Um descanso forçado | An imposed rest

Lembram-se da descida de Vesuvius? A tal que deixa incandescentes os aros das rodas? Na minha roda em particular deixou algo mais. O calor em abundância foi letal para a integridade do alumínio do aro da roda traseira da Sabrina.

O resultado começou a fazer-se sentir um par de dias depois da descida demoníaca: uma oscilação ressonante da bicicleta a certas velocidades e o uso do travão de trás cada vez mais heterogéneo, com picos de travagem cadenciados, tornava-se numa condição de preocupação crescente. Numa primeira análise: o aro tinha alargado junto à válvula. Tentei, na paragem em Max Medows, apertar o aro no ponto em que tinha alargado, mas mal o coloquei e enchi o pneu, a barriga no aro reapareceu.

Pela altura em que havíamos passado Medowview já não confiava no travão de trás com medo do seu uso resultar numa roda destruída no meio de um sítio belo e incrivelmente isolado, e restava-me usar exclusivamente e abusar do travão da frente. Foi neste contexto, com medo de fazer descidas e depois de fazer uma das mais longas subidas de generosa inclinação, sob temperaturas a rondar os 40 ºC e com a humidade caraterística da Virgínia sub-tropical, que nos atrasámos a ponto de esperarmos chegar ao nosso destino depois do por-do-sol e aceitarmos a boleia da Barbara até ao outro lado da Big A mountain.

O nosso destino era Council. Uma pequena povoação encaixada entre as montanhas Allegheny cujo parque é hospitaleiro e acolhe ciclistas e caminhantes. Chegámos a poucos instantes do sol se por, e como tal instalámo-nos o melhor que conseguimos e descansámos de um dia cheio de altos e baixos. No dia seguinte, como havíamos planeado um dia de folga, resolvi desmontar o pneu da roda e aferir a gravidade do dano. Após retirar o pneu e a fita do aro, verifico o pior: o aro está rachado na zona da válvula num espaço entre 3 a 4 raios. Sem grande alternativa, tento reforçar o aro com fita, mas tal talvez me permita adiar o seu fim anunciado uns quilómetros mais, mas sem o uso total do travão. Agastado com o destino da minha roda, e sem o uso da piscina (pois fecha à segunda-feira) descansámos e relaxámos como pudemos, lendo e jogando cartas. Entretanto um dos rapazes, o C. J., que fazia trabalho de verão para o parque, veio  apresentar-se e na conversa lá desabafei o meu infortúnio. Ele disse-nos que o único sítio onde comprar uma roda nova seria numa cidade a mais de 60 milhas, na direcção de onde haviamos vindo! Perguntei se haveria algum sítio com internet ou wi-fi que pudessemos utilizar, e pelos vistos o único sítio seria o citizen center na entrada do parque, e ele iria saber se o poderíamos usar.

O tempo passava, e sem novidades do C. J.,  resolvemos ir falar com a senhora que trabalhava no parque e que estava no edifício da piscina, mesmo em frente ao abrigo que ocupámos. Após ouvir o nosso problema, a Amanda pega no seu telefone e entrega-nos para podermos encomendar algo da internet, e volta ao seu trabalho. Assim consegui encomendar uma roda de qualidade suspeita, mas que pelo menos permite o uso do travão! O novo problema seria que teríamos de ficar no parque pelo menos mais duas noites, pois a entrega mais rápida seria 2 dias depois e restava-nos  esperar. Felizmente no dia seguinte a piscina estava aberta e isso oferecia-nos um programa aliciante!

O dia na piscina foi óptimo e providencial com o seu bar com comida rápida e saborosa, com os banhos interrompidos com as ordens de saída de dentro de água à passagem de cada tempestade e chuva passageira.

