Oregon

Depois das banhocas Idaho a fora, chegou a vez do mais seco, mas nem por isso menos deslumbrante, Oregon. Foram dias de muitos quilómetros, até chegar a Portland. Acordar, comer, ciclar, comer, ciclar, comer, dormir, rir e passar tempo com os amigos que nos restavam, subir e descer as Cascades (pelo menos umas oito vezes), e pelo meio alguns pequenos episódios, que fizeram com que cada dia fosse diferente do anterior.

Da barragem à quinta bizarra

Saídos da barragem que nos albergou na última noite no Idaho atravessámos a fronteira do Estado e voltámos a mudar a hora para o tempo do Pacífico (no Idaho, a certa altura voltámos atrás), fizemos o primeiro passe e descemos até à pequena vila para um almoço reforçado. Pelo caminho reencontrámos a o Maarten e a Annie (de quem nos tínhamos perdido no dia anterior), e demos uso a uma das nossas últimas aquisições, uma pequena coluna ligada ao mp3 do Pedro que nos ajuda a marcar o ritmo nas subidas. No fim, tal era o cansaço e a inclinação da subida, que só lá fomos com a ajuda dos Alás (a fabulosa banda do Pedro), e uma dose de eletrólitos em goma.

Nessa manhã, quando acordei já tinha dores nos joelhos. Depois dos primeiros quilómetros resolvi pôr uma ligadura especial que trago para reforço. Aparentemente, ou a ligadura diminuiu ou os meus músculos cresceram, já que em vez de estrutura de apoio, o raio da ligadura se transformou em instrumento de tortura. A acrescer a esta tormenta, a meta para o dia era Baker City, o que implicava fazer mais um passe e chegar lá já depois do cair da noite. Tudo isto já me vinha a incomodar quando o Pedro me pergunta se está tudo bem e foi quanto bastou para começar no maior pranto de que há memória nesta viagem (já houve outros antes deste e tenho a certeza que não será o último). Depois de me acalmar tirei a ligadura e tentámos apanhar uma boleia de uma pick-up até ao nosso destino. Infelizmente na estrada não passava muita gente, e a única senhora que parou recusou-se a ajudar-nos. Nada a fazer, era preciso pedalar para tentar chegar depressa, e assim comecei a pedalar que nem uma louca, deixando o Pedro para trás.

Passado um quarto de hora aparece o Marteen em sentido contrário. Ele e a Annie tinham parado para comprar uns legumes numa banca à beira da estrada e tinham pedido ao dono se os deixava acampar na sua quinta. Com uma resposta positiva estavam à nossa espera para ver se também queríamos lá ficar.

Decidimos ficar e foi então que nos apercebemos do bizarro da situação, primeiro foi o dono da quinta que voltou, depois de ter falado com a mulher, e retirou a sua oferta do uso da cozinha, alegando que a mulher era um pouco esquisita quanto à entrada de estranhos em casa. Depois avisou-nos sobre a ponte (que ia dar ao quintal dele), para não cairmos dela abaixo e o processarmos, para não passarmos com as bicicletas, para só passarmos um a um. A seguir veio o pedido para não colocar fotos daquele sítio no facebook ou no youtube, depois o aviso quanto às cobras. Nunca chegámos a ver a mulher e as teorias sombrias acerca do que ali sucedia foram-se desdobrando. O que é certo é que sobrevivemos e que ficámos agradecidos pela guarida que nos deram.

IMGP3111

IMGP3116

IMGP3117

IMGP3121

IMGP3128

IMGP7195

IMGP3143
 

After all the Idaho river baths, it was time to enter the drier but not less stunning, Oregon. We did days of many miles, until we you reach Portland. Waking up, eating , cycling , eating , cycling , eating, sleeping , laughing and spending time with the friends we still had left, up and down the Cascades (at least about eight times) , and through some small episodes, which meant that each day was different from the previous one.

From the dam to the bizarre farm

Coming out of the dam where we had spent our last night in Idaho we crossed the state border and changed again to the time to Pacific time (in Idaho at one point we returned back to mountain time), we did the first pass and went down to the small village for an hearty lunch. On the way up we met Maarten and Annie (whom we had lost the day before) , and we use one of our latest acquisitions, a small speaker connected to Pedro’s mp3 that helps us to set the pace on the climbs. In the end, such was the tiredness and the slope of the ascent, that we could only do it with the help of Os Alás (Pedro’s fabulous band), and a dose of gum electrolytes.

When I woke up in the morning I had some pain on my knees. After the first few miles I decided to put a special bandage to help me along the way. Apparently, the bandage got smaller or my muscles got bigger, since instead of being a supporting structure, the damn bandage was transformed into an instrument of torture. To help with all of this, the goal for the day was Baker City , which meant to make one more pass and getting there after nightfall. All this has come to bother me, and when Pedro asks me if everything was fine it was enough to start the biggesst crying in the living memory of this trip (there have been others before this and I’m sure it will not be the last) . After I took the bandage and calmed down we tried to hitch a ride in a truck to our destination. Unfortunately there was not many people on the road and the only lady who stopped didn’t want to help us . With nothing else to do, we had to pedal to try to get there quickly, and so I started pedaling like crazy, leaving Pedro behind.

After a quarter of an hour Marteen appears in the opposite direction. He and Annie had stopped to buy some vegetables at a roadside stall and had asked the owner if he let us camp on his farm. With a positive response they were waiting to see if we also wanted to stay there .

We decided to stay and it was then that we realized the bizarre situation, first the owner of the farm who returned from his house, after speaking to his wife withdrew its offer of the use of the kitchen, claiming that his wife was a bit weird to letting strangers enter at home. Then he warned us about the bridge (which we had to pass to get to his yard), not to fall down from it and sue him, not to pass our bikes, only to pass one at a time. Next came the request not to put pictures of that place on facebook or youtube, after that the warning about rattlesnakes. We never got to see his wife and gloomy theories about what happened there were unfolding. The truth is that we survived and we were thankful for the shelter they gave us.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s