São Francisco | San Francisco

São Francisco! Só o nome suscita memórias, de séries de televisão, filmes, visitas de amigos. A Golden Gate igual à de Lisboa, as ruas inclinadas com perseguições policiais que fazem os carros voar, Chinatown, movimentos gay e a Castro, Alcatraz, o movimento hippie, liberdade e uma pequena cidade com laivos europeus nos Estados Unidos. Foi com esta expectativa que chegámos à cidade e nos dispusemos a explorá-la e visitá-la por uns dias.

Atente-se que não chegámos vindos de Portugal mas de uma viagem pelo rural Estados Unidos, e quando entrámos na primeira livraria, no meio do bairro Ashbury and Haight, o meu (Sara) primeiro pensamento foi, ai que bom e bucólico é passear pelo campo, mas a cultura das grandes cidades faz muita falta, livrarias com oferta variada, uma das mais icónicas lojas de discos do mundo, comidas de todos os cantos do planeta, uma enorme tolerância e convivência entre os mais distintos grupos de cidadãos, e aquela atitude irreverente que geralmente só se encontra em locais especiais.

Seis meses a viver e a trabalhar em São Francisco, seriam apenas um bom começo para explorar a oferta da cidade, cada bairro com a sua identidade, com o seu estilo arquitectónico, com restaurantes, bares e lojas originais prontos a serem esquadrinhados e inspeccionados.

Infelizmente só dispusemos de cinco pequenos dias, e por isso em vez de acumular locais visitados, tentámos experimentar algumas das peculiares ofertas da cidade.

Enquanto por lá pairámos decorria o Strictly Hardly Bluegrass, no Golden Gate Park, um festival gratuito e livre de publicidade, com algumas bandas de bluegrass, mas uma oferta muito mais variada. Nada melhor para começar uma manhã de Domingo que ir ver um concerto dos Allah-las, a banda praticamente homónima da banda do Pedro em Lisboa, os fabulosos Alás, seguido de outro concerto do Steve Martin (o actor), que também tem uma banda de bluegrass, e que pelo meio do espectáculo vai fazendo stand-up comedy. Ao festival acorrem enormes massas de gente, famílias com filhos pequenos sentadas em mantas de piquenique, hippies que vendem erva, hipsters, metaleiros, há de tudo um pouco. Impressionante também é a quantidade de pessoas que vão de bicicleta para o festival, testemunhada nos enormes parques de estacionamento que são colocados para o efeito à porta do evento.

Caminhando na direcção da cidade, ainda no meio do parque, encontrámos uns patinadores, vestidos a rigor, a dançar êxitos disco dos anos setenta. À distância pareciam adolescentes, mas chegando mais perto deu para ver que alguns dos dançarinos já eram entradotes, parece que a patinagem também é uma fonte de juventude. E voltámos ao bairro Ashbury and Haight onde, com o incentivo do Pedro, realizei um dos meus desejos para São Francisco, cortar o cabelo, ainda que só as pontas. Por lá passeámos, até irmos dar à Castro, no bairro mais gay da cidade. Foi na Castro que Harvey Milk, o primeiro político assumidamente homossexual a ser eleito nos Estados Unidos, orquestrou a sua campanha, facto de que tomei conhecimento no filme realizado por Gus Van Sant com o mesmo nome. Nesse dia realizava-se o mercado de rua, que já estava no fim quando chegámos. Aproximando-se o Halloween, a Whole Foods tinha feito uma banca cheia de abóboras, que agora estava a dar a quem as conseguisse agarrar. A caixa das abóboras já só tinha uma abóbora podre, mas ouvi o Pedro a dizer entusiasmado: “está ali mais uma”, enquanto mergulhava num monte de feno que compunha a banca para resgatar não uma, mas duas fantásticas abóboras, daquelas mesmo redondinhas, prontinhas a esculpir. E se isto foi só um dia imaginem os outros quatro!

Passeios imensos pelos bairros da cidade, andar de bicleta na Golden Gate Bridge, comer belíssima comida chinesa em Chinatown, ver o festival árabe, passear no centro da cidade e ver os eléctricos passar, experimentar Clam Showder no cais dos pescadores, ver Alcatraz de longe, e muito mais.

Ainda em Portugal tinha dois desejos para São Francisco, um era cortar o cabelo, o outro era comer sushi. Por algum motivo achei que seria difícil arranjar bom sushi nos confins dos Estados Unidos, e como não é propriamente uma comida barata, achei que depois de cinco meses a viajar nos podíamos dar a esse luxo. Quis o destino que a Shirley, a mulher do Jim, que nos acolheu em sua casa e com quem falámos durante horas a fio sobre tudo e mais um par de botas, tenha as suas raízes no Japão e muita família em São Francisco. A nosso pedido recomendou-nos o restaurante onde costumam fazer as celebrações familiares e lá fomos, simplesmente para nos deleitarmos com o melhor sashimi que já experimentámos!