No dia seguinte deveria chegar a roda. Com ela encomendei uma câmara de ar com válvula presta , mais fina que as válvulas shradder que usamos, não fosse o aro novo ter um furo fino… Antes de almoço chegou a primeira parte da encomenda pelas mão do C.J.: a câmara de ar! Mas da roda nem sinal. O senhor da UPS disse que deveria vir noutro carro, e que iria comunicar com o outro condutor para o informar onde teria de a deixar. Quando finalmente ele deu com o parque já eram quatro da tarde e tendo ainda que afinar a roda e montar tudo, restava-nos um dia mais no parque.

Saímos no dia seguinte com menos tempo, mas mais seguros e com novos amigos! Obrigado C. J., Amanda e a todas as gentis pessoas que fazem o parque de Council ainda melhor do que podiamos esperar!

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Remember the descent of Vesuvius? The one that leaves the wheel rims incandescent? In my particular wheel it left something else. The warmth in abundance was lethal to the integrity of Sabrina’s aluminum rear rim.

The results began to be felt a couple of days after the demoniac descent : a resonant oscillation of the bike at certain speeds and the use of the rear brake increasingly heterogeneous, with cadenced peak braking becoming a condition of growing concern. In an initial analysis: the rim had swollen along the valve. I tried in the stop in Max Medows, to squeeze the rim at the point it had widened, but just as I’ve replaced and filled the tire, the belly reappeared in the rim.

By the time we were past Medowview I no longer trusted the rear brake, afraid that it’s use would result in a destroyed wheel in the middle of an incredibly beautiful and isolated place,which left me only with the front brake to use and abuse of . In this context, afraid to make descents and after making one of the longest climbs of generous inclination, at temperatures of around 40º C and with  the characteristic humidity of sub-tropical Virginia, we were late enough so we would get to our  destination after sunset, and was gladly we accepted a ride from Barbara to the other side of the Big A Mountain.

Our destination was Council. A small town, sandwiched between the Allegheny mountains, whose park is hospitable and welcomes cyclists and walkers. We arrived a few moments before the sun went down, and as such we settled ourselves the best we could for a rest of a  day full of ups and downs. The next day, as we had planned a day off, I decided to check the tire off and measure the severity of the damage. After removing the tire and rim tape, confirmed  the worse: the rim zone is cracked in a space between the valve, 3 to 4 spokes in lenght. Without much alternatives, I tried to strengthen the rim with tape, but this only might allow to postpone its announced death a few more miles, but without any use of the brake. Annoyed with the fate of my wheel, and without the use of the pool (it closes on Monday) we relaxed and we rest as we could, reading and playing cards. Meanwhile one of the boys, C. J., who was working for the summer in the park, comes to us and introduces himself, and I told him about my misfortune. He told us that the only place to buy a new wheel would be in a city more than 60 miles, in the direction from which we had come! I asked if there was any place with internet or wi-fi that we could use, and apparently the only place would be the citizen center at the park entrance, and he would find out if we could use it.

Time passed, and with no news from C. J.,  we decided to go talk to the lady who worked in the park and that was in the pool building, opposite the shelter where we were. After listening to our problem, Amanda picks up his phone and gives it us so that we would be able to order something from the internet, and returns to her work. So I could order a suspect quality wheel, but at least one which allows the use of the brake! The new problem would be that we would have to stay in the park at least two nights more because the fastest delivery would be two days later and we had to wait. Luckily the next day the pool was open and it offered us an exciting program!

The day at the pool was great and providential with the bar filled with fast  and tasty food, with swims interrupted with orders to exit the pool with the passage of each thunderstorm and rain showers passing by.

The next day the wheel should arrive. With it I ordered a tube with presta valve, thinner than the valves shradder we use, just in case the new rim has a thin hole… Before lunch came the first part of the order by C.J.’s hand: the tube! But no sign of the wheel. The guy from UPS said it should come in another car, and would communicate with the other car’s driver for him to know where he should  leave it. When it finally made it to the park, it was already four in the afternoon and with me still having to tune the wheel and mount everything on the bike, it left us with another night in the park.

We left the next day with less time but more secure and with new friends! Thank you C. J., Amanda and all the kind people who make the park Council even better than at first glance!

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