Ometepe e o vulcão Maderas | Ometepe and the Maderas volcano

Ometepe é a ilha que está no meio do Lago Nicarágua e confessamos que chegar lá não foi nada fácil. Em Granada há um barco que sai às segundas e às quintas e a viagem dura quatro horas, mas o pior foi mesmo com as bicicletas e quantidade de tralhas que levamos. Isto porque, as bicicletas tiveram que ser despachadas como carga (e pagar o valor adicional), e depois todos os alforges foram tiveram que ser levados à mão até ao barco, que por sinal estava na ponta do ancoradouro a uns 400 metros do sítio onde deixámos as bicicletas.

Mas ainda antes da estafa que foi fazer todo o percurso quatro vezes (eu uma e o Pedro três) todos os sacos foram revistados um a um e retirados os elementos proibidos a bordo – uma garrafa de rum, um machete e cinco facas – depois devidamente devolvidos ao chegar a Ometepe.

Mas valeu bem a pena já que a ilha é verdadeiramente fascinante. Em todos os guias e textos que lemos se falava na mística de uma ilha com dois vulcões no meio de um lago, mas é preciso chegar bem perto para perceber o magnetismo que não nos deixa afastar o olhar e tirar mil fotografias. O primeiro vulcão, o mais alto e ainda activo, tem mesmo a forma cónica que associamos ao vulcões e o cume está constantemente coberto de nuvens, quase como se fosse uma nave espacial. Verde na base e árido no topo difere bastante do seu irmão totalmente coberto de vegetação e num formato mais montanhoso.

Chegámos ao pôr-do-sol o que enalteceu ainda mais a imagem da ilha mas que não nos foi muito favorável já que tivemos que pedalar às escuras os três quilómetros entre o porto e Altagracia, a primeira cidadezinha com hotéis para pernoita. Não foi fácil já que o caminho estava cheio de pedras e areia e completamente às escuras, mas conseguimos fazê-lo quase todo em cima da bicicleta.

No dia seguinte resolvemos mudar de poiso e aproveitar para conhecer os caminhos da ilha, dos quais apenas parte não são em terra batida. A vegetação é luxuriante, há troços com árvores e muitas flores, praia de lago em Santo Domingo, gente simpática e sorridente e muito poucos carros, já que a maioria se desloca de bicicleta, mota ou autocarro. Consequentemente também há muito silêncio e tranquilidade.

A Finca (quinta) Magdalena foi o local que elegemos para passar uns dias e em boa hora chegámos ao topo da ladeira onde se encontra, já que de seguida caiu uma carga de água enorme. Aqui estamos mesmo no meio da natureza, com uma vista formidável para o Vulcão Concepción (o maior) e já no início do caminho para o Vulcão Maderas (o mais antigo). E assim sendo aproveitámos a deixa e resolvemos subir a este último, caminhada que, segundo os funcionários da quinta habitualmente tarda oito horas, quatro para subir e outras quatro para descer. A nós juntaram-se o David, a Sylvia e o Mathew e às oito da manhã do dia seguinte começávamos a caminhada com o Elmer como guia.

A subida é de cinco quilómetros, desde o 150 aos 1300 metros de altitude e sempre feita por um trilho. Quando iniciámos a caminhada pensei que o mote do dia seria a água, primeiro porque ainda estávamos a uma altitude tropical e suámos que nem uns doidos nos primeiros quilómetros de subida, depois porque começou a chover e o que ainda não estava transpirado ficou molhado e finalmente porque nos esperaria um mergulho na lagoa que enche a cratera bem no topo do vulcão. À nossa volta a vegetação densa ia mudando à medida que íamos subindo. Primeiro com árvores, plantações de café e de cacau, ainda na floresta seca, e já mais alto, na floresta húmida foi-se tornando mais densa, as árvores mais finas e mais vegetação rasteira, e por fim chegámos à floresta nebulosa, permanentemente dentro de nuvens, a humidade carregada acrescenta fetos e bambus. Há miradouros naturais que com toda a certeza têm vistas esplêndidas mas não tivemos assim tanta sorte com o tempo e o que mais vimos foram nuvens a cobrir a paisagem. O Elmer, o fantástico guia também nos ia mostrando alguns animais raros como uma aranha espinhosa ou um caranguejo da floresta, e outros mais comuns nestes habitats como os macacos ou as urracas (pássaros).

