Seis dias de Inferno, ou quase, entre Puebla e Oaxaca – parte III | Six days of almost hell between Puebla and Oaxaca – Part III

Até Assunción de Noxichtlán

Tamazulapan era uma vila bem gira, ainda por cima com um rio ideal para passarmos o dia a refrescar-nos destes dias infernais, mas como o Izhak e a Claudia de Guadalajara estavam a passar o fim de semana em Oaxaca, queríamos chegar a tempo de os ver, e por isso deixamos Tamazulapan para outras viagens.

Desta vez só saímos às onze da manhã, mas o céu estava coberto de nuvens e por isso não nos sentíamos a cozer como nos outros dias. A subida era mais gradual e de tão bem dispostos que estávamos vimos um sítio anunciando uma barbacoa e resolvemos parar para almoçar. Perguntando o que tinham, responderam que apenas borrego, carne que eu (Sara) à partida nego com todas as minhas forças, mas como no dia anterior tinha ouvido um “raspanete” a dizer que estava a ficar muito esquisita com a comida, resolvi experimentar. Desde que fiquei doente em Morelia que tenho alguns problemas em comer tortilhas de milho, sem que estejam em formas bastantes específicas como fritas, estaladiças ou em enchiladas ou flautas, eventualmente recheadas. O que eu já não consigo mesmo comer são tacos, e por isso pedi massa com borrego, pensado que ao menos assim ficava com mais energia. O que eu não sabia é que massa não é o mesmo que pasta, massa é uma massa de milho que chegou numa sopa, acompanhada com carne. E o sabor era igualzinho ao de um… galinheiro! Facto comprovado até pelo chef. Muito limão e salsa para disfarçar o sabor, e no fim, o melhor de tudo ainda foi o borrego. Esperando que não me fizesse mal ao estômago continuámos e finalmente chegámos ao ponto mais alto a que teríamos que subir. A paisagem era fantástica, terra vermelha de um lado, um bosque em tons outonais do outro, e o local era propício à apreciação de duas tangerinas para celebrar o nosso feito. Infelizmente, como acontece muitas vezes aqui no México os locais mais inspiradores ou bonitos estão cheios de lixo, e os mosquitos daí derivados começaram a atacar. Ainda resistimos um bocado até que pingas grossas caíam em cima das nossas cabeças e um senhor nos avisou para nos pirarmos dali o mais depressa possível já que ameaçadoras nuvens começavam a acumular-se na nossa direcção.

Tapámos tudo o que não se pode molhar e lá fomos a grande velocidade a tentar escapar a maiores danos que umas simples pingas, desejo que conseguimos realizar. Depois da descida uma parte mais plana, desta vez com vento de frente, que parecia que os deuses não queriam que chegássemos a Assunción de Noxichtlan, provavelmente por uma boa razão, a cidade era feia, sem nada de interessante, com um aspecto poeirento e sem bombeiros ou Cruz Vermelha que nos pudessem albergar. Um hotel por 120 pesos (cerca de € 7,20) foi a solução arranjada, um jantar cedinho e cama.

 

Finalmente Oaxaca

Desta vez os planos eram seguir sempre pela auto-estrada, o que nos proporcionaria uma experiência mais segura, mas nem por isso menos custosa. Apesar de perdermos altitude, a estrada era desenhada quase a direito pelo meio das montanhas, às vezes com subidas que mais pareciam paredes. Curiosamente, ou talvez não, não éramos os únicos a sofrer com isto, camiões com reboques duplos, claramente no máximo de carga arrastavam-se a velocidades lentas subidas acima, ocupando a berma, por forma a dar espaço aos outros carros para os ultrapassarem, já que só havia uma faixa para cada lado. Claro que quando nós estávamos na berma, tinham que voltar à faixa, o que, parece-me, deixava toda a gente insatisfeita, embora raramente o manifestassem. O calor não abrandava continuando a rondar os quarenta e tal graus, e as sombras eram de tal forma escassas que o almoço teve que ser feito debaixo de uma ponte. A água nas nossas garrafas continuava a desaparecer a uma velocidade estonteante. Apesar de tudo divertimo-nos muito nas descidas, a compensação de qualquer ciclista depois de subir sem parar.

Chegados a Oaxaca ainda faltavam dez quilómetros até ao centro histórico, já que a cidade é capital do estado com o mesmo nome e cresceu de maneira expansiva em todas as direcções. Aqui é que a coisa complicou, depois de provações de calor e montanhas, mas com uma relativa calma no trânsito, enfrentar as entradas e saídas caóticas de uma cidade era algo para o qual não estava preparada (não sei porquê, já que todas as cidades são assim). Ele era a falta de berma, ou uma berma pequenina cheia de lixo, ele eram os táxis e os colectivos e os autocarros a apitar enquanto quase nos raspavam as pernas, em tentativas de apanhar rapidamente mais passageiros. Para nós os piores condutores são sempre os de transportes de passageiros, sejam taxistas ou choferes de autocarros de turismo, no caso do México a coisa piora porque recebem em função dos passageiros que transportam, o que os torna essencialmente loucos da estrada.

