A mais difícil subida | The hardest climb

Depois de um dia de descanso forçado num hotel improvável encaixado no  fundo de um já respeitável desfiladeiro do afluente que haviamos descido dois dias atrás, tinha chegado a hora do desfiladeiro maior. O majestoso Chicamocha é famoso pelas suas margens, que se elevam mais de mil metros do nível do rio até ao cume das montanhas que os sobranceiam.

Havia ainda que descer por 3 quilómetros, passando mais uma portagem e a povoação de Pescadero, onde o ribeiro se junta ao rio, e logo após cruzar a ponte no final da aldeia jaz a interminável subida. Ao longo do rio começam a ver-se máquinas de construção que recolhem a areia das margens que os camiões em imenso esforço elevam até ao nível da estrada, e que cada vez mais se parecem com pequenos brinquedos de criança à medida que aumentávamos a distância que nos separava deles. Não tanto em plano mas mais em altura, pois a estrada dançava no declive da montanha e entre o ir e vir do asfalto, punha-nos uma centena ou outra de metros mais altos.

O calor era implacável. Não havia quase vegetação alta ao longo da rota e o sol espicaçava o termómetro a mais de 50 ºC. Lutávamos contra o poder da natureza celebrando toda a sombra e lugar de descanso num mini-pic-nic à beira da estrada. Perdemos a conta às vezes que parámos, ora para comer um bocadillo de goiaba (ou qualquer outro snack) ou para tomar uma coca-cola fresquinha.

Tínhamos ultrapassado os primeiros 600 m – a cerca de 1200m de altitude, já eram quase duas da tarde e o parque natural do canyon de  Chicamocha era o único e ideal ponto do paragem para um merecido almoço num terraço sobre o precipício. Lá em baixo o rio parecia um regato e as gôndolas que cruzavam o desfiladeiro razando o rio e subindo até à encosta contrária tornavam-se irresolúveis ao olho nú. Saímos com a esperança que a inclinação se tornasse mais branda, e assim foi se só ligeiramente. Mais três horas de paragens sucessivas e alguma chuva forte depois estávamos a celebrar no topo (daquela parte) do mundo. Para nós aquela parte era o mundo todo, daquele dia pelo menos. Fazia um frio que estranhávamos. O ar voava sem quem o contrariasse e os nossos impermeáveis pareciam pouco aconchegados para o vento que nos enregelava a descer a encosta depois do cume.

Mais um pouco e chegávamos a Aratoca. O dia tinha sido longo e árduo e chegamos ao povoado já anoitecia. Encontrámos uma casa toda só para nós, com cozinha, quarto e água quente e não hesitámos. Contentes e quebrados foi com satisfação que nos enroscámos para fazer frente ao frio sono adentro.

In a little while we reached Aratoca. The day had been long and hard and we came to the village it was already getting dark. We found a whole house to ourselves, with kitchen, bedroom and hot water and we jumped in. Happy and broken it was with pleasure that we snuggled to face the cold in the forthcoming sleep.

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After a an imposed day’s rest at an unlikely hotel crammed in the bottom of an already respectable canyon of the affluent that we went down two days before, the time had come for the bigger canyon. The majestic Chicamocha is famous for it’s shores, that rise over a thousand meters high from the river level to the summits in either side.

We had still to descend for three kilometers, passing a toll and the town of Pescadero, where the stream meets the river, and immediately after crossing the bridge at the end of the village lies the endless climb. Along the river we begin to see constructing machines that collect sand from the river bank that trucks in immense effort raise to the level of the road, and that increasingly resemble small children’s toys as we increased the distance separating us from them. Not so much in horizontal distance but more in height, because the road was dancing on the slope of the mountain and between the coming and going of the asphalt, it put us one hundred or another of meters higher.

The heat was relentless. There was hardly any high vegetation along the route and the sun pushed the thermometer to more than 50 °C. We fought against the power of nature celebrating every shade as a resting place doing a mini-picnic by the roadside. We lost count of the times we stopped, either to eat a guava bocadillo (or any other snack) or to drink a cold coke.

We passed the first 600 m – to approximately 1200m high, was nearly two in the afternoon and the natural park of the canyon Chicamocha was the only and ideal stopover point for a well deserved lunch on a terrace overlooking the cliff. Down the river looked like a stream and the gondolas crossing the gorge razing the river and climbing up the opposite slope became undistinguishable to the naked eye. We left with the hope that the slope became milder then on, and so it was only slightly. Three more hours of successive stops and some pouring rain later we were celebrating on top (of that part) of the world. For us that was the whole world, that day at least. It was a cold that we felt unfamiliar. The air flew without anything to contradict it and our rain jackets seemed little impervious to the wind that chilled us down the slope after the peak.

In a little while we reached Aratoca. The day had been long and hard and we came to the village it was already getting dark. We found a whole house to ourselves, with kitchen, bedroom and hot water and we jumped in. Happy and broken it was with pleasure that we snuggled to face the cold in the forthcoming sleep.

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