Claro que foi uma sorte conseguirmos tomar atenção a tudo isto, já que grande parte da caminhada requeria a mais absoluta concentração para evitar o desequilíbrio. Á medida que subimos o caminho foi-se enchendo de lama, esse sim o mote do dia, com direito a bastantes escorregadelas. E se ao início ainda evitávamos sujar-nos, à medida que progredíamos em altura já só pensávamos em manter-nos de pé e as botas iam-se afogando em profundas poças de lama. Por fim chegámos ao topo, ainda com a vegetação bem cerrada e depois foi altura de descer à cratera, o que não se revelou pêra doce. Felizmente alguém se lembrou de fazer uma espécie de corrimão em corda, o que ajudou muito com a descida acentuada. A certa altura havia uma árvore caída no caminho e era preciso passar por cima dos ramos escorregadios para continuar, e foi aqui que ensaiei a minha primeira queda, quando escorreguei com um dos pés e fiquei agarrada por um braço.

E finalmente chegámos à lagoa, que supostamente é linda mas da qual só vimos um pequeno pedaço de água e tudo o resto imerso em nuvens. Chovia e fazia frio, vestimos os impermeáveis e comemos as sandes de manteiga de amendoim e depois alegrámo-nos por conseguir ver mais uns metros de lagoa, mas mergulho nem pensar.

Em breve começou o martírio da descida que pede mais esforço às pernas e aos joelhos que qualquer subida acentuada. Achávamos que estávamos a fazer um bom tempo, a descer de forma ritmada, e eu só caí graciosamente duas ou três vezes, mas a noite começou a cair e parecia que não havia forma de chegarmos ao fim. Os pontos que reconhecíamos do caminho pareciam estar cada vez mais longe e distantes e quando finalmente chegámos a uma parte do trilho cheia de degraus acelerámos o passo, mas nem assim a distância se tornou mais curta. O corpo todo pedia-nos que parássemos e nos deitássemos o cérebro comandava-nos a continuar. O Pedro foi avançando eu ficando para trás, quando quase chegávamos ao fim estava sentado com os braços apoiados no colo e a cabeça nos braços com um ar desolado e desesperado. A Sylvia, mulher prevenida, tinha trazido uma lanterna que nos serviu para os últimos minutos quando a noite já estava cerrada. E finalmente, dez horas depois de termos partido, chegámos à quinta, mortos de cansaço, devastados de fome e sede e muito felizes de termos conseguido.

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Ometepe is the island in the middle of Lake Nicaragua and we confess that getting there was not easy. In Granada there is a boat that leaves on Mondays and Thursdays and the trip lasts four hours, but the worst was with bikes and the amount of stuff we carry. This is because the bikes had to be shipped as cargo (and pay the additional amount), and then all the panniers had to be hand-carried to the boat, which was on the edge of the dock about 400 meters from the place where we left the bikes.

But even before taking all the stuff and doing all the route four times (me one time and Pedro three) all bags were searched one by one and removed the items prohibited on board – a bottle of rum, a machete and five knives – all of them duly returned once we got to Ometepe.

But it was well worth it since the island is truly fascinating. In all guides and articles we read they told about a mystical island with two volcanoes in the middle of a lake, but we must get there to realize it’s magnetism that would not let us look away and take a thousand photographs. The first volcano, the highest, is still active and has the conical shape we associate with volcanoes and the summit is constantly covered with clouds, almost like a spaceship. Green at the base and arid at the top it differs greatly from its completely covered with vegetation and with a more mountainous format brother.

