Não há bilhetes para o ferry | No tickets for the ferry

A Baja California é uma península que termina em Los Cabos, onde se localiza o famoso Cabo San Lucas, terra de ricos e famosos, apelidada por muitos de pequena américa. Será bonito, rico, fabuloso, mas não é muito a nossa praia, e por isso fizemos de La Paz o nosso destino final na Baja. Aqui é o sítio onde se apanham os ferries para Mazátlan, já no México continental. Para nosso azar (ou sorte), chegámos a La Paz no dia 8 de Dezembro e descobrimos que os bilhetes estavam esgotados até meio de Janeiro. Pela primeira vez, desde o início da viagem, perdemos o nosso sentido de liberdade. Com as bicicletas não estamos dependentes de horários, autocarros, ou outros meios de transporte que nos levem onde queremos ir. Decidimos o que queremos fazer e vamos, mais devagar, é certo, mas chegamos. Desta vez havia uma enorme impossibilidade de pedalar até ao nosso destino desejado. Que fazer?

Tínhamos várias opções, que fomos equacionando, descartando, voltando a pôr na mesa. Os vôos para Guadalajara não eram caros, mas com todo o peso que temos que levar o preço revelava-se excessivo para o nosso magro orçamento. Há outro ferry para uma localidade mais a Norte, chamada Topolobampo, de onde teríamos que pedalar 400 km extra, ou então apanhar um autocarro, o que tornaria a viagem muito cara. E depois alguém nos deu a solução:

Apanhar uma boleia de barco!

Nunca tal nos tinha passado pela cabeça, era inimaginável, mas realizável. Pelo menos já o tinham feito uma série de ciclistas antes de nós. Qual o modus operandi? Ir à marina La Paz às oito da manhã, fazer um pedido no programa da manhã, colocar um anúncio nos placards das várias marinas, ir à hora do café começar a falar com as pessoas, até conhecermos alguém que nos queira levar para o outro lado. Escrever o anúncio e pendurá-lo implicou apenas folhas de papel, duas canetas e um passeio de bicicleta entre as várias marinas. O anúncio já foi mais difícil, mas fomos ajudados por um dono de um barco que nos deu a palavra. O pior foi a parte de fazer social na marina. Ambos de feitio tímido e pouco dados a conversa de ocasião, navegámos entre os vários americanos e canadianos, sem saber muito bem o que fazer. Safaram-nos as bicicletas, que são sempre um bom tema de conversa, e o Don, que nos abordou e decidiu dar-nos uma boleia até Barra de Navidad, já a Sul de Mazátlan e Puerto Vallarta. Não era o destino desejado, mas também nos permitia descobrir outras terras igualmente interessantes no Continente. Chegámos a La Paz num Domingo, conseguimos a boleia na Quarta, mas só partimos uma semana depois, graças aos ventos fortes que se faziam sentir no Mar de Cortez. De acordo com os planos do Don e do Doug (boat buddies), o objectivo era chegar a Barra de Navidad um ou dois dias antes do Natal.

Enquanto aguardávamos ansiosamente pela nossa primeira experiência num veleiro, aproveitámos a imensa hospitalidade da Glenda, a única warmshowers de La Paz, que recebe todos os ciclistas de coração aberto. Na semana e meia que lá passámos ficaram na casa dela mais dezasseis ciclistas, que vimos partir sucessivamente pelos mais diversos meios, a quem ela mimou com almoços e jantares, idas às compras, suprindo de forma descontraída todas as nossas necessidades. A visita mais especial de todas foi à praia Balandra, um pequeno paraíso de águas cálidas e transparentes, com pássaros de bicos vermelhos, caracóis do mar, ouriços, raias, peixes variados e os habituais pelicanos. Para nossa grande sorte fomos contemplados com duas idas!

La Paz é mesmo o que o nome indica, uma cidade pacífica, tranquila, dona de um Malécon (passeio ribeirinho/paredão) lindíssimo, ainda por cima com uma ciclovia, rodeado de restaurantes, bares e pequenas lojas. Provavelmente por influência das marinas e do turismo americano tem várias lojas de cadeias internacionais, mas muitos restaurantezinhos de comida mexicana. Por aqui o mais típico são os deliciosos ceviches de marisco, com os quais nos regalámos logo no dia em que chegámos, mas também tacos de pescado e carne arrachera. Também aproveitámos para ir ao cinema, ver o Machete Mata, uma brilhante comédia do Robert Rodriguez, que tinha legendas e não dobragens, a que assistimos com um interesse acrescido por parte ser passada no México.

