Antigua

Antigua foi em tempos a capital da Guatemala, entretanto deslocada para a Cidade da Guatemala, depois de um devastador terramoto, ocorrido em 1917, que fez estragos por todo o povoado. Ainda hoje se podem ver as majestosas ruínas de palácios, conventos, igrejas e até da imponente catedral, da qual restam os altos pilares, testemunhos da violência destruidora deste enorme terramoto. O resto da cidade foi reconstruída ao redor destes destroços, em casas coloridas de dois andares, com telhas no topo e pátios interiores, ruas empedradas em perfeita quadrícula, à volta de um parque central com sereias luxuriantes (ver foto).

E se este cenário não fosse já atraente o suficiente, para onde quer que nos viremos podemos ver um vulcão. Um em erupção, outro a fumegar, muitas vezes rodeados de nuvens, mas sempre omnipresentes. Antigua é um pequeno “refúgio” da Guatemala real, cheia de turistas e norte-americanos com residência permanente, bons restaurantes e hotéis para os que vêm de férias por uma semana com os bolsos cheios de dinheiro para gastar, programas culturais, cursos intensivos de espanhol e até algum turismo de voluntariado.

Para nós Antigua significou renovação!

Chegámos cansados da viagem, do peso, do Belize e da Guatemala, cujas gentes não se mostraram tão amáveis como nos Estados Unidos e no México, de um ano na estrada, das saudades de casa. Começámos por tirar tudo dos alforges, seleccionar o que fica, o que vai para casa, o que se doa a alguém. Lavámos tudo a fundo como não tínhamos ainda feito até agora. Estabelecemos rotinas, descansámos, dormimos sestas, vimos filmes, fomos ao Refúgio tomar café todos os dias de manhã (o café tomado fresco nos sítios onde é plantado e colhido é de uma qualidade incrível).

Resolvemos ter a experiência do que seria ficar com uma família guatemalteca, das que acolhem estudantes de espanhol, turistas voluntários, ou ambos, com estadia e três refeições por dia incluídas, numa espécie de ambiente queirosiano, quando os personagens se instalavam com pensão completa em casa de uma senhora. A nós calhou-nos o casal Isolina e Maynor e o Giovani e a Giovana, os simpáticos e educados filhos de sete e quatro anos, e ainda a Gracie, a ajudante da casa. E por isso, regra geral, pelo menos duas refeições por dia eram feitas em família, sendo que os restantes personagens iam mudando ao longo das duas semanas que aí permanecemos, entre duas turistas e voluntárias num hospital, a Geraldine e a Emily, tia e sobrinha do Canadá, a Sophie, estudante de espanhol da Dinamarca, a Andrea, a Megan, a Mallory e a Alicia dos Estados Unidos e Canadá, a Nam da Austrália e a Sofia, da África do Sul, Portugal e Inglaterra, todas elas voluntárias das mais diversas áreas.

Como qualquer família, a adaptação foi longa às regras e costumes, mas em família, como sempre, há que fazer cedências aos quereres de cada um!

Já instalados celebrámos um ano de viagem, com posts menos optimistas que o habitual, revelando o sentimento de cansaço acumulado, e depois o meu aniversário, com todos os rigores de uma celebração guatemalteca, pelas mãos da Isolina e do Maynor, um almoço rico, foguetes, um bolo e velas, e uma piñata cheia de rebuçados, tudo na companhia dos membros da casa. De prendas um chocolate e um capuccino, da Geraldine, umas alpercatas do Pedro, um novo kindle (enviado para a Costa Rica) dos meus pais e avós, uma garrafa de vinho do Robert e do Dan, um shot de tequilla para todos os amigos que me acompanharam ao jantar, numa mesa de nove pessoas de cinco nacionalidades diferentes, pelo dono do restaurante.

Para além desta vida mais ou menos santa, ainda vimos uma apresentação da Trece Hilos (ou Oxlajujbatz), uma organização que trabalha com mulheres de comunidades indígenas, promovendo o seu empoderamento através do artesanato que criam e que, pareceu-nos, fazem um trabalho louvável, tendo recentemente passado a gestão da organização para as próprias comunidades. Jantámos num restaurante feito por miúdos, almoçámos com um casal luso-guatemalteco e também fomos visitar um dos vulcões próximos, o Pacaya. Este vulcão está activo e tinha tido uma das últimas erupções há dois meses, por essa razão não permitem agora a subida até ao topo, e a lava, embora ainda quente já não estava incandescente. Mesmo assim valeu a pena pelas vistas, porque é sempre emocionante estar perto de algo que pode explodir a qualquer momento, porque está quente o suficiente para fazer marshmellows e de acordo com o guia apenas três metros mais abaixo há magma incandescente (passe o pleonasmo) e porque as vistas são impressionantes.