We got there at sunset which was great to enhance the image of the island but was not so good since we had to ride in the dark the three kilometers between the port and Altagracia, the first town with hotels for an overnight stay. It was not easy since the road was full of rocks and sand and completely dark, but we managed to do it almost all on the bike.

The next day we decided to change place and get to know the roads of the island, only part of which are not on dirt. The vegetation is lush, there are many sections with trees and flowers, lake beach in Santo Domingo, friendly and smiling people and very few cars, since most people move by bicycle, motorbike or bus. Consequently there is also a lot of silence and tranquility.

The Finca (farm) Magdalena was the place we choose to spend a few days and in good time we reached the top of the hill where it is located, since after that there was a huge rain. Here we are right in the middle of nature with amazing views of the volcano Concepción (the highest) and at the beginning of the path to the Volcano Maderas (the oldest). Therefore we took the opportunity and decided to climb the latter, hike that should take us eight hours, four to climb and four more to descend, according to the people on the farm. We joined David, Sylvia and Mathew and at eight o’clock the next day we began the hike with Elmer as a guide.

The climb is five kilometers and it goes from 150 to 1300 meters of altitude and it’s always done on a trail. When we started the hike I thought the motto of the day was the water first because we were still at tropical altitude and we all sweat like crazy in the first few kilometers of climb, then because it started raining and what it was not yet transpired became wet and finally because we expected to take a dip in the lagoon that fills the crater at the very top of the volcano. All around us the dense vegetation was changing as we kept on climbing. Firstly, as we entered the dry forest there were big trees and coffee and cocoa plantations, going higher and the rainforest was becoming denser with thinner trees and lots of vegetation on the floor, and finally we reached the cloud forest, permanently within clouds, the moisture laden adds ferns and bamboos. There are natural overlooks that surely have great views but we were not so lucky with the weather and the only thing we could see were clouds covering the landscape. Elmer, the fantastic guide took the time to stop and show us some rare animals like a spiky spider or a forest crab, and more common ones in these habitats such as monkeys or magpies (birds).

Of course it was a great luck that we could be aware of what was going on all around us, since much of the hike required the utmost concentration to prevent falls. As we went up the path got filled with mud,being mud the day’s motto, and we got entitled to some slips. And if at first we were trying not to get dirty, as we progressed in height we could only think of keep us standing and started putting our boots in deep mud puddles. Finally we reached the top, even there with thick vegetation and then it was time to descend to the crater, which was not easy at all. Fortunately there was a kind of handrail made of rope, which helped a lot with the steep descent. At one point there was a fallen tree in the way and had to go over the slippery branches to continue, and it was here that I rehearsed my first fall, when I slipped with one foot and was hanging by the arm.

And finally we reached the lagoon, which supposedly is beautiful but of which we only saw a tiny bit of water and everything else immersed in clouds. It was raining and cold,so we put our waterproof coats and ate peanut butter sandwiches and then rejoice for being able to see a few more meters of the lagoon. Of course, diving was out of question.

Soon began the martyrdom of the descent that calls for more effort on the legs and knees that any steep climb. We thought we were making good time going down rhythmically, and I only fell gracefully two or three times, but the night began to fall and it seemed that there was no way to reach the end. The points that we recognized along the way seemed increasingly distant and far and when we finally arrived at a part of the trail full of steps we speeded up the pace, but not even then the distance became shorter. The whole body asked us that we stop and lay down but the brain commanded us to continue. Pedro was ahead as I stayed behind and when we got almost to the end he was sitting with his arms resting on his lap and his head on his arms with a desolate and desperate air. Fortunately Sylvia had brought a lantern that served us for the last few minutes when the night was already tight. And finally ten hours after we left, we got to the farm, dead tired, devastated from hunger and thirst, and very happy to have succeeded.

 

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