Seis dias de Inferno, ou quase, entre Puebla e Oaxaca – parte I | Six days of almost hell between Puebla and Oaxaca – Part I

Até Izucar de Matamoros

Saímos de Puebla já por volta das onze, confiantes de que chegaríamos cedo ao nosso destino. Afinal de contas, o perfil do terreno (tirado daqui) indicava que depois dos primeiros quilómetros relativamente planos o resto do caminho seria sempre a descer, ainda por cima com uma estrada com uma boa berma. Realizou-se apenas metade da profecia, a berma era excelente, mas a estrada de plano só tinha mesmo o relativamente. Subidas e descidas feitas à hora de maior calor levaram-nos a pensar que começar os nossos dias mais cedo não seria má ideia. O Quique e a Alicia começam habitualmente às oito e meia, e pareceu-nos uma boa meta para o dia seguinte.

Em grande esforço e cheios de fome chegámos finalmente a Atlixco, onde retemperámos forças e fizemos uma breve visita a esta simpática vila, com ruas cobertas de flores. Até o senhor do posto de turismo veio ter connosco, enquanto tirávamos fotografias no meio da praça a dar-nos um panfleto e um mapa, e a oferecer-nos explicações detalhadas sobre um dos museus. Infelizmente era preciso avançar. uma fabulosa descida esperava por nós (desta vez era mesmo verdade), e durante 35 km praticamente deslizámos colina abaixo entre terrenos cobertos de cana de açúcar. A certa altura um forte cheiro a doce de tomate, que me (Sara) fez lembrar a minha avó Celestina, fez-nos parar para investigar. Com bastante estranheza percebemos que vinha da fábrica da Bacardi.

Finalmente chegámos a Izúcar de Matamoros, onde logo nos dirigimos ao quartel dos bombeiros onde ficámos maravilhosamente instalados. Apesar do escasso esforço do dia eu estava exausta, provavelmente devido ao calor, e por isso fomos para a cama não eram ainda nove horas, já em preparação para o dia seguinte.

Até Acatlán

Não eram oito e meia mas eram oito e cinquenta, e face à nossa fraca capacidade de sair cedo, motivada pelas quase duas horas e meia que precisamos para comer e arrumar tudo, já pode ser considerado uma vitória, ainda que apenas técnica, já que o horário não foi suficiente para combater o calor desesperante.

Assim que começámos a primeira subida o suor começou a escorrer-nos pela cara e pelas costas abaixo e o Sol castigador atacava sem piedade. O primeiro pensamento foi “voltámos ao Kansas”, sem vento e campos agrícolas é certo, mas com as mesmas temperaturas de quarenta e tal graus e a mesma falta de sombras protectoras. A paisagem era bonita, árida, cheia de cactos. As subidas iam sendo feitas a muito muito custo e as descidas gozadas a cada segundo, aproveitando a aragem provocada pela velocidade das bicicletas que sempre servia para refrescar um bocado. Quando finalmente nos arrastámos até Tehuitzingo e parámos na sombra refrescante do primeiro restaurante para almoçar o termómetro marcava 46º graus e uma garrafa de litro e meio de água bem fresca foi devorada pelos dois em menos de cinco minutos. Aí percebemos que o dia seguinte de sessenta e poucos quilómetros, quase sempre a subir, teria que começar ao nascer do sol e estar terminado ainda antes de almoço.

Durante a hora e meia de descanso à sombra fomos ganhando alento para o resto da tarde que se revelou penosa e com muitas paragens para descansar e comprar mais água fresca. Às quatro da tarde resolvi beber um café que me deu as forças necessárias para terminar a subida, que em grande parte foi feita pelo meio de um bonito vale, felizmente, à sombra. Chegados lá acima já ao pôr-do-sol, gastámos o resto das energias para fazer a descida em tempo recorde, tentando evitar pedalar depois do cair da noite. Decididos a ir dormir cedo, tentámos primeiro guarida na Cruz vermelha, mas o responsável não estava, por isso procurámos um hotel barato, que rapidamente encontrámos. Lográmos deitar-nos cedo mas uma combinação de calor com café tardio (habituei-me a beber só um café matinal) fez com que o sono não chegasse depressa, e quando chegou um pequeno mosquito, impossível de matar porque o tecto era muito alto, fez-nos a vida negra, até que às duas da manhã o Pedro se lembrou de nos pôr repelente e finalmente entrámos num sono profundo.

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Until Izúcar Matamoros

We left Puebla at around eleven, confident that we would reach our destination early. After all, the terrain profile (taken from here) indicated that after the first kilometers of relatively flat the rest of the way would always be down, and to top it off the road had a good shoulder. Only half of the prophecy was fulfilled, the shoulder was excellent, but the road was not flat at all. Ascents and descents made at the time of the most heat led us to think that of our days start early would not be a bad idea. Quique and Alicia told us they usually start at half past eight, and it seemed like a good goal for the next day.

In great effort and already starving we finally reached Atlixco where we regained forces and made a brief visit to this friendly village with flower-covered streets. Even the the tourist office guy came to us while we were taking pictures in the middle of the square to give us a flyer and a map, and provide us with detailed explanations of the museums. Unfortunately we had to go. A fabulous fall was waiting for us (this time the prophecy was fulfilled), and for 35 km we basically slid down the hill between land covered with sugar cane. At one time a strong smell of tomato marmalade that made me (sara) remember my grandmother Celestina, made us stop to investigate. With some strangeness we noticed the smell came from the Bacardi factory.

Finally we reached Izúcar of Matamoros, where we headed directly to the fire station where we were wonderfully settled. Despite the meager effort of the day I was exhausted and so we went to bed early, trying to start early the following day.

Until Acatlán

It was not half past eight but it was eight- fifty and due to our poor ability to leave early, motivated by the two and a half hours we need to eat and get ready, it can be considered a victory, if only technical, since the time was not enough to escape from the desperate heat.

As soon as we started our first ascent sweat began to pour in our faces and backs and the punishing sun attacked us mercilessly. My first thought was “we are back in Kansas” without wind and farmland for sure, but with the same temperatures of forty degrees celsius and the same lack of protective shade. The scenery was beautiful, barren, full of cacti. The climbs were being made at great cost and descents cum every second, enjoying the breeze caused by the speed of the bikes that always served to cool off a bit. When we finally dragged ourselves to Tehuitzingo and we stopped at the protective shade of a restaurant the thermometer marked 46 degrees and a bottle of one liter and a half of fresh water was devoured by the two of us in less than five minutes. Then we realized that the next day, of sixty something kilometers, almost always climbing, had to begin at sunrise and be completed before lunch.

During the hour and a half of rest in the shade we gained forces for the rest of the afternoon, that proved painful, with many stops to rest and buy more fresh water. At four o’clock I decided to drink a coffee that gave me the necessary strength to finish the climb, which was largely taken by means of a beautiful valley, thankfully, in the shade. We arrived at the top when the sun was setting, so we spent the rest of our energy to do the descent in record time, trying to avoid riding after nightfall. Determined to go to sleep early, we first tried to get shelter in the Red Cross shelter, but the person in charge was not there, so we looked for a hotel, that we quickly found. We succeeded in getting in bed early but a combination of heat with the late coffee (by now I only have one coffee in the morning) meant that we could not fall asleep so quickly, and when we finally managed to sleep, a little mosquito, impossible to kill because the ceiling was too high, gave us a hard time, until Pedro, at two in the morning, remembered to put on repellent and finally we entered a deep sleep.

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