De Monterrey a Long Beach | From Monterey to Long Beach

Depois dos dias de hospedagem magnífica por obra do acaso, já mais ninguém nos convidou para ficar em suas casas, mas tomámos partido dos parques do Estado da California. Quer dizer, num deles tomámos partido porque, apesar de já estar encerrado para a temporada, como já se fazia noite a responsável deixou-nos lá ficar na mesma sem pagar nada. No outro, tomaram partido de nós, já que nos cobraram 35 dólares por um minúsculo pedaço de gravilha inclinada, que felizmente partilhámos com outro ciclista, dividindo assim o astronómico custo. Também não tínhamos alternativa, a esse chegámos era já noite escura.

Nos restantes dias ficámos com o Mark, que tínhamos conhecido na Vírginia, em Cambria, com o Clement em San Luis Obispo e com a Annie, uma ferverosa apoiante do Obama, em Guadalupe, estes dois últimos do site warmshowers. Ao longo destes dias fomos descendo a nem sempre solarenga, mas incrivelmente bonita, costa da California. Vimos pela última vez uma floresta de redwoods no Big Sur, viajámos numa das estradas mais deslumbrantes por onde já passámos, nos contornos e recortes de uma escarpa, por cima de falésias gigantes, em estradas de berma inexistente, entre mil e uma curvas. Numa das descidas ao nível do mar deleitámo-nos com algo raro, uma colónia de elefantes marinhos! Estes animais, em tempos extintos, gozam de um estatuto de protecção e talvez por isso, não têm medo de pessoas. A praia está interdita, mas é possível ver os animais no seu habitat natural, a menos de dois metros, através de um passadiço que percorre parte a praia. E ali estão eles, roncam alto, acasalam, lutam uns contra os outros e arrastam o corpo pela areia de forma bastante cómica, enquanto se deslocam, todos com o mesmo nariz engraçado.

A sul de São Francisco existem vastas extensões de terreno bem plano, que é ocupado por plantações a perder de vista. Alfaces, tomates, alcachofras e morangos, montes de morangos, que impregnam o ar com o seu cheiro de tal maneira, que a vontade de os comer se apodera de nós. Felizmente, os produtores vão colocando barraquinhas à beira da estrada, onde os seus empregados mexicanos vendem as sobras agrícolas.

À chegada a Santa Bárbara passámos por uma cidade universitária, cheia de ciclovias e um trânsito de bicicletas do mais espantoso que já vimos. Quase todos se deslocam de bicicleta, com as beach cruiser como grande tendência, a altas velocidades, sem capacete, e sem olhar para os ciclistas que vêm em sentido contrário. Chegou quase a ser stressante, ter que acompanhar aquelas velocidades nas nossas bicicletas tão carregadas, e dar o nosso melhor para evitar acidentes.

E assim nos fomos aproximando cada vez mais desse mítico lugar que os locais apelidam de SoCal – ou Southern California (Califórnia do Sul), onde o estilo de vida passa a ser dominado pelo dinheiro, onde o carro é rei, onde as pessoas vivem mais para o seu próprio umbigo e são mais indiferentes ao que se passa à sua volta.

E com esta chegada a SoCal, veio também a travessia da famosa cidade de Los Angeles!

Estávamos mentalmente preparados para o desafio. Os nossos mapas levavam-nos grande parte do caminho por ciclovias junto à praia, e apenas uns 30 quilómetros por dentro da cidade, que ambicionámos não serem assim tão maus. Já levamos mais de cinco meses de experiência em bicicleta, e até em Nova Iorque ciclámos, mas Los Angeles, e toda a sua área metropolitana continuavam a parecer uma grande besta que era necessário enfrentar, e que demoraria dois dias a vencer.

Respirámos fundo e começámos por uma área bastante agradável. Em Mailbu as casas são grandes, parte delas em cima da água, os automóveis são luxuosos e o surf omnipresente. E depois entrámos na ciclovia, que para nosso espanto seguia directamente pela areia, e assim passámos nas praias de Santa Mónica, palco da famosa série Marés Vivas, com um dos cais mais famosos do mundo, que já apareceu em filmes e mais filmes. Mais à frente atravessámos Venice Beach, onde vive o Hank Moody, na série Californication, e que tem um passadiço com as mais bizarras lojas, artistas de rua, tatuadores, e muitos sem-abrigo.

Depois foi altura de fazer um pequeno desvio, para contornar a marina, e entrámos já um bocadinho por Los Angeles, mas nada de muito stressante. Voltámos à ciclovia e seguimos por Manhattan Beach, Hermosa Beach e Redondo Beach, onde o passadiço dá directamente para o pequeno quintal das milhentas casas, todas coladas umas às outras e a menos de dois metros da praia. Algumas pessoas já se começavam a preparar para o Halloween em grande estilo!

