Crocodilos e outros animais | Crocodiles and other animals

Relatos de assaltos, vontade de conhecer outros locais, demasiado tempo parados e eis-nos outra vez num autocarro a tentar cortar caminho entre Oaxaca e Tuxtla Gutierrez já no estado de Chiapas, esperemos que pela última vez nos próximos tempos. A juntar ao peso brutal no nosso parco orçamento, à sensação de ter aterrado num espaço diferente, à incerteza de caber tudo no porta-bagagens, adicionou-se o cansaço de uma viagem nocturna e o terror de ter visto, logo na primeira fila, o nosso motorista a ultrapassar camiões em curvas apertadas, sem qualquer visibilidade para eventuais aproximações de carros vindos do outro lado.

Mas chegámos sãos e salvos e gostámos de Tuxtla, depois da turística Oaxaca, soube bem estar outra vez numa cidade cidade, cheia de vida, incluindo a banda que tocava no coreto da cidade, onde resolvemos dar também um pezinho de dança para acompanhar a festa.

Além do mais era uma boa base para chegar ao Cañon do Sumidero. Assim, depois da aventura do autocarro resolvemos experimentar os colectivos, uma espécie de Toyotas Hiace, muito baratas, que circulam por uma rota definida, mas param onde quer que haja passageiros para entrar ou sair. Há algumas mais confortáveis que outras, mas todas tremem muito e os condutores são autênticos malucos a tentarem ultrapassar-se uns aos outros e ao restante mundo.

A cerca de 10 km e 12 pesos (€ 0,72 €) da cidade fica Chiapa de Corso, uma localidade histórica onde se apanha um barco que nos leva através do rio ao Cañon do Sumidero. Entrando no barco, junto ao ancoradouro, o rio é mais ou menos largo e tem quatro metros de profundidade, já quarenta quilómetros mais à frente o rio vai-se estreitando, com paredes de cada lado que chegam aos mil metros e com uma profundidade de duzentos e cinquenta. Em tempos de chuva há cascatas enormes, agora só a aparência das mesmas (uma delas parece uma árvore de Natal). Infelizmente, mesmo sendo uma área protegida, o rio está cheio de lixo, especialmente plástico, que ali chega por via das populações próximas, o que é uma verdadeira tristeza.

Mas o que verdadeiramente me (Sara) impressionou foi ver os animais que por aqui habitam, incluindo os que mais tenho temido ao longo da vida (sem razão para tal, diga-se em abono da verdade já que em Portugal só existem no jardim Zoológico), e que são os crocodilos. Pois chegámos bem perto e apesar de me sentir amedrontada, olhar para eles é irresistível. Também ajudaram as explicações do guia que disse que estes animais podem estar sem se mexer durante longos períodos de tempo, que podem ficar sem comer quase um ano, e que ficam com a boca aberta, não para terem um aspecto ameaçador, mas para regularem a sua temperatura. Neste rio há anualmente, já há 30 anos, uma competição de natação e de mergulho, em que o espaço se enche de gente, e não há registo de qualquer ataque a seres humanos.

O que me ajudou ainda mais a compreender, e até começar a sentir algum carinho, por estes animais tão sugestivamente ameaçadores, foi a visita ao Jardim Zoológico de Tuxtla no dia seguinte. O nosso guia informava que todos os zoos no México são deprimentes, com excepção deste e por isso resolvemos tentar um programa diferente, já que Tuxtla não tinha assim tanto que ver.

E valeu muito a pena, o zoo só tem animais do Estado de Chiapas, que por isso estão a viver num habitat mais natural, a maioria tem muito espaço, a visita sente-se mais como um passeio na floresta do que como um freak show. À solta há pássaros, veados e roedores, há um bando de pássaros interactivos que vieram atraídos à nossa mesa pelas migalhas que lhes lançámos e que acabaram a tentar roubar-nos as sandes, há gritos dos howler monkeys (macacos cujo nome não sei a tradução para português), que mais parecem tigres ou jaguares, e que emanam por todo o zoo de forma penetrante.

Mas as estrelas são mesmos os animais que não estamos habituados a ver, araras, águias, tucanos e quetzais, insectos, aranhas, cobras, animais noctívagos numa casa às escuras, tapires, macacos, coatis e os espectaculares pumas e jaguares. Esta visita também foi bastante informativa para saber o que nos espera se decidirmos acampar por aí. Já sabemos quais as aranhas e as cobras que são venenosas, mas também que a maioria dos bichos ou tem medo de nós, ou não tem interesse, ou só ataca se invadirmos o seu habitat. Esta última hipótese é bastante improvável já que nos afastamos pouco mais de dez metros da estrada.