No último dia voltámos a reencontrar a Nikki, a ciclista australiana que nos safou na noite da enxurrada, e que foi ter connosco a casa da Shirley e do Jim para nos despedirmos à volta de uma recorrente excelente pizza num restaurante próximo. E foi assim que saímos da cidade já às três e meia da tarde, para ainda pedalarmos 40 km e chegarmos ao parque de campismo junto à praia, a tempo de ver o pôr-do-sol.

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San Francisco! The name alone brings memories of TV shows, movies, visits from friends. The Golden Gate Bridge just like the one in Lisbon, steep streets with police chases that make cars fly, Chinatown , gay movements and Castro, Alcatraz, the hippie movement, freedom, and a city with something of european in it in the United States. It was with this expectation that we came to the city and became willing to explore it and visit for a few days.

Please note that we have not arrived from Portugal but from a journey through rural America, and when we entered the first bookstore in the middle of Haight and Ashbury neighborhood, my (Sara) first thought was, oh it is nice and bucolic stroll to through the fields, but the culture of big cities is very much needed, bookstores with varied offer, one of the most iconic record stores in the world food from all corners of the planet, a huge tolerance and coexistence among the different groups of citizens, and that irreverent attitude that is usually only found in special places.

Six months living and working in San Francisco, would just be a good start to explore the city’s offer, each neighborhood with its own identity, with its architectural style, with restaurants, bars and unique shops ready to be scanned and inspected.

Unfortunately we have disposed of only five short days, so instead of accumulating sites visited, we tried to experience some of the unique offerings of the city .

While we were there the Hardly Strictly Bluegrass Festival was being held in the Golden Gate Park. A free festival and free of publicity, with some bluegrass bands, but with an offer much more varied. What better way to start a Sunday morning to go see a concert of the Allah-las , the band with almost the same name as Pedro’s band in Lisbon, the fabulous Alas, followed by another concert by Steve Martin (the actor) , who also has a bluegrass band, and that goes through the show doing some stand- up comedy. To the festival flock huge masses of people, families with small children sitting on picnic blankets, hippies selling weed, hipsters, metalheads, there’s a bit of everything . Also impressive is the amount of people who bikes to the festival, which we witnessed in the huge parking lots that were placed for that purpose at the door of the event.

Walking towards the city, even in the middle of the park, we found a few rollerbladers, dressed up, dancing to disco hits of the seventies. In the distance they seemed like teens, but getting closer we could see that some of the dancers were already a little old. It seems that rollerblading is also a fountain of youth. And we went back to the Haight and Ashbury neighborhood where, with the encouragement of Pedro I realized one of my desires to San Francisco, get a haircut , if only the tips. We walked there, until we entered the Castro neighborhood, the gayest city. Harvey Milk, the first openly gay politician to be elected in the United States orchestrated its campaign in this neighborhood, fact that I learned in the film directed by Gus Van Sant with the same name. That day the neighborhood was having a street fair, that was already in the end when we arrived. Approaching Halloween, Whole Foods had a stall full of pumpkins, which they were now giving to those who could grasp one. The Pumpkin’s box had a rotten pumpkin, but I heard Pedro say excitedly, “there is another one over there” , while he dived into a pile of hay that made up the bank to rescue not one but two fantastic pumpkins, those very round ones, all ready to carve . And if this was only one day imagine the other four!

Tours by the immense city, biking the Golden Gate Bridge, eating wonderful Chinese food in Chinatown, see the Arab Festival, stroll in the city center and see the trams pass, try Clam Showder in Fisherman’s Wharf, viewing Alcatraz from afar, and so on.

In Portugal I had two wishes to San Francisco, one was cutting my hair, the other was eating sushi. For some reason I thought it would be hard to get good sushi in the confines of the United States, and as it is not exactly a cheap food , I thought that after five months of traveling we could afford that small luxury. For some reason we ended up at staying with Shirley, Jim’s wife, who welcomed us into their home and with who we talked for hours about everything and more, and who has her roots in Japan and a lot of family in San Francisco. At our request she recommended the restaurant where they usually make family celebrations and there we went, just to delight ourselves with the best sashimi ever!

On the last day we met Nikki, the Australian cyclist who saved our asses on the night of the flood, and that went to Shirley’s and Jim’s to say goodbye with a wonderful pizza lunch at a nearby restaurant. And so we left the city already at half past three in the afternoon, still pedaling for 25 miles to reach the campground next to the beach in time to watch the sunset.

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