Canídeos perseguidores | The chasing dogs

Pois é, uma das profecias revelou-se verdadeira e o Kentucky do Leste está repleto de cães, que embora pertencendo a alguém, se encontram à solta nos quintais, que por norma, não têm qualquer tipo de vedação. Pois estas pobres alimárias de quatro patas, nada mais tendo que fazer, divertem-se dia-a-dia a perseguir os pobres ciclistas que, por um acaso do destino, calharam em passar à porta de suas casas. Não vínhamos desavisados, tanto na profícua quantidade de cães que iríamos encontrar como nos mais diversos métodos empregues para os afastar. Desde paus, a gás pimenta, esguichos de água, comida, ou um bem temporizado pontapé no focinho, tudo serviria o nobre objectivo de manter a nossa integridade física de ciclistas intacta, e, em particular, as nossas pernas afastadas de uns dentes mais insistentes. Depois de pensarmos, não muito, no assunto, e de testarmos várias teorias alternativas, acabámos por perceber o que funciona melhor:

Andar o mais silenciosamente possível, evitando chamar a atenção dos cães que tranquilamente estão deitados no jardim a apanhar sol (resultou muito poucas vezes); quando apareciam então os cães a ladrar e a correr atrás de nós, em número que variava entre apenas um até três, continuar a andar a toda a velocidade se formos monte abaixo (resultou apenas uma vez); em todos os outros casos, abrandar e gritar com o cão “go home” (funcionou sempre).

Parece que os pobres animais não percebem bem o que somos, e se tentarmos fugir confundem-nos com uma presa, atrás da qual vale mesmo a pena correr. Às vezes há cães medrosos, que à primeira aproximação (nossa) vão fugindo lentamente na direcção de casa, uma vez, ainda com a técnica imatura tentei (Sara) fugir, não resultou e o pequeno animal agarrou-se ao meu alforge traseiro com os dentes afiados. Pois que, com o coração a bater, soltei um ahhhhh! e comecei depois a gritar “go home!” – resultou.

A estratégia que adoptámos resulta do facto de não querermos magoar os pobres animais, que não têm culpa de não terem sido educados, ou de terem sido mal educados pelos donos. Regra geral o perigo maior nem é ser mordido, mas é o cão passar para a frente da bicicleta e causar um acidente.

Infelizmente num destes eventos acabámos por presenciar um evento infeliz. Um cãozinho pequeno, que nos estava a começar a perseguir, ao entrar na estrada levou com um carro em cima, na faixa contrária à nossa. Foi um baque seco que não deu quaisquer esperanças de o cão estar vivo, e imediatamente me vieram lágrimas aos olhos, com pena do cão e raiva dos donos que acabam por ser os responsáveis por estas situações. Mais tarde viemos a descobrir que, em virtude de em muitas cidades ser proibida a venda de álcool, muitas pessoas fazem bourbon (moonshine) em casa para depois o venderem, e usam os cães para afastar estranhos que possam intervir neste negócio ilegal.

Pedimos desculpa, mas apesar da avançada técnica de fuga a cães perseguidores, a nossa coragem não chega a tanto que consigamos tirar fotografias!

 

So it was, one of the prophecies proved true, and Eastern Kentucky is full of dogs, each with an owner, but still, running free in their yards. For these poor four-legged creatures, having nothing more to do, all that remains is having fun chasing on a daily basis the poor cyclists who, by a twist of fate, happened to be passing at the door of their homes. We were thorourghly warned, of the prolific amount of dogs that we would find, and also of the various methods employed for warding them off. The list included (amongst other items) sticks, pepper gas, squirts of water, food or the temporized kicking the dog’s nose, all serving the noble purpose of maintaining our cyclist physical integrity intact, particularly our legs away from teeth more persistent. Then we thought, but not enough, on the subject and we started testing alternative theories, until we finally realize what works best:

First we tried to walk as quietly as possible, avoid drawing the attention of dogs that are lying quietly in the garden sunbathing, which resulted very few times;

Then when they appeared barking and running after us, in numbers ranging from one to three, we kept moving as fast as we could, if we were going down hill, and this strategy was sucsessful only once;

Then we started using the folowing scheme in all other, and most frequent cases: slow down and yell at the dog “go home”, which invariably worked!

It seems that the poor animals do not realize exactly what we are, and if we try to get away it makes ‘em confuse us with fleeing prey, behind which is really worth (and fun) running after. Sometimes there are some dogs that are afraid and at the first approach (from us) will slowly turn and walk towards home. Once in the begining, with the technical still immature, I (Sara) tried to get away, and failed. The little animal clung to my rear pannier with his sharp teeth. With my heart beating, I let out a loud “ahhhhh!” and then started yelling “go home!” – it worked!

We have adopted this strategy because we do not want to hurt the poor animals, whose fault is not theirs, as they are not being properly educated by their owners. Generally the greatest danger to us is not to be bitten, but to get the bike entangled with the dog while moving and cause an accident.

Unfortunately in one of these events we unfortunatetly witnessed a sad outcome. A small dog, was starting to chase us from the other side of the road. As he got on the road, a car drove by in opposite direction and took the dog out. It was a dry blow, ruthless, that foreclosed any hopes of the dog being alive. I immediately came to tears with shame and anger of that dog owner who where the ultimate responsible for these kind of situations. Later we found out that, due to the sale of alcohol being banned from many cities, many people make home bourbon – moonshine – at home to then sell, and use dogs to ward off strangers who may be pick their nose in this illegal business.

Sorry, but despite our advanced technique of escaping pursuers dogs, our courage comes short, so much that we can’t take any pictures!

 

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