Oaxaca

Depois das aventuras e desventuras para chegar a Oaxaca, o nosso estado físico e anímico pedia-nos mais que aproveitássemos as maravilhas frescas dos indoors do hostel do que partir à exploração da cidade à mercê do sol e do calor.

Muitas vezes é o que acontece com os cicloturistas, chegamos a um sítio, ainda que totalmente novo, e aquela energia para acordar cedo e sair para a rua a explorar, tão típica de outro tipo de viagens, custa a vir. Sabe bem aproveitar o dia devagar, as mesas e cadeiras, o fresco, as conversas com os amigos que se vão fazendo. E só depois sair a ver uma coisa ou outra, sentir o ritmo das cidades e das gentes, visitar um sítio mas não picar o ponto nas atracções histórico/turísticas dos lugares.

O hostel em Oaxaca, embora um pouco caro para o nosso orçamento, revelou-se um sítio fantástico para recuperar energias, a internet, a televisão com netflix, onde vimos filmes novos e antigos, e pela primeira vez nas nossas vidas, os óscares a horas decentes, os pequenos-almoços continentais, os lençóis brancos, a limpeza, a funcionalidade e outros pequenos pormenores mais ocidentais, e especialmente o ambiente internacional patente nos que por ali se cruzavam connosco, fizeram com que fosse difícil arrancar a explorar a cidade.

Mas graças ao Izhak, à Cláudia, ao Owen, ao Raleigh e à Paola, não ficámos sem fazer nada. Começámos logo por visitar, no Sábado de manhã, um mercado orgânico, realizado no átrio de uma igreja onde um par de noivos, depois de serem benzidos pelo padre à porta, entravam juntos para celebrar o seu casamento. Parece que os mercados orgânicos/biológicos de todo o mundo são muito semelhantes. Variam os produtos, consoante o local onde se realizam, mas o resto parece tirado a papel químico, Mesmo assim comprámos um maravilhoso queijo curado que junto com uma garrafa de vinho e tostas, nos serviu de jantar uns dias mais tarde.

Por sorte o Owen tinha um carro e pudemos aproveitar as suas boleias para visitar alguns sítios arqueológicos que estão perto da cidade, Monte Albán e Mitla.

O primeiro, situado no cimo de um monte, tal como o próprio nome indica, é da responsabilidade Zapoteca, povo altamente avançado, que sem recurso aos meios que temos hoje, resolveu construir a parte central da sua cidade (templos religiosos, observatórios astronómicos, campos de futebol, praças e pirâmides), no cimo de uma serra, que entretanto terraplanaram. Em breve conquistaram os povos que viviam à sua volta e dominaram o extenso vale de Oaxaca. A área é significativamente mais pequena que Teotihuacán (perto da Cidade do México), mas parece mais bem preservada, e as vistas a toda a volta são admiráveis.

Mitla não tem construções grandiosas, nem está localizada num sítio espectacular mas todos os seus particulares pormenores tornam-na bastante diferente de outras ruínas que temos visto. Para começar Mitla não é só um sítio arqueológico, também é uma povoação, que foi construída à volta das ruínas, e por isso, um determinado ângulo de visão pode mostrar-nos um edifício com mil anos e logo atrás a casa de alguém, com o depósito de água, em plástico preto, no telhado. Por outro lado, aqui os edifícios têm bonitos frisos, o que ainda não tínhamos visto em lado nenhum, no meio do complexo há uma igreja que foi construída com as pedras das pirâmides circundantes, as cercas são feitas com cactos, e os canteiros de cactos proliferam. Também é possível entrar na casa das colunas e imaginar como seria a vida ali, e ainda mais extraordinário, entrar em duas tumbas. Na primeira tumba a experiência foi muito estranha, é preciso baixarmo-nos muito para passar e a certa de altura deixa de haver luz natural, o ar é saturado, húmido e quente e uma sensação de claustrofobia invade-nos. Não admira que todas as pessoas saiam de lá com uma cara de quem precisa de ar fresco.

E finalmente descansámos o suficiente para partir à visita de Oaxaca, das suas ruas de empedrado com todas as casas perfeitamente pintadas, dos inúmeros templos, dos restaurantes e cafés cheios de pinta. Esta cidade é perfeita para quem gosta de comprar artesanato, vendido muitas vezes pelas próprias indígenas que os fabricam, nos seus trajes tradicionais, para quem gosta de chocolate (produzido na região), de mezcal (uma bebida alcoólica com origem no cacto maguey), de festas e animação popular à razão de uma por dia, e de comer e experimentar pratos diferentes, da já bastante extensa gastronomia mexicana.

