O bom, o mau e o ladrão – uma semana no Belize I | The good, the bad and the thief – a week in Belize I

Por mais divertidos e interessantes que tenham sido os tempos passados em terras mexicanas, sentimos que já estava na hora de mudar de país, conhecer outras gentes e paisagens, mudar de ares. Foi com um sorriso nos lábios que nos dirigimos à fronteira, apenas a 10 Km de Chetumal. A saída do México foi quase tão simples como a saída dos Estados Unidos, a entrada no Belize nem tanto.

À entrada no posto de emigração o senhor do turismo ofereceu-nos um mapa e deu-nos as boas vindas. Descontraidamente dirigimo-nos às cabines da imigração, cada um de nós a uma diferente e apresentámos os nossos passaportes. Perguntaram-nos quanto tempo tínhamos estado no México e à reposta cinco meses, retorquiram que não nos podiam deixar entrar porque só vínhamos ao Belize para renovar o visto mexicano. Foi com muito espanto que recebemos tais notícias, nada nas informações recolhidas anteriormente o fazia anunciar. Explicámos a nossa história, o que fazíamos ali, as nossas intenções de visitar o Belize, onde queríamos ir, apontámos para as nossas bicicletas carregadas. Do outro lado silêncio e um abanar da cabeça, nenhuma acção. Eu e o Pedro olhávamos um para o outro, olhávamos para os funcionários, sem saber muito bem o que fazer, enquanto aguardávamos. À chegada de outro casal para entrar no país, lá nos carimbaram e entregaram os passaportes. Num sorriso de alívio olho para o carimbo e verifico que apenas tenho 3 dias para atravessar o país, já o Pedro tem 30. “Como é que pode ser? Como é que espera que atravesse o país em 3 dias?”. Resposta pronta em modo condescendente: “Pode ir aos serviços de emigração em Belmopan ou na Cidade do Belize, só tem que pagar cinquenta dólares por uma extensão.”

Eu já estava a ver o caldo entornado e foi o Pedro que tomou as rédeas à situação, primeiro quis saber o porquê da diferença de tempo concedido a cada um, depois pediu para falar com um superior, que alegadamente estava fora a tomar o pequeno-almoço, perguntou se eu lhe parecia ameaçadora efinalmente apelou ao coração da senhora dizendo que estávamos na nossa lua-de-mel e pedindo-lhe que se pusesse no nosso lugar. Ela lá me deu mais dez dias, fazendo um 1 por cima do 0. Escrevo neste momento de San Ignacio, já próxima da fronteira com a Guatemala, depois do ocorrido enviámos um email aos serviços de emigração, ao turismo e à nossa embaixada. Pediram-nos desculpa e disseram que iam averiguar o assunto, eu só espero que não haja problema na saída e que não julguem que fui eu a corrigir a data de saída.

Aliviados com os treze dias conseguidos, lá seguimos, não sem antes tentar comer seis bananas e duas laranjas, que iam ser apreendidas pelo departamento fito-sanitário, digamos que cumprimos 80% do objectivo!

Depois destas terríveis primeiras impressões já só queríamos sair do país o mais rapidamente possível, afinal de contas se não nos querem cá, também não queremos cá ficar. Mas o caminho não era difícil, a paisagem e a arquitectura tinham grandes diferenças em relação ao México, e depois de passar Corozal – todas as cidades fronteiriças têm um ambiente esquisito – onde fomos abordados por gente de ar pouco recomendável – todas as pessoas foram simpáticas connosco. Começámos a pensar e decidimos que, já que cá estamos, mais vale aproveitar. E foi com este espírito um pouco mais apaziguado que entrámos na cidade de Orange Walk e fomos muito bem acolhidos no quartel dos bombeiros.

À conversa com o Ken, o Comandante, ficámos a saber que levar as nossas bicicletas para as Cayes (lê-se keys), seria complicado já que os barcos são pequenos. Deixá-las nalgum sítio ainda mais porque não conhecemos ninguém, e por isso, depois de pedirmos autorização decidimos deixá-las ali mesmo e fazer uma pequena viagem em backpacking até Caye Caulker no dia seguinte.

