A caminho de Quilotoa I | On the way to Quilotoa I

Ao contrário da nossa anterior aventura, em que o tempo (meteorológico) esteve sempre a nosso favor, desta vez a viagem não ia ser tão fácil.

Saímos de Lasso com comida para dois dias e a expectativa de um dia longo mas com a vantagem de ter uma descida de quase 35 quilómetros pelo meio. O passe do dia subia a 3500 metros de altitude, e embora tivesse implicado algum esforço e vento de frente, o patchwork de pastagens, hortas e campos que compunha a paisagem compensava o esforço. Ao contrário do isolado Cotopaxi, passámos por algumas aldeias, compostas por indígenas, os seus campos de cultivo a alturas e em inclinações desafiantes, ovelhas e lamas.

Depois do passe descemos uns quilómetros e parámos para um snack ao sol, junto ao Luciano e à Sol, com quem continuávamos viagem. O tempo mudou rapidamente e foi ficando frio, e esperava-nos a descida, pelo que nos agasalhámos fortemente e continuámos. Um ou dois quilómetros abaixo começava um nevoeiro improvável. Imaginávamos a paisagem incrível mas não conseguíamos ver para além das bermas da estrada, os raros carros que passavam assinalavam a sua presença a uns meros três ou quatro metros, os cães e algumas vacas na estrada faziam anunciar a existência de casas e pequenos povoados, e de vez em quando famílias inteiras apareciam sentadas à beira da estrada, provavelmente esperando um qualquer autocarro que tardava. Todo o piso estava molhado e a estrada não tinhas as melhores condições e por isso não íamos tão depressa quanto gostaríamos.

Não havia sítios onde comer ou onde parar, era a floresta nublada em todo o seu esplendor, e só quando descemos abaixo dos 2800 metros passámos para baixo das nuvens e em vez de nevoeiro passámos a ter chuva, mas também pudemos ver os desfiladeiros verdes que nos rodeavam. Eram umas três e meia e morríamos de fome quando o Luciano disse que o que gostava era de ter um sítio abrigado para cozinhar qualquer coisa para o almoço. Vinte minutos depois o dono de uma pequena loja de beira de estrada punha à nossa disposição a sua cozinha e uma enorme porção de banana-pão. Com a mesma simpatia disse-nos que restaurantes só em Sigchos, e que até ao rio era descer, mas que depois a subida era terrível.

Com esta informação seguimos viagem, e do lado de cá já podíamos ver a pequena parede que íamos ter que subir do lado de lá. Curiosamente não foi tão difícil quanto o antecipado, mas mesmo assim ainda nos faltavam cinco quilómetros de subida e uma mera hora de luz. O último troço do caminho foi feito outra vez entre nevoeiro e chuva, e lá nos fomos arrastando, parando a cada 300 metros para recuperar forças enquanto pensávamos “só faltam mais dois quilómetros, só falta mais um e meio…” e lançávamos olhares esperançosos às pick-ups que passavam.

Rejubilámos quando vimos a placa de Sigchos e depois parecia que estávamos a entrar num filme de terror!

Toda a cidade estava envolta em neblina e até chegarmos perto do centro parecia abandonada, não se via vivalma na rua e as casas também não apresentavam sinais de vida. Às primeiras pessoas que encontrámos perguntámos onde ficavam os bombeiros, o que nos foram respondendo com alguma reticência, atitude essa que percebemos quando lá chegámos e estavam fechados. A partir daí mandaram-nos de sítio em sítio, uns mais simpáticos, outros tentando aproveitar-se da nossa condição, até que acabámos na casa camponesa, ou melhor casa-fantasma, onde adormecemos exaustos numa camarata vazia.

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Unlike our previous adventure, in which the weather was always in our favor, this time the trip would not be so easy.

We left Lasso with food for two days and looking forward to a long day but with the advantage of having a descent of almost 35 kilometers on our way. The pass of the day went up to 3500 meters of altitude, and although we had to do some effort and face a head wind, the patchwork of pastures, orchards and fields that composed the landscape were worth the effort. Unlike isolated Cotopaxi, we passed some indigenous villages, with their fields at heights and challenging slopes, sheep and llamas.

After the pass we descended a few kilometers and we stopped for a snack in the sun, next to Luciano and Sun, with whom we continued the trip. The weather changed quickly and was getting cold, so we put on the jackets preparing for a cold descent. One or two kilometers below began an unlikely fog. We imagined the incredible scenery but could not see beyond the road shoulder, the rare passing cars signaled its presence from a mere three or four meters, dogs and some cows on the road announced the existence of houses and small towns, and occasionally entire families appeared sitting beside the road, probably expecting some delayed bus. The entire floor was wet and the road didn’t have the best conditions and therefore we could not go as fast as we would like.

There were no places to eat or to stop, it was the cloud forest in all its splendor, and only when we got below 2800 meters and moved below the clouds the fog was replaced by rain, but we could finally see the green gorges around us. It was about half past three and we were starving when Luciano said that what he liked was to have a place sheltered to cook something for lunch. Twenty minutes later the owner of a small roadside shop put at our disposal his kitchen and a huge portion of plantain. With the same sympathy he told us that the only restaurants nearby were in Sigchos (9 Km away), and that the way was down to the river, and after that with a terrible climb.

With this information we continued, and on the side of the river we could already see the small wall that we would have to climb on the other side. Interestingly it was not as difficult as we anticipated, but at the end of it we still had five more kilometers to climb and a just one hour of light. The last part of the way was made again between fog and rain, and we were dragging from all the tiredness, stopping every 300 meters to regain strength as we thought “it’s just two kilometers more, it’s just one and a half …” and at the same time we kept looking at all the pick-ups passing with hope of somebody offering us a ride.

We rejoice when we saw the Sigchos board, and felt like we were entering a horror movie!

The whole city was shrouded in mist and until we get near the center it seemed abandoned, there was not a soul to be seen on the street and the houses showed no signs of life. At first, we asked the people we saw where was the firefighters headquarters, and they seemed evasive, attitude we understood when we got there and it was closed. From there they sent us from place to place, trying to find the key, talking to a man who tried to take advantage of our situation, on the cold in the night, until finally we found a peasant house, or rather ghost house, where we fell asleep exhausted in an empty ward.

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