A meio do mundo | The middle of the world

Saltitar de país em país tornou-se uma experiência natural na América Central, e o acto de atravessar fronteiras, embora tenso, deixou de nos enervar. Três meses de paragem e tudo pareceu voltar ao início, e às dúvidas e o medo do desconhecido voltou a assolar-nos. Vão chatear-nos na fronteira? As pessoas vão ser simpáticas? Vai ser fácil arranjar sítio onde ficar? As estradas são boas ou perigosas? A comida cara?

Como sempre, as dúvidas desvaneceram-se no momento em que cruzámos o rio, fronteira natural entre a Colômbia e o Equador e o guarda nos indicou o edifício onde devíamos cumprir as formalidades. Com a maior simpatia tudo foi tramitado rapidamente e noventa dias de permanência escritos no passaporte.

A primeira subida era íngreme, mas depois disso o percurso tornou-se suave e toda a gente muito sorridente, com a cidade fronteiriça do lado equatoriano com melhor aspecto que a sua congénere do lado de lá. Seguimos caminho e a imagem de fotografias ou filmes que temos do Andes ia-se desenrolando ao nosso redor, impressão que aumentou no dia seguinte e que nos arrancou uaus! de espanto e muita alegria por termos esta oportunidade de pedalar por aqui, e também aprender quão diferente pode ser a vegetação, a temperatura e até a cultura, consoante a altitude. Aos 3000 metros há indígenas, frio e as montanhas variam entre o castanho e o verde, já descendo aos 1500 está um calor seco, a cultura é africana e a vegetação varia entre o árido e as plantações luxuriantes com canaviais imensos junto aos rios.

Pelo caminho, numa descida super íngreme, a ganhar balanço para a ainda mais íngreme, mas curta, subida, o Pedro cometeu a proeza de atingir 76,29 Km/h, velocidade que poderia ser ainda maior não fosse a carrinha que numa ultrapassagem se meteu na nossa faixa e obrigando ao uso do travão para prevenir o acidente.

Por estradas em obras e vedadas a carros e outras de boas bermas chegámos a Ibarra, a primeira cidade grande além fronteira. Limpa, bonita, com alguma classe e boas pizzas, deixou-nos contente por termos parado um dia a explorá-la e daí partimos em direcção a Otavalo, cidade turística e famosa pelos seus mercados principalmente o de artesanato. E não é à toa, os habitantes locais e das aldeias vizinhas descem à cidade nos seus trajes típicos para vender tudo o que pode ser feito com produtos da região, eu (Sara) quase me ia desgraçando com uma camisola de lã de alpaca, mas pensar que a teria que carregar por mais de mil quilómetros deteve-me de tal compra, e para peso já me bastam os dois pares de sapatos que comprei na Colômbia. Em Otavalo alinham-se lojas cheias de lãs, tecidos e máquinas de costura, e pelas ruas passeiam-se indígenas, orgulhosamente vestidos com os seus trajes típicos, e vivendo uma integração que não sentimos noutros países, inclusive nas fardas escolares, adaptadas em função dos alunos.

Infelizmente tivemos que fazer uma paragem técnica para cuidar da saúde do Pedro, que se desregulou por qualquer coisa que comeu ou bebeu mas em breve voltou ao normal e pudemos seguir viagem até Cayambé, famosa pelos bizcochos, uma espécie de bolinhos estaladiços e deliciosos, que comemos copiosa e desavergonhadamente sem deixar um sequer para fotografar. Pelo caminho voltámos a comover-nos com um vulcão a espreitar por entre as nuvens, com o pico coberto de neve, e na cidade espantámo-nos com a escultura multimédia que enfeita a praça central.

E por fim chegámos ao local que dá título a este post, a metade do mundo, a linha do equador, essa linha imaginária que divide o mundo em dois e dá nome a este país que cruzámos excitadamente, chegando finalmente ao hemisfério sul. Na panamericana há um relógio de sol precisamente a latitude 0º e um senhor explicou-nos que este é um sítio privilegiado para fazer mapas estelares e determinar pontos cardeais, uma vez que as montanhas andinas são óptimos pontos de referência. Supostamente é aqui que é possível ver a Estrela Polar e o cruzeiro do Sul, mas a verdade é que até agora o céu parece estar constantemente nublado.

Felizes continuámos a pedalar num caminho de subidas suaves até chegarmos a Tumbaco, um subúrbio de Quito, onde o Santiago e a sua casa de ciclistas nos esperavam.

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Hopping from country to country became a natural experience in Central America, and the act of crossing frontiers, though strained, failed to unnerve us. Three months out and everything seemed to go back to the beginning, and the doubts and fears of the unknown back to plague us. Will they be tough on the border? People will be friendly? Will it be easy to find somewhere to stay? The roads are good or dangerous? Is the food expensive?

As always, doubts have vanished the moment we crossed the river, the natural border between Colombia and Ecuador and the guard pointed us to the building where we should complete the formalities. With lots of simpathy the process was conducted quickly and ninety days of stay were written in the passport.

The first ascent was steep, but after that the route became smooth and everyone really smiley, with the Ecuadorian side of the border town sleeker than its counterpart on the other side. We continued and the image of pictures or movies that we have of the Andes was unfolding in front of us, feeling that rose the next day and it tore us some UAUS! of amazement and joy to have the opportunity to ride here, and also learn how different can be the vegetation, temperature and even culture, depending on the altitude. At 3000 meters there are indigenous, cold and mountains ranging from brown and green, down to 1500 we feel a dry heat, the culture is African and the vegetation varies between arid and luxuriant with lots of sugar cane crops by the rivers.

On the way, in a super steep descent to gain momentum for a further steep but short climb, Pedro reached 76.29 Km/h, a speed that would be even greater had not a truck come to our side of the road trying to pass a car and forcing Pedro to brake to prevent the accident.

Using roads under construction and closed to cars and some other with good shoulders we reached Ibarra, the first major city across the border. Clean, beautiful, classy and with good pizzas, we were glad we stopped one day exploring it and then set off towards Otavalo, a touristy city famous for its markets especially the ones who sell cratfs. And no wonder why, the local inhabitants and the ones from the surrounding villages descend to the city to sell everything that can be done by hand with local produce, I (Sara) almost got an alpaca wool sweater, but the thought that I would have to carry it more than a thousand kilometers stopped me from such a purchase, I have enough weight with the two pairs of shoes I bought in Colombia. In Otavalo stores filled with wool, fabrics and sewing machines line on the streets, and on the sidewalks indigenous people walk proudly in their traditional costumes, living much more integrated than in other countries we passed, including the school uniforms adapted according to the students.

Unfortunately we had to make a technical stop for Pedro to take care of his, which was deregulated by something he ate or drank but he soon returned to normal and we were able to continue our journey to Cayambe, famous for bizcochos, a kind of crispy and delicious pastry, which we ate copious and shamelessly without leaving even one for shooting. Along the way we were again amazed to see a volcano peeking through the clouds, with snow-capped peak, and also to see the multimedia sculpture that graces the main square of Cayambe.

Finally we reached the place that gives title to this post, half the world, the equator, the imaginary line that divides the world in two and gives name to this country and that we passed excitedly, finally reaching the southern hemisphere. On the panamericana there a sundial precisely at latitude 0º and a guide explained us that this is a privileged place to make star maps and determine the cardinal points, since the Andean mountains are tall and great reference points. Supposedly this is where you can see the North Star and the Southern Cross, but the truth is that until now the sky seems to be constantly cloudy.

Happy we kept pedaling on a gentle uphill until we reach Tumbaco, a suburb of Quito, where Santiago and his cyclist house awaited us.

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