Mochila às costas, autocarro escolar americano pintado em cores garridas, reggae a “bombar” nas colunas e lá vamos nós em direcção à Cidade do Belize (sítio onde definitivamente não queríamos entrar de bicicleta dada a sua reputação violenta). Afinal até parecia mais ou menos tranquila e relativamente pequena, mas pôr as miúdas no barco teria sido difícil.

45 minutos chegávamos às caraíbas! Água azul turquesa transparente, palmeiras, passadiços de desembarque em madeira, calor e vento mais ou menos refrescante. Segundo o nosso guia esta é a ilha mais descontraída e barata, assim mais chinelo no pé que sandália de salto. Infelizmente não tem praias, apenas uma zona, perto do bar Lazy Lizard, onde nos atiramos para a água e subimos por uma escada, a água estava à temperatura ideal, e o Pedro ainda teve oportunidade de fazer snorkeling com uma máscara emprestada, em busca das pilhas recarregáveis, que depois de terem sido atiradas às ruínas, agora resolveram experimentar o Mar das Caraíbas.

Ainda no dia da chegada marcámos logo a viagem de snorkeling que era o nosso maior objectivo. O Belize tem a segunda maior barreira de corais do mundo, uma experiência imperdível, portanto. Por sorte tinham uma excursão a sair às oito da manhã, o que nos permitiria evitar o período de maior calor e exposição ao sol e também um aglomerado de barcos turísticos. Infelizmente no dia seguinte as nuvens cinzentas fizeram com que parte do grupo desmarcasse e tivemos mesmo que ir às dez e meia com a restante carneirada, enfim, um pequeno contratempo, ou aquilo que gostamos de chamar problemas de primeiro mundo.

Apanhada a lancha chegámos a Hol Chan, a reserva marinha, onde já estavam mais uns dez barcos, todos com os respectivos turistas dentro de água, e que logo me fez pensar, que grande pesadelo! O guia perguntou se tínhamos experiência, deu-nos um líquido para limpar a máscara, alertou para a corrente forte, disse que vinha connosco e nos ia apontando as partes interessantes, pediu que não nos afastássemos muito uns dos outros, e ala que se faz tarde para dentro de água. Ora eu, na minha enormíssima experiência (not!), logo comecei por me atrapalhar assim que entrei dentro de água, ele é a máscara que me escorregava, o tubo, o só poder respirar pela boca e a água a entrar pelo equipamento e pela minha boca em grandes golfadas. Levou algum tempo e mesmo ao fim do dia ainda não estava muito à vontade com a situação aquática, mas a sensação de baixar a cabeça, entrar no silêncio total e ver os animais a nadar é incomparável.

Tartarugas, tubarões, raias, peixes azuis, uma garoupa negra enorme e até uma enguia, houve de tudo. É com muita facilidade que uma pessoa se distrai e resolve ir atrás das tartarugas ou das raias. Resultado, voltando à superfície já estava perto de outro grupo qualquer e tinha que me orientar para encontrar o meu, ajeitar o tubo, colocar a máscara, uma mistura entre um reino mágico e o pânico de poder ficar sozinha no meio do mar.

Depois da reserva ainda fizemos mais duas paragens, uma para ver tubarões e raias, que vêm até ao barco atraídos por comida dada pelo guia, o que é engraçado mas soa algo artificial, e além disso quando se vão embora não fica muito para ver, a terceira, de uma hora para ver os corais. Aqui a questão são as expectativas, uma pessoa pensa em corais e imagens coloridas passam-lhe pela cabeça, aqui tudo era verde, e embora a diversidade das formas fosse bastante apelativa e bastantes peixinhos pequeninos, o interesse era mais para o “amante do aquário”, como disse o Pedro, que para nós que não estamos habituados a tanto snorkeling. Entrar no barco seria terrível, já que o enjôo me faria vomitar o hamburguer do almoço, por isso pedi um colete salva-vidas e fiquei ali a flutuar, a aproveitar a perfeição da temperatura da água e o facto de estar nas Caraíbas a gozar mais uma das incríveis oportunidades que esta viagem nos tem trazido.