Por isso provámos tlayudas, moles, tamales e gelados, mas não os gafanhotos fritos que vendem no mercado, regateámos por um machete com uma bainha em pele, que esperamos nos venha a servir para partir cocos e dissuadir possíveis roubos, bebemos chocolate e aproveitámos as noites quentes para passear e ver os mariachis tocar junto aos restaurantes turísticos que se alinham debaixo das arcadas na praça principal, enquanto ali mesmo ao lado, no átrio da catedral, adultos e crianças faziam uma guerra dos mais modernos balões em forma de foguetão.

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After the adventures and misadventures to get to Oaxaca, our physical and psychic state was more inclined into taking advantage over the fresh wonders of the hostel indoors than to go out and explore the city at the mercy of the sun and the heat.

This is what often happens with cycle tourists, we arrive at a place, yet totally new and that energy to wake up early and go to the street to explore, so typical of other types of travel, doesn’t come so often. It’s good to enjoy the day slowly, the tables and chairs, the freshness, conversations with new friends. And only then leave to do something, feel the rhythm of the city and its people, visit a site but not checking all historic/tourist attractions.

The hostel in Oaxaca, though a bit pricey for our budget, proved to be a fantastic place to rest, the internet, TV with netflix, where we saw new and old movies, and for the first time in our lives, the Oscars at decent hours, continental breakfast, white linens, cleanliness, functionality and other small Western details, and also the international environment with the other guests. It was hard to start exploring the city .

But thanks to Izhak, Claudia, Owen, Raleigh and Paola, we started doing stuff. We started just by visiting, on Saturday morning, an organic market, held in a church atrium where a pair of bride and groom, after being blessed by a priest at the door, entered the aisle together to celebrate their wedding. It seems that organic markets around the world are very similar. Products vary, depending on where it takes place, but the rest seems just like a xerox. We took the opportunity to buy a wonderful cured cheese that accompanied with a bottle of wine and some toasts, served as dinner a few days later.

Luckily Owen had a car and we were able to enjoy his rides to visit some archaeological sites that are close to the city, Monte Albán and Mitla.

The first, located atop a hill, is the responsibility of the Zapotec, highly advanced people, who without recourse to what we have today, decided to build a central part of their city (religious temples, astronomical observatories, soccer fields, plazas and pyramids), perched on a mountain, in a plateau created by them. Soon they conquered the people who lived around them and dominated the wide valley of Oaxaca. The area is significantly smaller than Teotihuacan (near Mexico City), but it seems better preserved, and the views all around are admirable .

Mitla has magnificent buildings, located on a site that is not so spectacular but with lot of original details that make it quite different from other ruins we have seen. To start Mitla is not only an archaeological site, is also a town that was built around the ruins, and so a certain viewing angle can show us a building with a thousand years and just behind someone’s home, with the water tank, in black plastic, on the roof. Moreover, the buildings here have beautiful stone mosaics, which we had not seen anywhere else, in the middle of the complex there is a church that was built with stones from the surrounding pyramids, the fences are made with cacti, cactus and flower beds proliferate. You can also enter the house of columns and imagine what life was like in that time, and even more extraordinary, entering into two tombs. In the first tomb the experience was very strange, you have to bend a lot to be able to enter and after a while there is no natural light, the air is saturated, wet and hot and a claustrophobic feeling invades us. No wonder all the people coming out of there looked like they needed some fresh air.

And finally we were rested enough to visit Oaxaca, its cobbled streets with all the perfectly painted houses, the numerous temples, restaurants and nice cafes. This city is perfect for those who like to buy handicrafts, often sold by the indigenous who manufacture it, in their traditional costumes, for those who love chocolate (produced in the region), mezcal (an alcoholic drink originating from the maguey cactus) parties and popular animation at a rate of one per day, and eat and try different dishes, from the already quite extensive Mexican cuisine.

So we tried tlayudas, moles, tamales and ice cream, but not the fried grasshoppers that are sold in the market, we bargained over a machete with a leather sheath, which we hope will serve to break coconuts and deter possible theft, we drank chocolate and enjoyed the hot nights to walk around and see mariachis play by the tourist restaurants that line under the arches in the main square, while right next door, in the cathedral atrium, adults and children played a war with the most modern shaped rocket balloons.

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