Coincidências, ou o mundo é mesmo pequeno I | Coincidence, or the world is really small I

Durante os dias que passámos em São Francisco, o Jim andou preocupado com o paradeiro da Nikki. Tinham deixado de andar juntos a dois dias de caminho da cidade, e a Nikki tinha encontrado alguém com quem ficar, mas ficou incontactável durante uns dias. Apenas no dia da nossa partida voltou a dar sinais de vida e apareceu na sua bicicleta, para se despedir de nós. Foi então que nos disse que tinha conhecido um rapaz muito simpático, que lhe deu guarida e que a levou a um festival de música no meio das montanhas. Feitas as despedidas rumámos a Half Moon Bay, e no dia seguinte em vez de fazermos as compras na cidade resolvemos fazer um pequeno desvio até San Gregorio para nos abastecermos.

Na loja, que também é uma livraria e um bar, estava um casal a jogar scrabble, que me (Sara) interpelou com as perguntas do costume acerca da nossa viagem. No meio da conversa, o rapaz resolveu dizer que no fim-de-semana anterior tinha dado guarida a uma jovem ciclista, de 21 anos, australiana, que tinha percorrido a costa entre Vancouver e São Francisco. Por um segundo ainda pensei: “olha que bom samaritano!”, mas depois era coincidência a mais para o eu cérebro não processar, e num quase grito soltei um: “Nikki!?!”.

Não acredito”, foi a resposta do Nick, “vocês conhecem a Nikki?”, e lá partilhámos as nossas respectivas histórias de como tínhamos conhecido a Nikki e de como ela tinha andado desaparecida. Daí até o Nick nos sugerir que naquela noite deveríamos ficar, ou pelo menos ir jantar, com o seu primo Evan em Santa Cruz, foi um instante. Nós não nos fizemos rogados, e no meio de alguns telefonemas aproveitámos a generosa oferta, e foi assim que ficámos a conhecer o Evan, a Heidi, a Laina e a Michelle.

Há uns anos atrás, quando nasceram os seus primeiros filhos, a Heidi resolveu transformar a sua casa num infantário, e desde então tem sempre as suas 12 a 14 vagas preenchidas. E que amorosas e divertidas são aquelas crianças! Em vez de seguir um currículo com conhecimentos, a Heidi dá primazia à independência e autonomia das crianças. E lá tínhamos uma das mais pequeninas já de garfo em punho a tentar comer pequenos pedaços de maçã, e os mais velhos no quintal a andar de triciclo, enquanto outras meninas pintavam. Uma alegria de ver! E o bem que cheirava aquela casa? Nem cocó de fraldas, nem leite azedo, nem lixívia ou detergente em demasia, aliás, quando ali entrámos à noite, o único indício de bebés era um penico na casa-de-banho.

Assim que chegámos sentámo-nos para jantar e a mesa estava já ocupada pela Irene e pelo Marco, um casal de italianos que iam ficar por ali mais uns dias, em regime de couchsurfing. Como não tínhamos tido tempo para ver Santa Cruz, pedimos para ficar mais uma noite. Para não tirarmos a tralha das nossas bicicletas, a família emprestou-nos umas beach cruisers que, em conjunto com os italianos, alegremente levámos para a marginal, onde nos passeámos pelo parque de diversões, pelas docas, com os seus leões marinhos em descanso indolente, pelos surfistas que entram na água pelas rochas, pelo farol e por um parque natural onde as borboletas monarcas regressam todos os anos para passar o Inverno. Ainda antes de voltarmos a casa, fizemos uma visita ao mercado de agricultores onde comprámos os ingredientes necessários para o Pedro fazer um típico jantar português: peixinhos da horta com arroz de feijão!

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During the days we spent in San Francisco, Jim was really concerned about the whereabouts of Nikki. They had ceased to cycle together two days before arriving in the city, and Nikki had found someone to stay, but was unreachable for a few days. Only on the day of our departure did she gave signs of life and appeared on her bike, to say goodbye to us. Then she told us she had met a very nice young man, who gave her shelter and took her to a music festival in the mountains. After all the goodbyes we headed to Half Moon Bay, and the next day instead of doing shopping in town we decided to make a small detour to San Gregorio.

In the general store, which is also a bookstore and a bar there was a couple playing scrabble, that started talking to me ( Sara ) with the usual questions about our trip. During the conversation, the young man said that on the weekend before he had given shelter to a young 21 years old Australian cyclist , who had cycled the coast between Vancouver and San Francisco. For a second I even thought, “what a good Samaritan” but after that my brain came to a conclusion and I said with awe “Nikki!?!”.

“I can’t believe” was Nick’s reply, “you know Nikki?”. And there we shared our respective stories of how we had met Nikki and how she had been missing in San Francisco. Nick then suggested that we should stay, or at least have dinner with his cousin Evan in Santa Cruz. After a few phone calls to confirm his availability, we took that generous offer, and that’s how we got to know Evan, Heidi, Laina and Michelle.

A few years ago, when her first children were born, Heidi decided to transform their house into a day care, and since then all then she has always 12 to 14 children to take care off during the day. And how lovely and fun are those kids! Instead of following a curriculum with stuff to learn, Heidi gives primacy to the independence and autonomy of the children. And there we had a little one grabing her fork and trying to eat small pieces of apple, while the oldest children rode some trycicles in the yard, and some other girls painted. A joy to see! And the smell of the house? Not pooping diapers, or sour milk, or too much detergent or bleach. In fact , when we entered there at night, the only hint in the house was a potty in the bathroom.

Once we arrived we sat down for dinner and the table was already occupied by the Irene and Marco, an Italian couple who were staying there for another few days, using couchsurfing. As we had not had time to see Santa Cruz, we asked to stay another night. The family lent us some beach cruisers, so that we didn’t had to unpack our stuff from our bikes, and together with the Italians we happily stroll to the boardwalk, where we cycled in the amusement park, through the docks, with its sea lions resting in an indolent way, we passed by surfers entering the water through the rocks, the lighthouse and the natural park where monarch butterflies return each year to spend the winter. Just before we return home, we paid a visit to the farmers market where we got the ingredients needed for Pedro to do a typical Portuguese dinner ingredients: fish from the garden with rice and beans!

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