Três semanas até Bogotá | Three weeks to Bogota

A passagem pelas planícies dos departamentos de Magdalena e Cesar deu lugar às primeiras e íngremes subidas da cordilheira oriental nos departamentos de Santander e Boyacá. Para além das evidentes dificuldades de locomoção, esta mudança trouxe consigo as incríveis paisagens montanhosas, nas mais diversas tonalidades de verde, e de declives acentuados com encostas em todas as direcções.

De 70 Km diários passámos a dias de 30 Km, do calor húmido e sufocante ao frio e à chuva gelada (uma vez no mesmo dia), de hora e meia a pedalar para paragens de vinte em vinte minutos (ou de dez em dez, com muita comida envolvida), das grandes rectas com bermas generosas às estradas estreitas e curvilíneas, das localidades agrícolas às pequenas vilas coloniais de Girón, Barichara ou Villa de Leyva, do marasmo às festas da cidade, com direito a muito povo na rua, misses, comida, falhas de electricidade e animação constante até bem tarde, dos 0 aos 3000 metros acima do nível do mar, em degraus de sobe e desce, das Caraíbas a uma espécie de Alpes, dos tratamentos já cordiais à quase reverência do “senhor(a)” ou “vossa mercê”, de uma paisagem aborrecida e sem pontos de interesse a uma natureza explosiva e cheia de história, de zero companheiros aos grupos de ciclistas envergando lycra da cabeça aos pés em treinos acelerados, de hotéis ocupados por tranquilos camionistas a um escândalo de faca e alguidar entre marido e mulher à uma e meia da manhã, da água fresca do banho à água gelada e raras vezes quente, da Aracataca do Gabriel Garcia Marquéz à Zipaquirá da Catedral de Sal, primeira maravilha da Colômbia.

Foram 570 km de distância em três semanas, com um acumulado de subidas de 12.700 metros, desde Aguachica até à chegada a Bogotá, onde a Luísa (amiga que nos acolheu em sua casa e de quem falaremos mais tarde) me disse que me achava muito cansada e pouco faladora nos primeiros dias. À conversa com o Pedro na altura da redacção desde texto descobrimos que o nosso total de acumulado de subidas desde Boston até ao Panamá foi de cerca de 85.000 metros, ou seja, fizemos em três semanas sensivelmente um sexto do que nos levou quinze meses a fazer, não é de admirar o cansaço!

Mas mais importante que todas as estatísticas foi mesmo a simpatia das gentes colombianas, já antes afáveis e simpáticas, mas que à medida que os factores altitude e esforço aumentaram, fizeram explodir a simpatia e amabilidade e à medida que o dias iam passando as ofertas de águas e limonada multiplicaram-se, recebemos um café ao cimo de uma subida, uma coca-cola no caminho, tivemos um convite da Rosa para almoçar e partilhar informações acerca do caminho, uma oferta de boleia do Olinto que nos aliviou uns vinte quilómetros de caminho, ou o casal Ramon e Lucila que depois de lhes pedirmos permissão nos deixou acampar no seu jardim, onde disfrutámos de boa conversa e um banho de rio ao final de mais um dia difícil.

O polícia Jorge esteve pacientemente a responder às nossas perguntas sobre narcotráfico, o país, a sua experiência e as suas opiniões, a Aura e a Lorena, miúdas de 14 anos que andavam a treinar para o clube de ciclismo na escola (as duas únicas que vimos até agora), subiram devagar connosco para me (Sara) dar ânimo e tornaram a subida mil vezes mais fácil, ainda que o fôlego se fosse gastando na subida aos três mil metros em resposta a tanta pergunta acerca da viagem.

E claro, o Duban, que aos dezoito anos pegou na sua bicicleta e viajou com o seu primo até à fronteira da Bolívia e que agora recebe ciclistas em casa da sua avó, a fantástica D. Carmen, em Villa de Leyva e depois em casa da sua tia Ligia em Tunja, com direito ainda a conhecer a sua simpática família que inclui a mãe furacão e a namorada argentina. E às portas de Bogotá, em Chia, o Andres, o Frey e a Pilar, da loja Bikehouse, deram-nos um tratamento de realeza e um belo desconto em coisas que necessitávamos.