E finalmente chegou a altura de enfrentar o trânsito angelino! Por entre avenidas, pequenas casas de bairro, viadutos, vias rápidas, lá fomos abrindo caminho. Alguns condutores apitavam, outros esperavam pacientemente. Alguns bairros tinham aquele bom aspecto de subúrbio do Modern Family, outros faziam-nos não querer parar muito tempo. O Pedro tomava a via de forma segura, eu ia atrás dele cheia de medo de que um carro me batesse, que alguém abrisse uma porta, que algum acidente acontecesse. Pelo meio de uma grande avenida eram as entradas e saídas para a auto-estrada, e eu aterrorizada, mas não querendo dar parte fraca lá seguia pelo meio do trânsito massivo. No geral não foi assim tão mau, mas o factor psicológico teve uma grande influência na experiência, isso e o vento de trás que nos deu uma grande ajuda a atingir velocidades adequadas ao trânsito na cidade. Foi por isso com grande alegria que chegámos finalmente a casa do Ken e do Kenny que nos albergaram da melhor forma nessa noite, já na cidade adjacente de Long Beach.
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After days of magnificent hosting by chance, no one else invited us to stay at their homes, but we took great advantage of the parks in the State of California. I mean, in one of them we took advantage because, despite already being closed for the season, as it was already night the host let us stay there without paying any. On the other hand, in one of them they took advantage of us, since they charged us $35 for a really small piece of sloping gravel, that luckily enough we shared with another cyclist, thus dividing the astronomical cost. But we had no choice, when we arrived it was already dark night.

On the other days we were with Mark, we had known in Virginia, in Cambria, with Clement in San Luis Obispo and with Annie, a wonderful Obama supporter, in Guadalupe, the latter two from warmshowers site. During these days we went down the not always sunny, but incredibly beautiful coast of California. We saw the last piece of redwoods forest in Big Sur, we flew in one of the most stunning roads that we had passed, in a road that follows all the contours and cutouts of an escarpment, on top of giant cliffs, with a non existent shoulder, through a thousand of curves. In one of our descents to sea level we delighted at something rare, a colony of elephant seals! These animals, that were almost extinct, enjoy a protection status and are currently not afraid of people. You can’t walk on the beach, but you can see animals in their natural habitat, less than seven feet away, across a footbridge that crosses part of the beach. And there they are, snoring loudly, mating, fighting against each other and dragging their body across the sand in a very comic way while moving, all with those cut noses.

South of San Francisco there are vast tracts of plain land, which is occupied by huge plantations where one can’t see the end. Lettuce, tomatoes, artichokes and strawberries, heaps of strawberries, which permeate the air with their scent so that the desire to eat them overpowers us. Fortunately, the producers will put stalls on the roadside, where his Mexican employees sell fresh agricultural leftovers.

Upon arrival in Santa Barbara we passed one university town, full of bike paths and bicycle traffic of the most crazy we’ve ever seen. Almost all moving around in bikes, beach cruisers were the big trend, at high speeds, without a helmet, and without looking for cyclists coming the other way. It was almost stressful, having to cycle at those speeds on our heavy loaded bikes, and do our best to prevent accidents.

And so we went closer and closer to that mythical place that locals call SoCal – Southern California, where the lifestyle is now dominated by money, where the car is king, where people live more turned to their own and are more indifferent to what is happening around them.

And with this arrival in SoCal, also came the passage through the famous city of Los Angeles!

We were mentally prepared for the challenge. Our maps took us much of the way by bike paths along the beach, and only about 20 miles inside the city, which we wished were not be so bad. We already had more than five months of experience in bicycle, and we cycled in New York, but Los Angeles, and the whole metropolitan area still seem to be like a great beast that was necessary to face, and that it would take two days to win.

We took a deep breath and started with a very nice area. In Mailbu houses are large, some of them by the water, the cars are luxurious and surf is ubiquitous . And then we entered the bike path, which to our amazement followed directly by the sand, and so we passed the beaches of Santa Monica, the stage of the famous Baywatch TV show, with one of the most famous pier in the world, who has been set to hundreds of movies. Ahead we crossed Venice Beach, where Hank Moody from Californication TV show lives, and that has a walkway with the most bizarre shops, street artists, tattoo artists, and many homeless people.

Then it was time to make a little detour to get around the marina, and we entered a little in Los Angeles, but nothing too stressful. We went back to the bike path and headed to Manhattan Beach, Hermosa Beach and Redondo Beach where the boardwalk leads directly into the small backyard of hundreds of houses, all side by side and less than seven feet from the beach. Some people had already started to prepare for Halloween in big style!

And finally it’s time to face the angelino traffic! Through avenues, small houses, neighborhoods, overpasses , expressways, there we went. Some drivers honked, others waited patiently. Some neighborhoods had that nice Modern Family suburb look, others made us not want to stop too long. Pedro took the road safely, and I followed him full of fear that a car might hit me, that someone opened a door, that some accident might happen. By means of a great avenue there were the entrances and exits to the highway, and I, terrified, but not wanting to show it, followed through the massive traffic. Overall it was not that bad, but the psychological factor had a major influence on the experience , and the wind in our backs gave us a major help to reach appropriate traffic speeds in the city. It was therefore, with great joy that we have finally reached the home of Ken and Kenny who harbored us in the best way that night, already in the adjacent town of Long Beach.

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