Entre León e Granada | Between León and Granada

A Nicarágua não é um país grande, de facto a Nicarágua tem um território vasto, mas uma grande parte é água (lagos) e quase metade do resto está praticamente fora de alcance. Nós ficámo-nos pela costa do Pacífico, mas para lá dos vulcões e das montanhas que funcionam quase como uma fronteira, começam as províncias autónomas do Atlântico que se estendem todo até ao mar e que são principalmente constituídas por selva e mangues. As viagens fazem-se essencialmente por via fluvial e a população, os miskitos, é totalmente diversa dos latinos do Pacífico.

As principais cidades deste lado do país são León e Granada, e entre estas está a capital Manágua com pouca ou nenhuma importância cultural ou histórica.

Chegámos a León num dia, curiosamente o Dia da Mãe, que aqui é tão importante que as escolas fecham para que as crianças possam ir com as suas mães para visitar as suas avós. Em todo o lado havia anúncios e promoções referentes ao dias e a movimentação de autocarros era intensa. Certamente foi o dia em que vimos mais bolos (tipo bolos de aniversário) a andar de um lado para o outro nas mãos dos traseuntes. Em contraste com o movimento nas estradas León parecia uma pequena aldeia, tal era a falta de carros e pessoas nas ruas. Nós ficámos para o fim-de-semana e a cidade tornou-se mais viva.

Esta é a cidade universitária da Nicarágua e também a que tem mais expressão artística e cultural. Além da grande catedral existem jardins com representações artísticas, cafés e restaurantes, teatros, uma grande reverência ao Ruben Dario, o poeta mais famoso da Nicarágua, visto em estátuas, praças, prédios e nomes de rua. Há também a fundação Ortiz-Guardián que hospeda o melhor museu de arte contemporânea da América Central e que tivemos o prazer de visitar e verificar que já fazia falta alguma cultura artística nas nossas vidas.

Mais dois dias de ciclismo e chegámos a Granada. No segundo dia passámos por Manágua, o que não foi tão mau como estávamos à espera e iremos sempre recordar o enorme prato de vigorón (torresmos com bananas e batatas cozidas e salada, servido em folhas de bananeira) que devorámos à beira da estrada às dez e meia da manhã.

À primeira vista gostámos muito de Granada, mas depois fomos ficando desapontados. Todas as cidades na Nicarágua foram destruídos nalgum momento de sua história, mas Granada foi capaz de reconstruir o seu centro histórico, de tal maneira que a catedral parecia ter sido inaugurada há um mês. As ruas em empedrado e os edifícios coloniais dão uma beleza palaciana à vegetação exuberante que cresce por toda a cidade, construída entre um vulcão e enorme lago Nicarágua.

Mas este é um lugar com pouca vida própria, com uma economia baseada no turismo. Há poucas famílias ou crianças, não é confortável andar sozinho à noite, há muitos bêbados, casinos e prostitutas.Mas temos que confessar que aqui comemos a melhor carne de toda a viagem aqui, sempre ladeada por enormes quantidades de arroz, feijão, salada e bananas fritas ou assadas.

Foi pois com grande alívio que apanhámos o barco para a ilha de Ometepe (há apenas dois por semana), um verdadeiro paraíso na terra, cujas histórias vamos contar nos próximos episódios.

 

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Nicaragua is not a big country, in fact Nicaragua has a lot of territory but a big part of it is water (lakes) and almost half of the rest is practically out of reach. We stayed on the Pacific coast but passing the volcanoes and the mountains that work almost as a border, starts the autonomous provinces of the Atlantic that go all the way to the ocean and that are mainly jungle and mangroves. Travelling is mostly made by river and the population, the miskitos, is totally diverse from the latinos of the Pacific.

The main towns on this side of the country are León and Granada, and between them the capital Managua with few to none cultural or historic importance.

We reached León in a day, curiously Mother’s Day, that here is so important that the schools close so that children can go with their mothers to visit their grandmothers. Everywhere we could see advertisements and promotions about it and the buses movement was intense. Surely it was the day we saw more cakes (like birthday cakes) moving around. In contrast with the movement on the roads León looked like a small village such were the lack of cars of people on the streets. We stayed for the weekend and the city became more alive.

This is the universitary town of Nicaragua and also the one with more artistic and cultural expression. Besides the big cathedral there are gardens with artistic representations, cafes and restaurants, theatres, a big reverence towards Ruben Dario, the most famous Nicaragua’s poet, seen in statues, squares, buildings and street names. There is also the Ortiz-Guardián foundation that hosts the best contemporary art museum of Central America and that we gladly visited, since we were missing some artistic culture in our lives.

Two more days of cycling and we reached Granada. On the second day we passed through Managua, which wasn’t too bad and we will always remember it from the big plate of vigorón (pork rinds with boiled bananas and potatoes, and salad, served on banana leaves) that we ate by the side of the road at ten thirty in the morning.

At first sight we really liked Granada but then we got disappointed. All the cities in Nicaragua were destroyed at some point of their history, but Granada was able to rebuilt its historic center in such a way that the cathedral looked like it was finished just a month ago. The cobblestone streets and the colonial buildings give an enormous beauty to all the exuberant vegetation that grows everywhere in the city built between a volcano and the huge Nicaragua lake.

But this is a place with little life of it’s own, with a tourism based economy. There are few families or children, it’s not comfortable to walk around alone as soon as the night falls, there are lots of drunk people, casinos and prostitutes. And yet we have to say that the food is really really good and that we had the best meat of the entire trip here, always sided by huge amounts of rice, beans, salad and fried or roasted bananas.

It was with great relieve that we took the boat to Ometepe island (there are only two per week), a true paradise on earth, whose stories we will tell on the next episodes.

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