Baker City

Depois do episódio da quinta bizarra, conseguimos começar o dia bem cedo e chegar a Baker City a tempo da hora do almoço. Aí reencontrámos o Kevin, a Jeanné e a Liz (o Garry só chegou no dia seguinte), para logo nos despedirmos do Kevin e da Jeanné que tinham um prazo mais apertado que os restantes para chegar à costa e voltar ao trabalho. Foi com muita pena que dissemos adeus já que vamos sentir falta do espírito tranquilo, justo e ponderado do Kevin, e do seu amor pelas cervejas, claro, e do riso, da alegria e da vivacidade da Jeanné, e da forma especial como sempre me (Sara) chamava a atenção para os animais que ia vendo.

O resto da tarde foi passado em conversa com as duas cerejas que nos acolheram no seu jardim secreto. Sim leram bem, duas espectaculares senhoras, de seu nome Sherry, que partilharam connosco as suas aventuras por África, que já desceram de camião.

O dia seguinte foi de descanso e, serviu para curar uma ressaca que já leva mais de quatro meses, eu (Sara) fui ao cinema! Para quem não me conhece sou uma grande fã de filmes, e adoro o acto de me sentar numa sala escura e prestar a minha inteira atenção ao que passa no ecrã, sem quaisquer interrupções. Foi maravilhoso! Por momentos deixei de estar num país estranho, a viajar de bicicleta. Já o filme não foi assim tão bom. Fui ver o Mordomo, gostei da parte histórica da coisa, fez-me uma certa impressão ver as cenas do Ku Klux Klan, e pensar que estou aqui, no país onde tudo aconteceu, mas o resto do filme é para esquecer. Como este blog não tem por função a crítica de cinema deixemos as restantes considerações para outras instâncias.

O tempo

Quando viajamos em grupo tudo se faz com mais calma, falamos uns com os outros enquanto arrumamos tudo para partir, tirar uma fotografia de grupo pode demorar qualquer coisa como meia hora até que toda a gente esteja pronta. E foi assim que nos fizemos à estrada, já depois do almoço.

Feito o primeiro passe e a descida, foi altura de enfrentar o segundo. E, sem querer, descobrimos o segredo para que as descidas não sejam escassos momentos de prazer e pareçam prolongar-se por um tempo infinito. Em primeiro lugar convém fazê-las com a mínima visibilidade possível, já noite bem cerrada, numa estrada sem iluminação, cheia de curvas e apenas com as luzes das bicicletas. Depois, a melhor maneira é ir o mais desconfortável possível, se possível com muito frio e à procura de um local que provavelmente não estará assinalado. E assim terminámos o segundo passe.

A queda

Num dia descontraído, com apenas uma subida para fazer, e despachada logo às primeiras horas da manhã, poucos quilómetros a fazer, nada melhor do que torná-lo mais interessante caindo da bicicleta. Não foi a primeira queda, nem será a última, mas foi com certeza uma das mais aparatosas, mas, infelizmente, não há testemunhas.

Seguia atrás do Pedro quando ele travou para me perguntar se queria parar para ir à casa-de-banho, disse-lhe que não e não estava à espera que ele abrandasse, quando, tentando evitar um choque, também eu travei, e já a uma velocidade muito lenta (todas as minhas quedas são a velocidades lentíssimas – um bocadinho como todas as vezes que bati com o carro) resvalei para a gravilha e perdi o controlo da bicicleta, tentei recuperá-lo e voltei para a estrada, apenas para logo voltar para a gravilha e cair a bicicleta sobre o braço e o joelho esquerdos, e dar uma volta completa a rebolar pelo chão. Como quando as crianças caem, foi mais o susto que o dano, e larguei a chorar para grande aflição do Pedro, que logo foi buscar água para me limpar as poucas feridas resultantes do acidente.

Ainda um pouco combalida voltei a montar-me na bicicleta e fazer os cinco quilómetros que nos separavam do local onde íamos dormir. Para minha sorte era um simpático inn para ciclistas, com gelo disponível, cama, televisão, vídeos, cozinha, cabras para brincar, chuveiro e tudo o que é necessário para ser feliz e passar um dia a descansar.

O único senão, os nossos amigos seguiram viagem e voltámos a estar só os dois!

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After the bizarre episode on the farm, we started the day early to get to Baker City in time for lunch. Here we met Kevin, Jeanné and Liz (Garry only arrived the next day), just to say goodbye to Kevin and Jeanné. They had a tighter deadline than the rest of us to get to the coast and back to work. It was very unfortunate that we had to say goodbye and we will miss the quiet spirit, the fairness and the good rationality of Kevin, and also his love for beer, and also Jeanné’s laughter, joy and liveliness, and the way she always wanted to tell me (Sara) about the animals she saw.

The rest of the afternoon was spent in conversation with the two cherries that welcomed us in their secret garden. Yes, you read well, two spectacular ladies, named Sherry (very similar to cherry), who shared with us their adventures in Africa, where they traveled by truck.

The next day was for rest and served to cure a hangover that had already more than four months, I (Sara) went to the movies! For those who don’t know me, I’m a big fan of movies, and I love the act of sitting in a dark room and give my full attention to what happens on the screen, without any interruptions. So I invited everybody to come with me, but only Annie came. It was wonderful! For a moment I stopped being in a different country, traveling by bicycle. But the movie was not that good. We went to see The Butler, and I liked the historical part of it, and it felt kind of weird to see the scenes of the Ku Klux Klan, and thinking that I’m here, in the country where it happened, but the rest of the film is terrible. Since this blog does not have the function of film critics I will leave the remaining considerations for other instances .

Time

When we travel in a group everything is done without rush, we talk to each other while we pack everything, to take a group picture can take something like half an hour until everyone is ready. And that’s how we ended up starting our day’s ride after lunch.

We did the first pass and the descent, it was time to tackle the second. And unwittingly we discovered the secret to make the descents stop being scarce moments of pleasure to seem that they go on for an infinite time, which we are know able to share with you. First, you should do them with minimal visibility as possible, preferably in the thick night, without public ilumination, on a road full of bends and with only the lights of the bicycles to see the way. Then the best way is to go as uncomfortable as possible, if possible very cold and looking for a place that probably will not be marked. And so ended the descent after the second pass.

The crash

In a relaxed day, with just one climb, that we finish on the first hours of the morning, and just a few kilometers to do, nothing better than to make it a more interesting day by falling of your bike. It was not the first fall, it will not be the last , but it was certainly one of the most ostentatious. Unfortunately there are no witnesses to it.

I was following Pedro when he slow down to ask if I wanted to stop to go to the toilet, I told him no and was not expecting that he slow down any way, so I hit my brakes to avoid hiting his bike, and I slow down, now at a very slow speed (all my falls are at really realyy slow speeds – a bit like every time I hit with the car) I went into the gravel that was by the side of the road and lost control of the bicycle, tried to get it back and returned to the road, only to go back to gravel and fall from the bike over my left arm and my left knee, and roll on the floor. Like when children fall, I was more frightned than with any bad thing, but I started crying, which left Pedro quite worried, so he fetched some water to clean the few wounds resulting from the accident .

Still a bit battered back I mounted my bike and made the three miles that separated us from where we were going to sleep. Luckily it was a nice inn for cyclists, with ice available, bed, television, videos, kitchen, goats to play, shower and all that is needed to be happy and spend a day resting.

The only drawback, our friends went away and we got back to being just the two of us!

 

 

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Um pensamento sobre “Baker City

  1. continuamos a pedalar convosco pelo que no esto inteiramente ss 🙂 beijo grande de saudades depois quero ouvir melhor essa histria de frica em camio

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