamente convidados, que também estavam a acampar, e por alguma razão que já não me recordo, a Jeanné resolveu contar a sua história. Apesar de algo trágica, contou-a com tal vivacidade que se percebe que não guarda a mínima mágoa em relação ao que lhe aconteceu.

Num belo dia de Verão, depois de ter feito uma viagem para ir a um casamento, a Jeanne resolveu relaxar na praia e surfar umas ondas, actividade à qual estava largamente habituada. De alguma forma, e num acidente perfeitamente estúpido, a prancha virou-se e a quilha fez-lhe um corte profundo na perna. A sua primeira reacção foi pensar nos tubarões que poderiam ser atraídos pelo sangue que já jorrava da perna, e de imediato começou a acenar para as pessoas na praia. A primeira pessoa que a viu achou que ela estava a fazer uma dança, até se aperceber que ela precisava mesmo de ajuda, e, enquanto gritava alguém ligue 911, entrou na água, em conjunto com outro amigo, para a resgatar. Quando percebeu que já ali vinha ajuda, a Jeanné desmaiou e voltou a acordar já na praia, onde, à volta dela, um grupo de gente se dedicava a tentar ajudá-la, uns seguravam uma prancha por cima do corpo para lhe fazer sombra, um dos seus amigos fez-lhe um torniquete à volta da perna para estancar o sangue, outros tentavam mantê-la acordada, e o Kevin (o namorado) comunicava com os serviços de urgência a relatar a situação. Enquanto isso a Jeanné pedia para lhe contarem piadas para a animarem, como ninguém conseguiu decidiu ela própria contar algumas, das quais ninguém se riu, face à gravidade da situação. No meio disto tudo o Kevin decidiu dizer pela primeira que a amava, ao que ela retorquiu com um olhar do género “agora é que decidiste dizer isso?”. Segundo o Kevin aquele olhar dela fê-lo achar que sim, que ela ia sobreviver. E, efectivamente sobreviveu, mas quase por milagre, a prancha tinha-lhe arrancado um bom pedaço de carne, e pelo caminho tinha-lhe cortado a artéria femoral, o que habitualmente equivale a pouco mais que uns minutos de vida até uma pessoa perder sangue suficiente para ir desta para melhor.

Depois de uma viagem de helicóptero até ao hospital, seguiu-se uma complicada cirurgia e uma lenta recuperação, inclusive praticamente voltar aprender a andar.

Encontrando-se já totalmente recuperada, embora tenha perdido parte do músculo, ela e o Kevin decidiram começar a realizar alguns dos seus sonhos, ou aquilo a que os americanos chamam de “bucket list”, e para celebrar a vida puseram-se ao caminho para atravessar o seu país de uma ponta à outra. Resolveram “abrir inscrições” para quem se quisesse juntar, e foi assim que nasceu o grupo de cinco da Virginia. Aqui fica o blog deles, e aqui está a história de Jeanné melhor relatada pela própria.

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We were enjoying the toasty fire in Yellowstone, when two previously invited guys, who were also camping there, appeared and for some reason that I do not remember Jeanné decided to tell her story . Although a little tragic, she told it with such vividness that one can realize that she has no bitterness over what happened to her.

On a beautiful summer day, after making a trip to go to a wedding, Jeanné decided to relax on the beach and surf some waves, activity to which she was largely accustomed . Somehow in a freak accident, the surfboard turned over her and the keel made a deep cut on her leg. Her first reaction was to think that the sharks could be attracted by the blood that was leaking from her leg, and immediately started waving to people on the beach. The first person who saw her thought she was doing a crazy dance, until he realized that she really needed help, and he screamed “someone call 911” while he entered the water, with another friend, to rescue her. When she realized that help was coming, Jeanné fainted to wake up already at the beach, where, around her, a group of people dedicated themselves to trying to help her, one holding a surfboard on top of the body to provide shade, one of her friends made her a tourniquet around the leg to stop the blood, others tried to keep her awake, and Kevin (her boyfriend) communicated with the emergency services to report the situation. Meanwhile Jeanné asked people to tell her some jokes, as nobody did it, she decided to do it herself, but no one laughed, given the seriousness of the situation. In the midst of all, Kevin decided to say for the first time that he loved her, to which she replied with a look like “now did you decide to say that?”. According to Kevin her gaze made him think so, she would survive. And indeed she survived, but almost miraculously, the board had ripped her a good piece of flesh, and had cut her femoral artery , which usually leaves little more than a few minutes of life.

A helicopter ride to the hospital was followed by a complicated surgery and a slow recovery, including learn to walk again.

Now she is fully recovered, although she lost some muscle, and she and Kevin decided to start checking items from their bucket list, so to celebrate life they decided to cycle their country from one end to the other. They decided to “open enrollment ” for those who wanted to join, and that’s how the group of five from Virginia was born. Here is their blog, and here is Jeanné’s story reported by herself.

 

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