Uma carrinha de mudanças | A U-haul!

O Sam, que tínhamos conhecido no Kansas, já tinha terminado a sua viagem há mais de um mês, quando nos resolveu ligar a dizer que ia ajudar o irmão a mudar-se desde Seattle até à California, e que gostaria de nos ver novamente. Algures no telefonema também mencionou que talvez pudéssemos pôr as bicicletas na carrinha e apanhar uma boleia de uns quantos quilómetros, se assim nos apetecesse. Para nós, que estávamos preocupados com o cumprimento do prazo dos nossos vistos foi ouro sobre azul!

Enquanto eles não chegavam fomos andando e andando até ao dia em que finalmente nos pareceu possível encontrarmo-nos na estrada, isto já depois de algumas tentativas frustradas de utilizar um telefone com muito pouca rede. Chegados à pequena aldeia antes da subida de Leggett voltámos a tentar ligar, nada de rede. Perguntando numa loja por um telefone público, e apurando da sua inexistência em toda a aldeia, fomos brindados com a amabilidade da empregada que nos ofereceu o seu telemóvel para realizar a vital chamada. Conseguimos falar com o Sam, explicando que estávamos prestes a subir o monte e que o melhor seria combinarmos do outro lado, já que esperar por ele implicava ficar no meio de nenhures, sem nada que fazer, durante umas seis horas. Ele disse que nos voltava a ligar, a empregada entretanto teve que se ir embora, mas lá lhe pedi que quando ele voltasse a ligar ela lhe dissesse que íamos seguir e que ele tinha que mudar para a estrada 1.

Sem grandes certezas avançámos e fomos parar novamente à costa, para um magnífico pôr-do-sol. Procurámos um parque de campismo, como plano B, caso os nossos amigos não aparecessem, comprámos sandes e uma sidra para cada um, e instalámo-nos à porta da única loja que havia em Westport. Por esta altura ainda não tínhamos rede, e era incerto se eles saberiam que tinham que mudar de estrada para nos apanharem. Passou uma hora e nada de Sam e John, passou mais meia e nada de carrinha de mudanças, o Pedro já estava a desesperar e disse que se calhar eles já não vinham, eu disse que seriam o terceiro carro que iria passar por ali. Enganei-me, pois ao segundo carro lá apareceram o John e o Sam na sua carrinha U-haul. Aparentemente já nos estavam a procurar há uns vinte quilómetros e a pensar que poderíamos estar em qualquer lugar daquela serra. Foi assim com grande alívio e alegria que nos reencontrámos!

Pusemos as bicicletas e a bagagem na parte de trás da carrinha e depois olhámos para a cabine, que só tinha dois lugares, um para o condutor e outro para um passageiro. E nem eram daqueles bancos corridos. Nada que o Sam não resolvesse em menos de nada. Apanhou um daqueles cestos de fruta de plástico e com ele preencheu o espaço entre os dois bancos. E assim nos acomodámos, o Sam no lugar do condutor, o Pedro em cima de um cesto da fruta, o John e eu a dividirmos o lugar do passageiro. A viagem não durou muito naquele dia, passada uma hora já chegávamos a Fort Bragg onde partilhámos um quarto no meu motel favorito, o Super 8.

No dia seguinte fizemo-nos novamente à estrada, e depois de enganar-mos o Sam de modo a que nos levasse pela mesma estrada sinuosa que faríamos de bicicleta, fomos encontrando vários ciclistas amigos que nos tinham deixado para trás, oferecendo chocolate a cada um deles e expondo de forma vergonhosa a nossa batota na viagem de bicicleta. Foi fantástico!

Ao fim da tarde entrámos de forma gloriosa em São Francisco pela Golden Gate. Também era possível entrar de bicicleta pela mesma ponte, mas isso fica para outras núpcias. De carrinha de mudanças percorremos as inclinadíssimas ruas da cidade e antes de nos separarmos achámos que seria divertido ir ver um concerto, e fomos ver os Man Man que tocavam no Great American Music Hall. Diga-se, em abono da verdade, que o concerto não foi nada de especial, mas a sala era magnífica, assim uma espécie de sala de ópera europeia, e por isso não ficámos tão desconsolados.