Foi também na pacata La Paz que celebrámos um ano de casados, na companhia da Glenda, que disponibilizou a sua casa para a festa, do Virgil e da Marion, do Bryan e da Maggie, da Uschi e do Dave, e de uma carne de porco à Alentejana, um arroz doce e um bolo de bolacha, pelas mãos do chef Pedro, de comer e chorar por mais.

E assim, em menos de nada, passou a semana de espera até à viagem de barco. Ansiosos, excitados, preocupados, contentes e sem a mínima noção do que nos esperava, estes dois marinheiros de água doce embarcaram na terça-feira à noite a bordo do Antara com destino a Barra de Navidad.

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Baja California is a peninsula that ends in Los Cabos, home to the famous Cabo San Lucas, land of the rich and famous, called by many as small America. It might be beautiful, rich and fabulous, but is not something we really like, and so we made of La Paz our final destination in the Baja. Here is the place where you catch the ferry to Mazatlan, already on Mexico mainland. To our bad (or good) luck, we arrived to La Paz on the 8th of December and discovered that tickets were sold out until mid-January. For the first time since the beginning of our trip we lst our sense of liberty. With our bikes we are not dependent on timetables, buses, means of transportation to take us where we want to go. We decide what to do, and we go, slower of course, but we get there. This time we had a huge impossibility of cycling separating us from our desired destination.

What to do?

We had several options, we were equating, excluding and putting back on the table. The flights to Guadalajara were not expensive, but with all the weight we have to take, the price turned out to be too much for our meager budget . There is another ferry to a location further north, called Topolobampo, where we would have to ride some extra 400 km, or take a bus, which would make a very expensive trip. And then someone gave us the solution:

Catch a boat ride!

Something like that had never crosse our minds, it was unimaginable, but feasible. At least it was done by a lot of cyclists before us. What is the modus operandi? Go to Marina La Paz at eight in the morning, make an announcement on the morning program via radio, put some adds on the boards at various marinas, go to coffee time time and start talking to people, to meet someone who wants to take us to the other side. Writing the announcement and hang it meant only some sheets of paper, two pens and a bike ride between the marinas. The announcement was a little more difficult, but were helped by an owner of a boat that gave us the word. The worst part was the social at the marina. Both of us have a shy temper and little or no talent to make small talk, we sailed across the various American and Canadian, not quite knowing what to do. What got us away was the bicycles, which are always a good topic of conversation, and Don, who approached us and decided to give us a ride to Barra de Navidad, South of Puerto Vallarta and Mazatlan. It was not our desired destination, but it would allow us to discover other equally interesting lands on the continent. We arrived to La Paz on a Sunday, got a ride on Wednesday, but we left only a week after that, thanks to the strong winds that were felt in the Sea of Cortez . According to the plans of Don and Doug (boat buddies), the aim was to reach Barra de Navidad one or two days before Christmas.

While we waited eagerly for our first experience on a sailboat, we took Glenda’s immense hospitality, the only warmshowers in La Paz, which receives all cyclists with an open heart. In the week and a half that we spent there, there were sixteen more cyclists in her house, that we saw successively leaving by various means, and whom she spoiled with lunches and dinners, shopping trips, supplying all our nees in a relaxed way. The most special of all was visiting the Balandra beach, a small paradise of warm transparent waters, birds with red beaks, sea snails, urchins, manta rays, various fish and the usual pelicans. To our great luck we were awarded two trips !

La Paz is just what the name implies, a peaceful, quiet town, owner of a beautiful Malecón (promenade / pier), with a bike lane, surrounded by restaurants, bars and small shops. Probably under the influence of the marinas and american tourism it has several shops of international chains, but also many little restaurants of Mexican food. Here the most typical food is the delicious seafood ceviches and cocktails, that we tried in the day we arrived, and also fish tacos and arrachera meat. We also took the opportunity to go to the movies, to see Machete Kills, a brilliant comedy from Robert Rodriguez, who had subtitles and no dubbing, and that we saw with an increased interest because part is filmed in Mexico.

It was also in the quietness of La Paz that we celebrated a year of marriage, in the company of Glenda, which provided her home for the party, Virgil and Marion, Bryan and Maggie, and Uschi and Dave, and some delicious traditional portuguese dishes by the hand of chef Pedro, such as carne de porco à alentejana, arroz doce and bolo de bolacha.

And so, in no time, the week went by, waiting until the boat trip. Anxious, excited, happy and without the slightest notion of what awaited us, these two Landlubbers embarked on Tuesday night aboard the Antara, bound for Barra de Navidad.

 

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