Da bondade alheia | Acts of random kindness

Lemos algures que fazer uma viagem de bicicleta equivale a restaurar a fé na humanidade! Pois até agora não temos saído desiludidos, todas as pessoas que encontramos são amáveis e gostam de saber a nossa história. Muitos condutores param os seus carros perguntando se precisamos de alguma coisa, ou de indicações, até uma luz traseira já nos deram! Há os que contactamos via internet (site warmshowers.org) e que nos recebem nas suas casas, há os que nos acolhem via outros conhecimentos que vamos travando, há o Dr. Lee, um médico que em tempos fez uma viagem com os filhos e que, tocado pela generosidade alheia começou a pescar ciclistas da estrada, de tal forma que o seu número de telefone é passado de ciclista em ciclista e com um simples telefonema temos um sítio para dormir. E depois há aqueles que surgem do nada. Foi o caso da Jebby!

Em casa da Cookie Lady havia alguns papéis com nomes e números de telefone de pessoas que albergam ciclistas viajantes. Um dos números era de um casal em Ellet e assim ajustámos a nossa rota para lá dormir. Por azar a resposta à nossa chamada era sempre da operadora dizendo que o número não tinha voice mail activo, ainda assim prosseguimos esperando que alguém na loja indicada no mapa conhecesse o casal. Evidentemente uma pequena cidade americana não é o mesmo que uma pequena cidade portuguesa e ninguém conhecia aquele casal. Continuámos viagem, já tarde, em busca de um sítio para pôr a nossa tenda e acabámos por bater à porta de uma igreja metodista, onde um grupo de fiéis estava reunido para os seus estudos bíblicos. O Pastor, muito simpaticamente, disse-nos que não tinha qualquer problema em deixar-nos acampar na parte de trás da Igreja, e disse-nos que voltássemos no fim da sessão para utilizar a casa-de-banho e provisionarmos alguma água, ainda nos convidou para nos juntarmos ao estudo da bíblia, convite que tivemos que declinar para atendermos a assuntos mais urgentes, como montar a tenda e fazer o jantar antes que escurecesse. Infelizmente a água da igreja tinha um sabor sulfuroso, mascarado por um ainda pior sabor a lixívia. A situação não era boa, não havia chuveiro nem casa-de-banho disponível, restava-nos pouca água boa e tínhamos chegado tão tarde que fomos dormir assim que despachámos todas as tarefas.

Antes de entrarmos na tenda chegou a Jebby, a vizinha do lado, que, no início disse que a tínhamos assustado pois não esperava ninguém. Respondemos que tínhamos tentado bater à porta, para saber se incomodávamos com a tenda ali, mas que ninguém tinha respondido. Aparentemente não havia nenhum problema, e ali estava uma fã de ciclismo profissional (coisa que obviamente não somos, mas que ajudou a criar alguma simpatia). Passados dez minutos voltou e disse que podíamos tomar um banho na casa-de-banho dela pela manhã. Que iria deixar a porta aberta e duas toalhas prontas. E assim fizemos, com muita alegria, pelo menos até sairmos de casa e estar a cair uma chuvada daquelas que deixam qualquer fã do ar livre de péssimo humor. Ouvimos o rádio, no dia seguinte a chuva ia parar, decidimos ficar mais um dia. Ligámos ao Pastor a pedir autorização e de seguida fomos bater à porta da vizinha. “Querem tomar o pequeno-almoço?” pergunta ela assim que nos vê, dizemos que já tomámos e explicamos a situação. “Ah! Claro que podem ficar! Entrem, querem ver televisão? Eu tenho que sair durante duas horas mas podem ficar à vontade”. E assim escapámos a um dia chuvoso, com wi-fi, roupa lavada pela máquina, almoço, jantar, pequeno-almoço no dia seguinte, e um quarto e uma cama fofa para dormir. A melhor parte foi, claro, conhecer a Jebby, a sua história, trocar pontos de vista sobre este país e fazer mais uma amiga!

A história não acaba aqui, um dia depois de termos deixado a casa dela o Pedro apercebeu-se que tinha deixado o seu e-reader em casa dela, ligamos-lhe e ela conduziu os kms necessários para o entregar ao Pedro.

