Pelos caminhos do eixo cafezeiro | On the paths of the coffee axis

Mal saímos de Medellin fomos logo presenteados com uma subida de cortar a respiração, tanto pela beleza da coisa, como pelo esforço necessário para a subir. Três semanas de paragem fizeram com que o Pedro tivesse câimbras pela primeira vez na viagem, pelo que quando finalmente chegámos ao topo já se fazia noite e só tivemos tempo de vestir os casacos e descer a toda a velocidade até à terra seguinte, Versalles, onde encontrámos uma hospedaje pela módica quantia de seis euros. Na manhã seguinte, ainda nem tínhamos posto o rabo no selim, e já um ciclista local nos oferecia um saco cheio de frutas para nos dar energias.

A manhã foi dedicada essencialmente à descida da montanha. Depois de uns míseros, e esforçados oito quilómetros de subida no dia anterior, esperavam-nos quase quarenta de descida, uma grande parte feita sem trânsito, já que estavam a pintar a estrada e só passavam motas e bicicletas. La Pintada era a aldeia no final da descida, tranquila de um lado do rio, mais suja, feia e movimentada do outro.

Depois de um rico almoço com vista para o largo da cidade, esperava-nos a passagem por um vale, sempre junto ao rio Cauca, onde se alinhavam, por largos quilómetros, rapazes em calções, sentados ou deitados em frente aos lavadouros, à espera de camiões para lavar. O calor tinha chegado e o próximo povoado ficava a sessenta quilómetros de distância. Decidimos avançar na mesma, poderíamos sempre tentar acampar pelo caminho, e ainda tínhamos quatro horas de luz. Ao longe vimos chegar um ciclista, viajando em sentido contrário e já no término final da sua aventura, chamava-se Dallas e disse-nos que havia um hotel mais à frente e nada mais depois disso. Um furo num pneu foi o mote final para percebermos que não chegaríamos à próxima cidade, pelo que chegados ao hotel, e apesar do seu preço altíssimo, pelo menos para o nosso escasso orçamento (20 €), resolvemos ficar, aproveitando assim a piscina e o jacuzzi, com vista para o canyon. Há vidas piores!

O dia seguinte trouxe-nos um lindo clima primaveril, que foi sendo substituído por um doce calor de Verão à medida que as horas decorriam. A paisagem era inspiradora, com o rio do lado esquerdo, árvores de um lado e do outro, com os ramos a cobrir a estrada, pastagens e pequenos montes. Excepção feita à aldeia de Marmato, uma localidade mineira, que nos fez lembrar partes sujas e feias do Kentucky, com os respectivos cães perseguidores de ciclistas incluídos no pacote.

Uma vez mais sem a certeza de sítio onde chegar, perguntámos a uns ciclistas qual a distância até à próxima hospedagem – 25 Km – disseram, 25 km, fizemos nós e já quase ao cair da noite, parámos numa banca de beira de estrada a comprar legumes para o jantar, antecipando o repouso a uns vinte minutos. Veio então a informação pertinente – 20 minutos, mas de carro – o que para nós representaria mais uma hora ou duas. Por sorte o Diego tinha parado por ali a tomar um café, e ofereceu-nos uma boleia na sua pick-up. Aceitámos de imediato, e a meio caminho, sabendo que ele era de Manizales perguntámos se não se importaria de nos levar até lá. Não estava nos nossos planos visitar a cidade, que fica a mais de dois mil metros de altitude e implicaria ir e voltar pelo mesmo caminho, mas há que aproveitar as oportunidades.

Voámos então a grande velocidade montanha acima, a mesma que viríamos a descer dois dias depois, igualmente em vôo, mas já em cima das bicicletas, apreciando o asfalto impecável e a paisagem de café, flores e montanhas ao redor, mas naquele momento, já era noite cerrada e só avistávamos as curvas do caminho. Chegados a Manizales, o Diego ainda teve a amabilidade de nos deixar na zona dos hostels, e depois de uma rápida pesquisa lá encontrámos sítio onde descansar. Parece ser uma das vantagens de viajar assim, quando saímos de manhã, raramente sabemos onde vamos encostar a cabeça na almofada ao cair da noite.

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As soon as we left Medellin we started climbing a breathtaking hill, both for the beauty of the thing, as for all the effort needed to get to the top. Three weeks off made Pedro had cramps for the first time on the trip, so when we finally reached the summitt night time was emminent and we only had time to wear our coats and get down the hill at full speed until the next village, Versalles, where we found a hospedaje for the modest sum of six euros. The next morning, we had not even put our asses in the saddle, when a local cyclist stopped and gave us a bag full of fruit to give us energy.

The morning was devoted mainly to descend the mountain. After a meager, hardworking eight kilometers of ascent the day before, waiting for us was almost forty wonderful quilometers helped by gravity, a large part of it was made traffic-free, since the road was being painted and the workers only allowed motorbikes and bicycles. La Pintada was the village at the end of the descent, quiet on one side of the river, more dirty, ugly and busy on the other.

After a rich lunch overlooking the central square, the road kept going through a valley along the Cauca river, where lined up for kilometers, guys in shorts, sitting or lying in front of washtubs, were waiting for the trucks to come and wash them. The heat had arrived and the next village was forty miles away. We decided to proceed anyway, we could always try to camp somewhere along the way, and we still had four hours of light. In the distance we saw a cyclist getting nearer. He was traveling in the opposite direction and towards the end of his adventure, Dallas he was called and he told us that there was a hotel ahead and nothing else after that. A flat tire was the final sign that made us realize we would never make it to the next town still with sun light, so we arrived at the hotel, and despite its price, at least for our meager budget (€ 20), we decided to stay, taking advantage of the pool and the jacuzzi overlooking the canyon. There are worse lives!

The next day brought us a beautiful spring weather, which was replaced by a sweet heat of summer as time stemmed. The landscape was inspiring, with the river on the left, trees on one side and the other with the branches covering the road, pastures and small hills. Exception made to Marmato village, a mining town that reminded us of dirty and ugly parts of Kentucky, with it’s pursuers of cyclists dogs included in the package.

Once again, we were not sure of our place of arrival for the night and we asked some cyclists which was the distance to the next hotel – 25 Km – they said, 25 km, we did almost to nightfall when we stopped at a roadside stall to buy vegetables for dinner, anticipating to get to the hotel on the nex twenty minutes. Then came the relevant information – 20 minutes, by car – which for us represents another hour or two. Luckily Diego had stopped there to have a coffee, and offered us a ride in his pick-up truck. We accepted immediately, and once inside, knowing he was from Manizales, we asked if he didn’t mind taking us there. It was not in our plans to visit the city, which is more than two thousand meters high and would have to go back and forth along the same path, but we must seize the opportunities.

So we flew at high speed up the mountain, the same we would come down two days later, also flying, but already on the bike, enjoying the scenery and flawless asphalt, the coffee plantantion, the flowers and mountains all around, but at that time, it was already dark and we could only see the curves of the road. We arrived in Manizales and Diego also was kind enough to drop us by the hostel zone, and after a quick search we found a place to rest. It seems to be one of the advantages of traveling like this, when we leave in the morning, we rarely know where we are going to lay our head on the pillow at nightfall.

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2 pensamentos sobre “Pelos caminhos do eixo cafezeiro | On the paths of the coffee axis

    • É uma excelente questão. Traduzi-o directamente do espanhol: cafetero por cafeteiro, mas este quer dizer dono de café ou botequim. Já cafezeiro refere-se à planta do café e ao seu lavrador. Vou alterar. Obrigada Paula!

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