Quem não gostou assim tanto deste momento foram as minhas costas, que se vingaram na forma de um terrível escaldão. Aliás já no primeiro dia em que pedalámos tinha ficado com escaldões pouco habituais nas pernas, depois viemos a descobrir que o índice de UV no Belize é 12.

Para darmos uso à nossa GoPro decidimos que este (o mergulho, não o escaldão) seria um bom momento para mais tarde recordar. Apesar da fraca capacidade da bateria conseguimos tirar fotografias e filmar os três diferentes mergulhos, num registo que o Pedro chamou de mistura entre Discovery Channel e Blair Witch Project, tais são os movimentos da câmara. Não é de estranhar, já que a mão que a segura também é usada para nadar.

De regresso à ilha mais não fizemos que descansar e experimentar a maravilhosa cozinha crioula, que é mesmo muito boa! Pena que a época da lagosta ainda não tenha começado.

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Our time in mexico was very interesting and we had lots of fun, but we felt it was time to change the country, meet other people and see diferent landscapes, a change of scenery. It was with a smile on our faces that we rode to the border, only 10 km away from Chetumal. Leaving Mexico was almost as simple as leaving the United States, entering Belize not so much.

At the entry into the emigration building the tourism representative gave us a map and a warm welcome . Casually we addressed the immigration booths, each one of us to a different one and presented our passports. They asked us how long we had been in Mexico and we after we answer five months they retorted that they could not let us in because we only wanted to enter Belize to renew the Mexican visa. It was with great dismay that we received such news, nothing on the information we collected previously talked about it. We explained our story, what we were doing there, our intentions to visit Belize, where we wanted to go, we pointed to our loaded bikes. Silence on the other side and a head shake, no action. Pedro and I looked at each other, we looked at the officers, without quite knowing what to do while we waited. Upon arrival of another couple to enter the country, they stamped and gave us back our passports. A smile of relief and as I checked the stamp I realized I had only 3 days to cross the country, while Pedro had 30 days. “How can this be? How do you expect that I cross the country in three days?”. The response came with a condescending touch: ” You can go to the immigration services in Belmopan or Belize City, you only have to pay fifty dollars for an extension”.

I wasn’t ready for what had just happened to me but Pedro took the control of the situation, he first wondered why the difference in the time given to each of us, then asked to speak to a superior, who was reportedly out having breakfast, asked if I look somehow menacing and finally appealed to the heart of the lady saying that we were on our honeymoon, and asking her to put herself in our shoes. Then she gave me ten days more writing a number 1 on the top of the 0. We are currently writing from San Ignacio, very close to the border with Guatemala, after what happened we sent an email to the emigration services, the tourism bureau and our own embassy. They appologized and said they would look into the matter, I just hope there is no problem at the exit and that they don’t think it was me who wrote the number one on the passport.

Relieved with thirteen days to croos Belize, we continued, but before leaving the building we tryed to eat six bananas and two oranges, which would be confiscated by phyto- sanitary department, let’s say we managed to accomplish 80 % of the target!

After these terrible first impressions we just wanted to leave the country as soon as possible, after all if they don’t want us here, we don’t want to stay. But the road was not difficult, landscape and architecture had major differences when compared to Mexico, and afterpassing Corozal – all border towns have a strange vibe – where we were approached by weird people – all the people were friendly with us. We started thinking and decided that since we are here, we might as well enjoy it. It was with this spirit and a little more appeased that we entered the town of Orange Walk and we were very well received at the fire station .

