Viva os bombeiros | Hurray to the firefighters

Já tínhamos lido em blogs, livros e sites, mas nunca tínhamos experimentado, vá-se lá saber porquê, até que os nossos amigos Lonxo, Aitor e Evelyn, nos disseram que sim, que quando não acampavam ficavam nos quartéis dos bombeiros. Na primeira oportunidade resolvemos tentar a nossa sorte, e podemos garantir, saiu-nos melhor que a encomenda.

Logo em Zacapu, ainda em Michoacán, parámos na protecção civil, onde nos deram um beliche para dormir, um chuveiro de água fria e dicas variadas de sítios para visitar e jantar. Tudo com uma amabilidade extrema, mas o melhor ainda estava para vir, já no estado de Guanajuato, depois de Morelia.

Primeira paragem, Moroléon. Os dois rapazes que estavam à frente do quartel, a quem pedimos ajuda e sítio para dormir, chamaram o Rogério, o encarregado da tarde, que nos disse para entrarmos, descansarmos e beber água, enquanto aguardávamos pelo Comandante, que assim que chegou apenas apresentou como dúvida onde iríamos dormir. Qualquer canto seria bom, mas usaram uma sala que costuma estar cheia de caixas, para onde trouxeram dois colchões e lençóis para que pudéssemos dormir mais descansados. Banho quente, cozinha, conversa acerca de Portugal e dos bombeiros e logo fomos descansar, para no dia seguinte sermos confrontados com uma emocionante despedida com direito a conselhos para o maior caminho, rebuçados, aspirina, uma foto em grupo junto ao grafiti/mural da associação, uma imagem de Jesus para protecção, emblemas de pano e o melhor… uma chamada para os bombeiros de Irapuato a dizer que íamos a caminho para estarem à nossa espera.

E assim foi, guiados pelo Rogério na sua bicicleta até à estrada principal da vila, seguimos caminho pela auto-estrada. Depois da entrada triunfante no México, voltámos à nossa vida de crime a pedalar pelas auto-estradas deste país. Um pouco ansiosos quanto à passagem nas portagens, logo ficámos descansados quando do carro da polícia os agentes nos acenaram de forma amistosa, e de seguida o senhor portageiro apenas nos fez as curiosas perguntas dos costume. A berma não podia ser melhor, e curiosamente a auto-estrada só tinha uma faixa para cada lado, sem protecção central. Mas viajar numa auto-estrada é viajar numa auto-estrada, não há casas, pessoas, lojas, nada para ver, um verdadeiro aborrecimento, por isso foi com alívio para a cidade de Salamanca, onde depois de um pequeno snack entrámos na estrada livre, desta vez com duas faixas para cada lado e um separador central, o que nos deixou verdadeiramente baralhados com a situação viária mexicana.

Já em Irapuato, foi mesmo muito estranho chegar e dizerem-nos “entrem, entrem”, sem termos que pedir nada, mas passados uns minutos já estávamos mais à vontade com a enorme quantidade de bombeiros no imenso quartel. Depois descobrimos que estes bombeiros foram municipalizados e por isso têm mais gente paga e muito melhores condições que a maioria. Mas isso não os impediu de nos mimar o mais que lhes foi possível.

Balneários fechados enquanto tomávamos um banho de água quente, uma arrecadação para guardarmos as bicicletas, uma cama feita de lavado noutro armazém para termos mais privacidade, uma série de pequenos luxos que culminaram quando nos levaram de carro ao centro da cidade e deixaram connosco o Martim e o Jorge a servirem de guias turísticos. Era Domingo, a noite estava quente, casais mais entradotes dançavam ao som de cumbias, em jeito de bailarico, na praça principal, e enquanto nos mostravam os principais monumentos da cidade, incluindo as fontes dançarinas, pudemos ver a diferença de um Domingo à noite em Portugal, as ruas estavam cheias de gente e animação. No dia seguinte o Ventura e a sua mulher Genoveva escoltaram-nos pelo meio do trânsito até à saída da cidade.