Para sobreviver, ou sair ileso, vá, é preciso mil atenções, mas também não mostrar medo, ocupar o nosso lugar na estrada e ser um bocadinho agressivo – até agora parece ter resultado.

E finalmente chegámos ao Zocalo, e encontrámos os nossos amigos, e lá fomos, pela primeira vez para um hostel, a partilhar um beliche, num quarto com mais dez pessoas. Mais tarde saímos para comer uma das especialidades locais, as tlacubayas – gigantes tortilhas estaladiças recheadas com carne e queijo, e ver um pouco da cidade by night.

E assim terminou o nosso pequeno inferno, mas adivinhamos que daqui para a frente, pelo menos até chegarmos à Colômbia, o calor vai continuar a fazer das suas.

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Until Assunción de Noxichtlán

Tamazulapan was a really cute town, with an ideal place to spend the day cooling off from these infernal days on the river, but as Izhak and Claudia from Guadalajara were spending the weekend in Oaxaca, we wanted to arrive in time to see them, so we let Tamazulapan for a different trip.

This time we only started at eleven in the morning, but the sky was covered in clouds and so we didn’t feel like we were baking as on the previous days. The climb was more gradual and we were in such a good mood that we saw a site advertising a barbecue and decided to stop for lunch. Wondering what they had, they responded only lamb, meat that I (Sara) usually deny with all my strength, but as the day before I had heard a “reprimand” saying I was getting too weird with the food, I decided to try. Since I got sick in Morelia I have some problems with eating corn tortillas, except when they are fried, crispy, in flautas or enchiladas or stuffed. What I now can not even eat are tacos, and so I ordered pasta with lamb, thinking at least it would give me some energy. What I didn’t know was that “massa” is not pasta, but a corn dough that came in a soup, accompanied with meat. And it tasted just like a … place where they put the chickens! As witnessed by the chef. Lots of lemon and parsley to disguise the taste, and in the end, the best of all, was the lamb . Hoping that it didn’t make me sick we continued and finally we reached the highest point we had to climb on these days. The scenery was fantastic, red earth on one side, a forest in autumnal tones in the other, and the place was perfecto to have two tangerines to celebrate our achievement. Unfortunately, as often happens here in Mexico the most inspiring and beautiful sites are full of garbage, and the mosquitoes derived therefrom began attacking us. We resisted a bit until thick dripping fell over our heads and a gentleman told us to get the hell out of there as soon as possible as ominous clouds began to accumulate in our direction.

We covered everything that cannot get wet and starting going down at high speed trying to escape further damage than a simple dripping, wish we could accomplish. After the descent came some flatter terrain, this time with a headwind. It seemed that the gods did not want us to reach Assunción de Noxichtlan probably for a good reason, the city was ugly uninteresting, with a dusty appearance and without a fire department or Red Cross that could accommodate us. A hotel for 120 pesos (about € 7.20) was the solution arranged, and then it was time for an early dinner and bed.

 

Finally Oaxaca

This time the plans were to go on the highway, which would give us a safer experience, but hardly easier. Despite of loosing altitude, the road was designed almost in a straight line across the mountains, and sometimes the climbs looked a lot like walls. Curiously, or maybe not, we weren’t the only ones suffering wih this, trucks with double trailers, clearly at their top load, drag themselves up on the road, occupying the entire shoulder, so that other cars could take over them, since there was only one lane each way. Of course, when we were on the shoulder they had to go back to the lane, which, we think, left everybody unpleased, even tough they rarely showed it. Since heat was has hard as the previous days, around forty something degrees, and the shadows were almost inexistent, we had to had lunch under a bridge. The water on our bottles continued to rapidly disappear. Despite all of this, we had lots of fun on the descents, the reward of any cyclist after climbing without stopping.

Once we arrived in Oaxaca we still had to go ten more kilometers until the historic centre, since the city is the capital of the state with the same name, and has grew expansively in every direction. Here things got complicated, after all the obstacles fo heat and mountains, but with a relatively calm traffic, facing the exits and entrances of a big town was something I (Sara) wasn’t ready for (I don’t know why because all the cities are like that). From the lack of shoulder or a tiny shoulder filled with trash, to the taxis, collectives, buses honking and passing really close while trying to get some passengers. For us the worst drivers are the ones who carry passengers, either taxi drivers or tourism buses motorists. In the case of Mexico is even worst because they get paid according to the number of passengers they transport, which makes them crazy drivers.

In order to survive, or at least not being hit we need to pay lots of attention, and not show any fear, take our place on the road and be just a little aggressive – so far it seems to work.

And finally we got to the Zócalo, where our friends were waiting for us, and so we went for the first time on this trip to a hostel, sharing a bunk bed in a room with ten more people. Later we went out to have one of the local specialties, the tlacubayas – giant crispy tortillas filled wit meat and cheese, and see a little of the city by night.

And that’s how our little hell finished but we guess than from now on, at least until we get to Colombia, the heat will be present all the time.

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2 pensamentos sobre “Seis dias de Inferno, ou quase, entre Puebla e Oaxaca – parte III | Six days of almost hell between Puebla and Oaxaca – Part III

  1. We are still following your journey. I don’t always have time to read your great narration of the trip but pray for your safety and love the pics.
    Charlotte from USA. Nebraska…met in Kansas

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