In a conversation with Ken, the Chief, we learned that taking our bikes to the Cayes (pronounced keys) would be tricky since the boats are small. Leaving them somewhere would be even harder since we don’t know anyone here, so we decided to ask permission to leave them right there and do a little backpacking trip to Caye Caulker the next day. 

With a backpack on our backs, we entered an American school bus painted in bright colors with reggae music pumping on the speakers and away we go towards Belize City (place which we definitely didn’t want to get to on our bikes given its violent reputation). When we got there we realized it was a relatively small an quiet town, but putting the girls on the boat would have been difficult.

45 minutes later we arrive at the Caribbean! Transparent turquoise water, palm trees, wooden docks, heat and a more or less refreshing wind. According to the guide this is the more relaxed and inexpensive island, it’s more flipflops than high heel sandals. Unfortunately it has no beaches, the only area where is possible to swim is near the Lazy Lizard bar, where we throw ourselves into the water and then climb a ladder back up, the water was at the perfect temperature, and Pedro had the opportunity to do some snorkeling with a borrowed mask, in search of the rechargeable batteries, which after being thrown to the ruins , now decided to try the Caribbean Sea.

Also on arrival we schedule the snorkeling trip which was our main reason to go there. Belize has the second largest barrier reef in the world, an unmissable experience. Luckily they had a tour leaving at eight in the morning, which would allow us to avoid the period of greatest heat and sun exposure and also a huge amount of tourist boats. Unfortunately the next day the gray clouds made part of the group to unschedule the trip and we had to go at ten-thirty with the rest of the tourists, it was just a small mishap, or what we like to call first-world problems.

We took the boat and reached the Hol Chan Marine Reserve, where about ten other boats were already floating, with all their tourists in the water, and I immediately started to think , what a nightmare! The guide asked if we had experience, gave us a liquid to clean the mask, warned us of the strong current, said he was going with us and would point out the interesting parts, he asked us to try to stay together, and pretty soon we were swiming. Me (Sara), in my colossal experience ( not!), soon began to get disturbed as I entered the water, it is the mask that slipped, the tube, only being able to breathe through the mouth and the water entering the equipment and in big gulps on my mouth. It took me some time and at the end of the day I still wasn’t very comfortable with the water situation, but the sense of putting your head down, entering the silence and see the animals swimming is unmatched.

Turtles, sharks, rays, blue fish, a huge black grouper and even an eel, we saw lots of stuff. It is very easy to get distracted and start following the turtles or the rays. Result, coming to the surface I was coming close to any other group and had to find my own guide, at the same time I was pinching the tube, putting on the mask, a mix between a magical kingdom and panic that I could be left alone in the middle of the sea.

After the reserve we made two other stops, one to see sharks and rays, which come near to the boat attracted by food given by the guide, which is funny but it looks somewhat artificial, and moreover when they go away there is not much to see, on the third stop we had one hour to see the corals. Here the issue is expectations, a person thinks of corals and colorful images pass through our minds, here everything was green, and although the diversity of the forms was quite appealing and there were some little fishes, the thing was more for the “aquarium lover”as Pedro put it, for us who are not used to so much snorkeling one hour was too much. But getting Into the boat before time would have been terrible, since the seasickness would make me vomit the burger we had for lunch, so I asked for a lifejacket and just lied there floatting, enjoying the perfect water temperature and the fact of being in the Caribbean, another incredible opportunity that this trip has brought us.

However, my back didn’t really appreciated it and as a revenge I had a major sunburn. As a matter of fact on the first day twe biked I had an unusual sunburn on my legs and then we found out that the UV index in Belize is 12.

To give use to our GoPro we decided this (diving, not sunburning) would be a good time to remember later on. Despite the weak capacity of the battery we could take photos and shoot the three different dives, a movie that Pedro called a mix between Discovery Channel and Blair Witch Project, such are the movements of the camera. It is not surprising, since the hand that holds it is also used for swimming.

Returning to the island we took a long rest and experienced the wonderful Creole cuisine, which is really good! Too bad the lobster season has not started yet.

 

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