Mas a aventura não acaba aqui, deste quartel ligaram para os bombeiros de Guanajuato e logo nos arranjaram sítio para ficar por mais três noites, já que queríamos ter tempo para visitar a cidade. E assim foi, depois de passarmos um dos dias de maior trânsito da nossa viagem, a certa altura eu (Sara) achava que estávamos a andar numa espécie de circular, por túneis assustadores, mas também paisagens bonitas de campos dourados, lá chegámos ao quartel onde fomos recebidos com todas as mordomias, e desta vez também internet, e onde o Charlie e o Comandante usaram a frase que sai da boca de todos os mexicanos nestas ocasiões: “esta es su casa!”.

Se algum dos bombeiros que nos acolheu nos está a ler, o nosso muito obrigado!

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We had read it in blogs, books and websites, but we have never experienced it, who knows why, until our friends Lonxo, Aitor and Evelyn, told us that yes, when they were not camping they stayed in fire stations . At the first opportunity we decided to try our luck, and we can guarantee, it was better than we could expect.

In Zacapu, still in Michoacán, we stopped at the civil protection, where they gave us a bunk to sleep, a shower of cold water and several tips of sites to visit and dine. Everything with extreme kindness, but the best was yet to come, in the state of Guanajuato, after Morelia.

First stop, Moroleón. The two guys who were outside the headquartes, and to whom we ask for help and a place to sleep, called Rogerio, who was in charge that afternoon, and who told us to enter, rest and drink some water while we waited for the Commander, who, when he arrived the only doubt he had was about where we would sleep. Any corner would be good, but they used a room that is usually full of boxes, to where they brought two mattresses and sheets so we could sleep in a more restful way. Hot shower, kitchen, talks about Portugal and firefighters and then we went to rest for the next day when we faced an emotional farewell with some good advice for the best route, candy, aspirin, a group photo with the graffiti/mural of the association, an image of Jesus for protection, cloth badges and the best … a call to Irapuato’s fire department to say we were on our way there and that they would be waiting for us.

And so, guided by Rogerio on his bike to the main village road, we took the paid higway. After the triumphant entry into Mexico, we returned to our life of crime to ride the paid highways of this country. A little anxious about crossing tolls soon we were relieved when the police car officers waved in a friendly manner, and then the toll attendant only made us the ususal curious questions. The shoulder could not be better, and interestingly the highway only had one track per side without any central protection. But traveling on a highway is traveling on a highway, no houses, people or shops, nothing to see, a real hassle, so it was with relief that we entered the city of Salamanca, where after a small snack we took the normal road, this time with two tracks for each side and a central protection, leaving us truly shuffled with the Mexican road situation.

Already in Irapuato, it was very strange to get there and having the firefighters say “come in, come in”, without having to ask for anything, but after a few minutes we were more comfortable with the huge amount of firefighters in the huge headquarters. Then we discovered that these were municipal firefighters and so have more paid people and more conditios than most of the volunteer ones. But that did not stop them to sploil us in every way they could.

The bathroom closed while we were having a shower of hot water, a storage room to put our bikes, a clean bed in a different warehouse so that we could have more privacy, a number of little luxuries that culminated when they took us by car to the city center and left us with Martim and Jorge and to serve as tour guides. It was Sunday, the night was warm, old couples danced to the sounds of cumbias in the main square, and while showing us the main monuments of the city, including the dancing fountais, we could see the difference of a Sunday night in Portugal, the streets were full of people and animation. The next day Ventura and his wife Genoveva escorted us through the traffic to exit the city.

But the adventure does not end here, this headquarters called the fire department of Guanajuato and then arranged a place for us to stay for three nights, since we wanted to have time to visit the city. And so, after one of the biggest days of traffic, passing through some frightening tunnels, but also beautiful landscapes of golden fields, we got to the headquarter where we were greeted with all the perks, and this time also with internet, and where Charlie and the Commander used the phrase that comes from the mouth of all Mexicans on these occasions: “esta es su casa” (this is your home).

If any of the firefighters who welcomed us is reading this, our thanks!

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