Nos próximos dias deixamos muitas fotos e talvez mais algum(ns) relatos das nossas peripécias, por ora podemos dizer que foram dias difíceis mas ao mesmo tempo muito ricos em experiências e interacções com a gente local – venha a próxima cordilheira!

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The passage across the plains of the departments of Magdalena and Cesar gave way to the first steep climbs and the eastern cordillera in the departments of Santander and Boyacá. Apart from the obvious difficulties of locomotion, this change brought the incredible mountain scenery, in various shades of green, and steep slopes with slopes in all directions.

From 70 km a day we started doing 30 km days, we wente from the sweltering and humid heat to cold and icy rain (once on the same day), from an hour and a half pedaling to stops every twenty minutes (sometimes ten, with lots of food involved), from straight highways with generous shoulders to narrow and curvy roads, from agricultural countryside to the small colonial villages of Giron, Barichara and Villa de Leyva, from the doldrums to parties in town locations, with lots of people on the street, a beauty pageant competion, lots of food, electricity outages and constant animation until late, from 0 to 3000 meters above sea level, stepped up and down, from the Caribbean to some kind of Alps, from the already cordial treatments to the almost reverence of “sir” , “mrs.” or “your mercy “, from a boring scenery without points of interest to an explosive nature and lots of of history, from zero to groups of fellow cyclists wearing lycra from head to toe in accelerated training, from peaceful hotels for truckers to a scandalous scene between wife and husband late at night, from the nice refreshing water on the shower to the cold ice once (and sometimes altough rarely some hot one), from the Gabriel Garcia Márquez Aracataca to the Salt Cathedral of Zipaquirá, the first wonder of Colombia.

We did 570 km in three weeks, with a cumulative climb of 12,700 meters, since Aguachica until the arrival to Bogotá, where Luisa (a friend who welcomed us into her home and about whom we will talk later) told me she thought I was very tired and not speaking that much on the first few days. Talking about this with Pedro at the time this text was written we verified that our total accumulated of climbs from Boston to Panama was about 85,000 meters, ie, we did in three weeks roughly one-sixth of what it took us fifteen months achieve, no wonder the fatigue!

But more important than all the statistics was the sympathy of the Colombian people, even before they were affable and friendly, but as the altitude and the effort increased, they blew the sympathy and kindness, and as the days passed offers of water and lemonade multiplied, we received a coffee at the top of a climb, a coke on the way, we had an invitation from Rosa for lunch and shared information about the way, an offer of ride with Olinto which alleviated some twenty kilometers of steep road, we asked permission to Ramon and Lucila to camp in their garden and enjoyed a good chat and a swim in the river at the end of another difficult day.

Jorge, a police officer patiently answered our questions about drug traffic, the country, his experience and opinions, Aura and Lorena, two fourteen year girls who were training for the cycling club at school (the only two girls we have seen so far), they climbed slowly, at our pace, to give me (Sara) some enthusiasm which made the climb a thousand times easier, even if I almost loose my breath due to the three thousand meters climb and also answering all the questions they had about the trip.

And of course, Duban, who at eighteen took his bicycle and traveled with his cousin to the border of Bolivia and now receives cyclists at his grandmother’s house, the fantastic D. Carmen, at Villa de Leyva and then at his aunt’s home, Ligia, in Tunja. We also got to his amazing family, including his hurricane mother and the Argentinian girlfriend. And at the doors of Bogota, in Chia, Andres, Frey and Pilar, from the Bikehouse store gave us a royal treatment and a huge discount in stuff we needed.

In the coming days we will leave lots of pictures and perhaps one or two reports of our adventures, for now we can say that it was very hard days but at the same time very rich in experiences and interactions with the local people – come the next ridge!

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2 pensamentos sobre “Três semanas até Bogotá | Three weeks to Bogota

  1. I continue to enjoy your posts, Sarah, having met you in PORTLAND. What an adventure. You are brave and to be admired. We had a great urban ride last weekend on our tandem in Minneapolis, Minnesota.

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