E já agora deixamos a história da Barbara, uma professora primária reformada, já nos seus 79 anos, que saiu a correr de sua casa pedindo-nos para parar. Eram já 19h30 e ainda nos faltavam dez quilómetros de montanha puxada para subir. E se é certo que só anoitece perto das nove e meia, também é certo que com as subidas e quilómetros que já levávamos em cima, só chegaríamos ao destino já com noite cerrada. Pois a Bárbara aparece a acenar, diz que estamos perante uma valente subida e oferece-se para nos transportar na sua pick up até ao cimo da montanha. Acabou por nos deixar no destino, e foi maravilhoso poder gozar aquela grande subida dentro de um carro em grande velocidade (pelo menos para um ciclista!).

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We read somewhere that taking a bike trip equates to restore your faith in humanity! Until now we have not left disappointed, all the people we meet are friendly and like to know our history. Many drivers stop their cars asking if we need anything, directions, even to give us a back light for the bicycle! There are those we contact via internet (warmshowers.org site) and that host us in their homes, there are those who welcome us via some other people we meet along the way, there’s Dr. Lee, a doctor who once made a trip with his sons and who, touched by the generosity of others began fishing cyclists from the road. His phone number is passed from rider to rider and with a simple phone call we have a place to sleep. And then there are those that come from nowhere. That was the case with Jebby!

At the Cookie Lady’s there were some papers with names and phone numbers of people who harbor cyclists travelers. One of the numbers was from a couple in Ellet and so we adjusted our route to sleep there. Unluckily, in response to our calls, there was the same voice saying over and over, that the number had no active voice mail. Still, we proceed, hoping that someone in the convenience store nearby might knew the couple. Evidently a small American town is not the same as a small Portuguese town and no one knew them. We continued traveling, already late in the afternoon, in search for a place to put our tent and ended up knocking on the door of a Methodist church, where a group of worshipers were gathered for their Bible studies. The Pastor, very sympathetically, told us that he had no problem letting us camp in the back of the church, and told us that we could return at the end of the session to use the bathroom and to get some water, he also invited us to join the bible study, but we had to decline invitation to atend to more urgent matters, such has set up the tent and make dinner before it got dark. Unfortunately the Church water tasted sulfurous, masked by an even worse taste of bleach. The situation was not good, there was no shower or shower available, we were short of good water and we had arrived so late that we were going to sleep as soon as we finished all our tasks.

Before entering the tent Jebby, the next door neighbor, arrived and told us that we had scared her since she was expecting no one. We told her that we had knocked on the door to see if she would be upset with the tent there, but that no one had answered. Apparently there was no problem, and here was a fan of professional cycling (something that obviously we are not, but that helped create some sympathy). Ten minutes later she came back and said that we could take a shower in the next morning. she would leave the door open and two towels ready for us. And so we did, with joy, at least until we get out of her house and there was a pouring rain that would put any fan of the outdoors in a foul mood. We listened on the radio that on the next day the rain would stop, so we decided to stay one more day. We called the Pastor to ask permission and then went knocking on the neighbor’s door. “Do you want to take some breakfast?” She asks as soon as she opens the door, we say that we have already had breakfast and explain the situation. “Oh! Of course you can stay! Come in, do you want to watch some TV? I have to leave for two hours but you can stay and make yourselves at home. ” And so we escaped a rainy day, with wifi, laundry, lunch, dinner, breakfast the next day, and a bedrrom with a soft bed to sleep in. The best part was, of course, getting to know Jebby and her story, exchange some points of view about this country and make one new friend!

The story does not end here, the day after we left her house Pedro realized he had left his e-reader in her house, so we called and she drove all the miles needed to bring it back to Pedro.

There is also the story of Barbara, a retired elementary teacher, now with 79 years old who ran from her house asking us to stop. It was already 7:30 pm and we still had seven more miles of a steep hill to go. And if it is true that only gets dark around nine-thirty, it is also true that with the climbs and miles that we had already made that day, we would only arrive at our destination in the dark night. So Barbara appeared, nodding at us, and said that we are facing a tough climb and offered to carry us in her pick up to the top of the mountain. She ended up leaving us at the destination, and it was wonderful to enjoy the great climb in a car at high speed (at least for a cyclist!).

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