Mas foi essencialmente através do bom humor da Geraldine, sempre disposta a acompanhar-nos em crepes e copos, ou jantares para variar do ambiente da casa, e do entusiasmo do Jan, um ciclista australiano que já anda nestas andanças há cinco anos, trabalhando três meses por ano, e que é provavelmente uma das pessoas mais optimistas que já conhecemos que fomos, lentamente, recuperando a vontade de voltar à bicicleta e prosseguir com a nossa viagem para conhecer gentes e lugares.

E uma semana e três dias depois de chegarmos despedimo-nos dos nossos amigos e partimos em direcção a El Salvador, apenas para estarmos de regresso nem três horas tinham passado.

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Antigua was Guatemala’s capital, until it was destroyed by a violent earthquake, in 1917, when the government decided to move the capital to Guatemala City. Up until this date it is still possible to see majestic ruins of convents, palaces, churches and even the monumental cathedral, with it’s tall pillars and arches, testimony of the destroying violence of this terrible earthquake. The rest of the city was built around this ruins, in two story high colorful buildings, with roof tiles and inner patios, and cobble stone streets in a perfect gridlock system, around a central park with lusty mermaids (check the photo).

Even if this setting wasn’t so attractive alone, to wherever we turn we can see a volcano. One in eruption, other with some fumes, lots of times surrounded by clouds, but always there. Antigua is a small “refuge” from the real Guatemala, filled with tourists and United States ex-pats, really nice restaurantes and hotels, for those who travel for one week with theirs pockets full of money, cultural programs, intensive spanish courses and even some volunteer tourism.

For us Antigua met renovation!

We got there tired from the trip, from all the weight, from Belize and Guatemala, whose population were not as kind as in the United States or Mexico, from a year on the road, from missing home. We started by taking all our stuff from the panniers and choose the things we want to keep, the ones we want to send home and the ones we want to donate. We washed everything has we had never done before. We made ourselves some routines, we rested, took naps, watch some movies, went to the Refuge café every day in the morning (to have fresh coffee in the place where it is grown and picked is a privilege).

We decided to have the experience of staying with a Guatemalan family, like those who host spanish students, volunteer tourists or both, with a full board stay, like in some nineteenth century british novel. We were received by the couple Isolina and Maynor, their really nice and polite seven and four year old kids Giovani and Giovana, and Gracie, the girl who helped Isolina. So, usually we took at least two meals a day with the family, and the other characters changed during the two weeks we spent there. There was Geraldine and her niece Emily, both from Canada, visiting and volunteering at an hospital, there was Sophie, a spanish student from Denmark, there was Andrea, Megan, Mallory and Alicia from the United States and Canada, Nam from Australia and Sofia, from South Africa, Portugal and England, all of them volunteers in the most diverse areas.

Like with any family the adaptation was long to the rules and habits, but as in any family, every part must givfe in a little bit to what each one wants!

Already settled we celebrated a year of our trip with some posts not as optimist as usual, revealing all our tiredness, and then my birthday, with all the things from the Guatemalan tradition, a really nice lunch, fire crackers, cake and candles and a piñata filled with candy, all in the company of the people from the house. As gifts I got a chocolate and a cappuccino from Geraldine, some Toms from Pedro, a new kindle (sent to Costa Rica) from my parents and grandparents, a bottle of wine from Dan and Rob, a tequila shot to all the friends who had dinner with me, at a table with nine people from five different nationalities, by the owner of the restaurant.

Besides this wonderful life, we saw a presentation from Trece Hilos (or Oxlajujbatz), a NGO who works with indigenous women, promoting their empowerment trough their crafts and that, it seemed to us, do a really good job. Recently the management of the organization passed to the hands of the comunities. We had dinner at a kid’s restaurant, had lunch with a Portuguese-Guatemalen couple, and went on a tour to visit one of the nearest volcanoes, the Pacaya. This is an active volcano and it had it’s last eruption two months ago, so we were not allowed at the top, and at the same time, the lava was not incandescente. Still, it was worth the visit. It’s thrilling to be near a place that can explode at any moment and it was hot enough to roast some marshmellows, according to the guide, only three metres down there is boiling magma. Also the views are magnificent.

But what really helped us recover our good mood and enthusiasm to go back on our bicycles and see new places and new people was Geraldine and Jan. The first, with an incredible sense of humor was always ready to join us on a drink or crepes, or to have dinner to vary from the house, the second is an Australian cyclist, who’s traveling the world for the last five years, on his bike, and is probably the most enthusiast and optimist person we had met.

So, a week and three days after arriving, we said goodbye to our friends and headed towards El Salvador, only to be back in Antigua in less than three hours.

 

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