No dia seguinte ainda fomos comer donuts a um dos sítios in da cidade, passeámos pelo bairro Haight e Ashbury, apanhámos uma encomenda que tínhamos enviado quatro meses antes, ainda em Washington DC na Great Highway junto à praia, até que o Sam e o Jonh nos deixaram com o Jim, um ciclista que conhecemos no Oregon, com quem ciclámos até casa, e onde nos instalámos para passar uns dias a conhecer a cidade.

Foram dois dias muito muito divertidos, já que o Sam é uma pequena comédia ambulante, sempre muito engraçado, e que nos restituíram um pouco da alegria e vontade de viajar que tanto estávamos a precisar.

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Sam, who we had met in Kansas, had already finished his trip for over a month when he decided to call us to say he was going to help his brother to move from Seattle to California and would like to see us again. Somewhere in the call he also mentioned that maybe we could put the bikes in the truck and take a ride of a few miles, if we which so. For us, concerned with the deadline of our visa, was icing on the cake!

Until they arrived we were cycling and cycling until the day we finally found possible to meet them on the road, and the arrangements to do so were finally made after a few unsuccessful attempts to use a phone with little coverage. As we arrived at the small village before the Leggett clim we again try to call them, but there was no cell coverage again. At a store we ask for a pay phone, and we were told there was none in all the village, but the clerk was kind enough to offer her phone to make the vital call. We were able to talk to Sam, explaining that we were about to climb the hill and the best would be meet on the other side, since if we waited for them, it meant staying in the middle of nowhere, with nothing to do, for about six hours. He said he would return the call in five minutes nut the clerk had to go. Still we asked her to say to Sam, if he returned the call that we would continue and he had to change to Highway 1.

Without great certainties we move on and stop again at the coast to a magnificent sunset. We saw there was a campground nearby, as plan B if our friends did not show up, we bought sandwiches and cider for each one of us, and we settled ourselves at the door of the only shop in Westport. By this time we still had no cell phone coverage, and it was uncertain whether they would know they had to take a different road to meet us. An hour passed and no news of Sam and John, another half hour went by and no signs of the truck, Pedro was already desperate and said that maybe they would not come, I, with a little more hope, said that the third car that would go through there would be them. I was wrong, because the second car that appeared was John and Sam in a U-haul truck. Apparently they were already looking for us for some twelve miles and they tought we could be anywhere in the middle of the hills. So it was with great relief and joy that we met again!

We put the bikes and luggage in the back of the truck and then we looked at the cabin, which had only two seats , one for the driver and one for a passenger. And they were not one of theose big benches. Something that Sam not solve in no time. He picked up one of those plastic fruit baskets and he filled the space between the two seats. And so we sit, Sam in the driver’s seat, Pedro over the basket of fruit, John and I dividing the passenger seat. The trip did not last long that day, since after an hour we arrived at Fort Bragg where he shared a room in my favorite motel, Super 8.

The next day we hit the road again, and tricked Sam into taking the same winding road we would bike in, where we found several friends who had left us behind, offering chocolate to each and showing them the shameful way we were cheating on our bike trip. It was fantastic!

By late afternoon we entered gloriously in San Francisco through the Golden Gate Bridge. It was also possible to enter by bike on the same bridge, but we will leave it for some other day. The truck traveled the super steep city streets and before we parted we thought it would be fun to go see a concert together. And so we went to see Man Man who played at the Great American Music Hall. Truth be told, the concert was not so good, but the place was magnificent, like a kind of European opera house, so we were not so disappointed.

The next day we went to eat donuts to one of the cool places in the city, toured the Haight and Ashbury, we picked up some mail that we had sent four months before, still in Washington DC, on the Great Highway near the beach, until Sam and John left us with Jim, a cyclist we met in Oregon, with whom we cycled home , and where we have installed for a few days to explore the city.

We had so much fun on these two days, Sam is a walking comedy, always very funny, and we got back some of the joy and willingness to travel that we were in need.

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