Dias bons, dias maus, dias óptimos! Good days, bad days, great days!

Subidas sem parar obrigam-nos a empregar todas as nossas energias e forças para conseguir vencê-las. A gravidade é tramada e o peso das nossas bicicletas não ajuda. Ainda me (Sara) debato com a mesma questão a cada descida gozada, é um presente pela subida acabada de conquistar, ou um deslizar rápido para o inferno de uma nova inclinação? As dores nos músculos e no rabo vão-se tornando presentes a cada dia que passa e o corpo pede descanso. Vamo-nos viciando em gatorades e powerades frescos, que adquirirmos em lojas de conveniência ou supermercados ao longo do caminho, e lançamos mão a todos os snacks e guloseimas que conseguimos levar na nossa já super carregadas bicicletas. Felizmente estamos na terra da abundância e a comida vem em grandes quantidades e nas mais diversas qualidades. Empanturramo-nos em frutos secos, gomas, pipocas, batatas fritas e noodles. Os nossos queridos donuts frescos são cada vez mais uma raridade à medida que vamos entrando em terras do interior. O nosso corpo exausto ao fim do dia contagia a nossa mente e se manter uma conversa decente se revela complicado, tomar decisões contém um grau de dificuldade acima da média. Às vezes os pequenos obstáculos transformam-se em grandes adversidades e manter uma atitude positiva é um esforço maior que a maior das subidas que já fizemos. Felizmente, o mau humor vem à vez e juntos vamos conseguindo arrepiar caminho.

Um dia de descanso vai-se tornando cada vez mais essencial, e ao longo deste tempo temos tentado chegar a um equilíbrio entre o que realmente precisamos, os quilómetros que ainda temos que percorrer e os dias do nosso visto que vemos fugir como areia entre os dedos. No dia 1 de Novembro temos que estar no México e ainda temos tanto que andar. Dos dois dias de 6o km cada, seguidos de um de descanso que inicialmente planeámos, tentámos esticar-nos para seis dias seguidos de 80 km cada, seguidos de um dias de descanso para conseguirmos fazer tudo. Mas as subidas e descidas são demais para nós e só conseguimos manter o ritmo nos três primeiros dias. Vamos lidando com os nossos limites de bom humor, enquanto ouvimos outros ciclistas dizer que fazem distâncias inacreditáveis. Levantam-se às cinco e meia da manhã e pedalam horas e horas. Não fomos talhados para isso, demoramos tempo a ter tudo pronto para sair, gostamos de descansar e de não chegar muito tarde. Havemos de conseguir entrar nesse ritmo, pensamos, o despertador toca às seis e meia, mas às vezes só conseguimos estar a pedalar às dez e meia, é o snooze que atrasa a saída do saco-cama, a tenda que está molhada e tem que secar, são os alforges que é preciso arrumar, e tomar um bom pequeno-almoço é essencial, às vezes é só porque nos distraímos na conversa com quem nos hospeda.

E depois? Depois há as paisagens inacreditáveis, este desbravar diário de um país que se vai tornando familiar, a curiosidade de estranhos a quem contamos a nossa história vezes sem conta e que invariavelmente se despedem com um “safe travels”, o espírito hospitaleiro de quem nos recebe em suas casas como se fôssemos família, nos oferece uma cama para dormir com lençóis esticados, toalhas para nos secarmos, jantares que nos restabelecem as energias de um dia esforçado e pequenos almoços reforçados para mais um dia de viagem. Pessoas que preferem viver a confiar em toda a gente do que em medo constante, que partilham os seus tectos mas também conversas profundas sobre viagens, as suas famílias, as suas experiências, opiniões sobre o seu país e curiosidade acerca do nosso. Pessoas que evitam que nos tenhamos apenas um ao outro para conversar, e com quem vamos exercitando o nosso inglês e melhorando o vocabulário.

Óptimo? É aquele frio no estômago que sentimos quase todos os dias com a excitação do desconhecido, das subidas e descidas, de onde vamos dormir a seguir, de quem vamos encontrar. Óptima é esta nossa lua-de-mel maluca, e este amor que vai crescendo à medida das pedaladas dadas em conjunto!

