A costa é tão quente, ou o périplo preguiçoso das suas principais cidades | The coast is so hot, or our lazy tour of its major cities

Três cidades ao longo da costa caribenha da Colômbia, cada qual com sua personalidade, mas todas igualmente quentes e húmidas, despertando em nós sentimentos de torpor, preguiça e languidez. Afinal de contas, quem é que quer andar de bicicleta com uma média de 45º graus debaixo de um sol escaldante, por mais plano que seja o terreno? E assim nos fomos demorando e demorando, adiando a partida por um dia e depois outro, porque não acordávamos cedo o suficiente e começar às dez da manhã equivale a entrar directamente num banho turco. E assim nos tardámos quase duas semanas a percorrer os 220 km quilómetros que distam entre Cartagena e Santa Marta, e quase mais uma semana até a nossa viagem voltar a “entrar nos eixos”.

Ainda que preguiçosos, aproveitámos para conhecer as cidades, provar bons petiscos, apreciar o silêncio de Galerazamba, uma aldeia de pescadores no meio do nada, onde alugar uma casa custa 8 € por noite, começar a entender as pequenas aldeias humildes da Colômbia, onde sabemos que estamos no centro pela acumulação de bici ou moto-táxis à espera de cliente, e gozar da companhia do Knut, um dos nossos companheiros do barco, do Edwin, que tão bem nos acolheu em Cartagena, e do Bryan e da Mailin, os nossos anfitriões em Santa Marta. Curiosamente, por duas vezes tivemos que dessalinizar as bicicletas, a primeira assim que chegámos a Cartagena, e ainda antes de nós próprios tirarmos o sal que nos cobria o corpo desde há cinco dias, a segunda depois de, por azar, termos passado nas estradas enlameadas de umas salinas. Felizmente desta vez descobrimos que em Santa Marta uns senhores nos podiam fazer o serviço por 2.000 pesos cada uma, num fabuloso total de 2,40 €, já com uma boa gorjeta incluída.

Em Cartagena fomo-nos despedindo aos poucos dos nossos companheiros de viagem, a tripulação que voltou ao Panamá, com novos passageiros, os que deixámos de ver assim que o capitão nos entregou os passaportes, os que ainda assistiram ao pôr-do-sol nas muralhas, os que finalmente rumo a Medellin e que esperamos voltar a ver algum dia.

Em Barranquilla o Pedro estreou-se na sua primeira queda, com um espalhafato inversamente proporcional à gravidade dos ferimentos (inexistentes), e logo no dia seguinte comemorámos o seu 37º aniversário passando a tarde no fresco ar condicionado de um centro comercial, onde comprámos um bonito e gostoso bolo de aniversário, que à noite comemos na companhia do Knut e de um belíssimo rum cubano.

Até que por fim, em Santa Marta parece que finalmente arrebitámos e começámos a perceber que o torpor caribenho vai ganhando energia à medida que começa a soprar a brisa fresca da tarde, para explodir na pista de dança a altas horas da noite, enquanto os corpos acompanham alegremente os mais variados ritmos de influência latino-africana, entre salsas, merengues, chumpetas, ballenatos, reggaes, cumbias, hip hop e até rock’n’roll. Uma visita de três dias ao Parque Nacional de Tayrona, gozando a praia, a floresta e os amigos e estávamos prontos para seguir caminho.

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Three towns along the Caribbean coast of Colombia, each with its own personality, but all equally hot and humid, awakening in us feelings of lethargy, laziness and languor. After all, who wants to ride a bike with an average of 45 degrees celsius under a scorching sun, even if the terrain is flat? And so we kept staying and staying, delaying our departure for a day and then another, just because we fell asleep and starting at ten o’clock equates to enter directly into a Turkish bath. And so it took us almost two weeks to complete the 220 kilometers to get from Cartagena to Santa Marta, and almost another week until our trip “fall back into place”.

Although lazy, we took the opportunity to visit the cities, taste good meals, enjoy the silence of Galerazamba, a fishing village in the middle of nowhere, where to rent a house costs 8 € per night, begin to understand the small humble villages of Colombia, where we know we are in the center by the accumulation of bike or motorcycle taxis waiting for customers, and enjoy the company of Knut, one of our shipmates, Edwin, who welcomed us so well in Cartagena, and Bryan and Mailin, our hosts in Santa Marta. Interestingly, twice we had to desalinate the bikes, the first as soon as we reached Cartagena, and even before we remove ourselves of the salt covering our entire bodies for five days, and the second, because by chance we passed on some muddy roads near a salt mine. Fortunately this time we found that in Santa Marta some gentlemen could do the job for us for only 2,000 pesos each, in a total of € 2.40, already with a good tip included.

In the meantime in Cartagena we said goodbye to a few of our fellow passengers that we stopped to see as soon as the captain handed us our passports, with the rest of it we watched the sunset at the walls, eventually the crew went back to Panama, and others went towards Medellin, the ones we hope to see again someday.

In Barranquilla Pedro debuted in his first fall with the fuss about it being inversely proportional to the severity of the injury (non-existent), and the next day we celebrated his 37th birthday spending the afternoon in the cool air conditioning of a shopping center, where we got one beautiful and tasty birthday cake, that we had later that in the company of Knut and a wonderful Cuban rum.

Until finally, in Santa Marta we got some of our energy back and finally we started understanding that the Caribbean torpor starts gaining energy as soon as a cool evening breeze begins to blow and late at night on the dance floor, while the bodies happily move to the most varied rhythms of Latin African influence, including salsas, merengues, chumpetas, ballenatos, reggae, cumbias, hip hop and even rock’n’roll. A three-day visit to the Tayrona National Park, enjoying the beach, the forest and friends and we were ready to finally leave the coast.

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