E estes preceitos incluem também os crocodilos, onde só há relatos de ataques em Puerto Vallarta (muito a Norte daqui), porque há muitos turistas, pelo menos foi o que me disse a amável zeladora enquanto eu a bombardeava com perguntas deste género. Caymans, de pântano ou de rio, os crocodilos são um elemento essencial na manutenção do equilíbrio ecológico dos espaços onde vivem, e por isso é importante a sua preservação. Com uma nova simpatia pelos rasteirinhos (como lhes chamamos lá em casa), e informada de que dificilmente se cruzarão no nosso caminho, e muito menos nos atacarão, saí do zoo muito mais descansada. Se entretanto formos atacados por crocodilos, já sabem, foi tudo uma conspiração para nos fazer cair na toca do lobo!

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Reports of assaults, willing to see other places, standing too long in a place and there we were again, in a bus trying to cut short the route between Oaxaca and Tuxtla Gutierrez, already in the state of Chiapas, hopefully for the last time in the near future. To add to the brutal weight on our meager budget, the feeling of having landed in a different space, the uncertainty of fitting everything in the trunk, we joined the fatigue of an overnight trip and the terror of seeing, on the first row, our driver overtaking trucks in tight curves without any visibility of cars coming from the other side.

But we arrived safe and sound and, after touristy Oaxaca, we liked Tuxtla, to be again in a town town, full of life, including the band that played at the bandstand in the city center, where we decided to also dance for a little bit to accompany the feast.

Besides that the city was a good place to get to the Cañon Sumidero. Thus, after the adventure of the bus decided to try the collectivos, a sort of Toyota Hiace, very cheap, moving along a defined route, but stopping wherever there are passengers to enter or exit. There are some more comfortable than others, but all tremble a lot and drivers are crazy trying to overtake each other and the rest of the world.

About 10 kilometers and 12 pesos (€ 0,72) later we got to Chiapa de Corso, a historical town we took the boat that took us along the river to the Cañon Sumidero. Entering the boat, next to the harbor, the river is kind of wide and is four meters deep, forty kilometers further on the river starts narrowing, with walls on each side, that get to a thousand meters in a part, and the depth is of two hundred and fifty meters. In times of rain there are huge waterfalls, now only their appearance (one of them looks like a Christmas tree). Unfortunately, despite being a protected area, the river is full of garbage, especially plastic that arrives there via the nearby populations, which is real sad.

But what really impressed me (Sara) was seeing the animals that live here, including the ones that I mostly feared throughout life ( with no reason for it, truth be told, since in Portugal they exist only in the zoo), the crocodiles. We came really close of them and despite feeling frightened, looking at them is irresistible. It also helped the explanations of the guide that said that these animals can be without moving for long periods of time, they can go without eating for almost a year, and having their mouth open, is not meant to have a threatening look, but to regulate their temperature. In this river there are annually, for 30 years now, a swimming and diving competition, in which space is filled with people, and there is no record of any attack on humans.

What helped me to understand more, and even to begin feeling some affection for these animals, so suggestively threatening, was the visit to Tuxtla Zoo the next day. Our guide informed that all zoos are depressing in Mexico, with the exception of this and so we decided to try a different program since Tuxtla had not so much to see.

And it was worth it, the zoo only has animals from the state of Chiapas, so they are living in a more natural habitat, most have a lot of space, the visit feels more like a walk in the forest rather than a freak show. On the wild there are birds, deer and rodents, there was a flock of interactive birds that came to our table attracted by the crumbs we throw at them and then tryed to rob us our sandwich, there are yells of howler monkeys, which resemble tigers or jaguars, emanating throughout the zoo pervasively.

But the stars are those animals that we are not accustomed to see, macaws, eagles, toucans and quetzals, insects, spiders, snakes, nocturnal animals in a darkened house, tapirs, monkeys, coatis and spectacular pumas and jaguars. This visit was also quite informative to know what awaits us if we decide to camp there. We already know which spiders and snakes are poisonous, but also that most animals are afraid of us, or have no interest or only attacks if we invade their habitat. The latter is quite unlikely as we usually camp a little over ten meters from the road.

And these precepts also include crocodiles, where there are only reports of attacks in Puerto Vallarta (North of here), and because there are many tourists, at least that was what the lovely caretaker told me while I bombarded her with questions of this kind. Cayman, from the marsh or the river, the crocodiles are an essential element in maintaining the ecological balance of the spaces where they live, and so it is important to preserve them. With a new sympathy for this animals, and informed that hardly will they cross our path, or attack us, I left the zoo much more confident. If however we are attacked by crocodiles, you will all know, it was all a conspiracy to make us fall into the lair of the wolf!

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