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Climbings and more climbings make us use all of our forces to beat them. The law of gravity is fully enforced and the weight in our bikes doesn’t help a lot. I (Sara) keep thinking of the same question over and over again when I’m really enjoying a descent – Is it a present from the last climb or a fast sliding into the hell of a new climbing? – The pains in the muscles and in the butt announce themselves day after day and my body asks for some rest. We are becoming addict in fresh gatorades and powerades that we buy from convenience stores or supermarkets along the way. Luckily this is a land of abundance and the food comes in big quantities and with a lot of diversification. We stuff ourselves in nuts, jellybeans, popcorn, chips and noodles. The fresh donuts that are so dear to us are becoming rare as we get deeper in the states. The exhaustion in our bodies at the end of the day makes pr minds slower and sometimes its complicated to keep a decent conversation and making decisions is really difficult. Sometimes the little obstacles transform themselves in huge adversities and keeping a positive attitude is a bigger effort than climbing the biggest hill. Luckily, bad humor comes in turns e together we can make it.

A resting day becomes essential, and for some time we have been trying to reach a balance between what we really need, the miles we still have to make, and the days of our visa, that we see escaping from us like sand in our fingers. On the first of November we need to be in Mexico and there is still a long way to go. At the beginning we have planned two days in a row of 38 miles each, followed by a resting day, we tried to make it to six days in a row of 50 miles each, followed by a resting day, so that we can make all the way. But and all the climbings and the descents are too much for us and we could only lee p to that rhythm for three days. We try to deal with our limitations with a good humor while we here other bikers talking about the incredible distances they usually make. They get up at 5:30 and cycle for hours and hours. We weren’t made to do this, it takes us too much time to have everything ready to go, we like to take small rests and to get early to places where we are going to spend the night. We will enter that rhythm but for know the alarm rings at 6:30, and sometimes we only start pedaling at 10:30, its snooze that delays getting out of the sleeping bag, the tent is wet and has to dry a bit, we need to pack the panniers, having a good breakfast is essential, and sometimes is just that we are distracted talking to one of our wonderful hosts.

And then? Then there are the amazing landscapes, this everyday discovery of a country that is becoming more familiar, the curiosity of strangers, to whom we tell our story a thousand times and that every time they leave us say “safe travels”, the hospitality of those who host us as if we were family, offering us a bed with fresh sheets to sleep on, towels for us to dry, dinners to give us back our forces, and big breakfasts for another day of cycling. People who prefer to live trusting in anyone than being afraid of everything, people who share their homes but also some deep conversations about traveling, their families, their experiences, their opinions about their own country and curiosity about our won. People who make possible having somebody to talk beside one another, with who we speak in english and improve our vocabulary.

Great? Great is that little chill on our stomachs that happens almost everyday with the excitement for the unknown, all the steep climbs and the descents, where we are going to sleep the next day, who are we going to meet. Great is this crazy honeymoon of ours, and this love that keeps on growing on each pedal stroke!

 

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4 pensamentos sobre “Dias bons, dias maus, dias óptimos! Good days, bad days, great days!

  1. É sempre gratificante e entusiasmante, diáriamente, ler as vossas aventuras. Boa Viagem e continuação de uma Óptima LUA-DE-MEL

  2. Pois olhem que este post foi das coisas mais bonitas que li nos ultimos tempos. Este e o da bondade alheia (e o dos americanos preguicosos mas noutro plano). Fico muito feliz, orgulhosa e comovida por nao estarem a acumular quilometros mas amigos, nao uma viagem mas uma vida em conjunto. Observar mais do que so olhar. Parabens tambem pelas maravilhosas descricoes que nos permitem imaginar com bastante rigor como e o vosso dia a dia.
    Mts bjs com mtas saudades e tambem em aventuras por um pais estranho

    • Olá Isabel,

      Muito obrigada pelo comentário. Esta viagem tem sido um acumular de novas experiências, desafios e boas surpresas. E como é que está tudo em terras estrangeiras? Temos andado nos últimos dias com um belga muito simpático, está tudo a correr bem por aí?
      Muitos beijinhos e muitas saudades também.

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