A queda e o que se seguiu | The fall what and came next

O dia de saída de Antigua seria absolutamente fabuloso, uma descida de quase 70 Km, seguida de uma pequena subida de mais 16 Km, e já só nos faltaria um dia de viagem para entrar em El Salvador. Os primeiros quilómetros, ainda em plano e por uma estrada bonita, revelavam-nos bons presságios, parámos numa bomba de gasolina para comer um snack, e logo nos fizemos à estrada para começar a descida de grande inclinação e algumas curvas apertadas.

Sem saber bem porquê, numa dessas curvas eu (Sara) estaria a olhar para anteontem e só vi o buraco na estrada quando a roda já estava praticamente lá dentro, a única coisa que consegui fazer foi travar, e um ou dois metros à frente outro buraco, daqueles feitos pelo garfo de uma escavadora aguardava já a minha bicicleta descontrolada, fazendo-me cair com a bicicleta por cima. A minha primeira reacção foi chamar o Pedro o mais alto que conseguia para evitar que se fosse embora a toda a velocidade na descida, mas ele, que tinha conseguido evitar os buracos a tempo, sem poder fazer nada para me avisar, já tinha abrandado e visto o acidente pelo espelho retrovisor, e rapidamente parou para me vir ajudar.

Caída no meio da estrada e cheia de medo que algum carro não travasse a tempo de me acertar em cheio, tentei sair dali o mais depressa que consegui, não tão rápido quanto desejável, mas já uma pick up tinha parado atrás de mim evitando algo pior. E posto isto desatei num pranto!

Os estragos não foram maus, pele do joelho, cotovelo e ombro deixados no alcatrão, bati com a cara no chão e pensava que também a tinha raspado toda mas não, a t-shirt rasgada e o meu saco do guiador com raspões, a fita do guiador esfolada mas o resto da bicicleta impecável. Uma sorte no meio do infortúnio!

O Pedro fez-me os curativos e depois decidimos apanhar uma boleia de volta a Antigua onde sabíamos que íamos ser bem tratados até eu estar recuperada. Desta vez o anjo da guarda foi o Carlos, também ciclista e o único condutor que decidiu parar. Chegados a Antigua, a Geraldine, enfermeira disse que o melhor seria aproveitar a tarde de sol e ir à piscina do hotel, pôr água com cloro nas feridas e depois tomar um banho bem quente (luxo que não existia na casa onde estávamos). E foi mesmo o melhor que fiz, e não fosse ter apanhado uma infecção urinária e tudo teria corrido às mil maravilhas!

O dia seguinte foi pior, com o corpo todo dorido e passado quase todo em descanso. Mas depois disso resolvemos aproveitar o tempo em que não ia poder ciclar e resolvemos sair de Antigua para visitar o Lago Atitlán, na companhia do Jan.

Este lago é um dos lugares mais conhecidos da Guatemala e foi apelidado por Aldous Huxley de “demasiado de uma coisa boa”. Está rodeado de montanhas e vulcões e na margem instalaram-se pequenas aldeias maias, reconhecidas pelo seu artesanato ou pelos seus poderes curativos. Tal como tantos lugares guatemaltecos, também o lago foi, em parte, tomado pelo turismo, ora mais rico dos hotéis de charme e restaurantes de luxo, ora mais pobre com hostels e festas, passando pelos holísticos a tentar captar as boas energias do ambiente. Pelo meio luxuosas casas, indígenas pobres e barcos públicos e particulares que andam de um lado para o outro a ligar as várias povoações.

A Natureza e as vistas são maravilhosas, o ambiente depende da aldeia onde nos encontramos.

Regressados do lago, bastaram mais dois dias de descanso e já estávamos prontos para nova tentativa. Desta vez não caí e passados os primeiros trinta quilómetros fui recuperando a confiança e o à vontade com a bicicleta. As vistas foram ficando mais verdes, as pessoas mais simpáticas novamente (tal como quando chegámos – talvez tenha algo a ver com a proximidade da fronteira), e os bombeiros que nos deram guarida muito atenciosos. Dois dias de viagem e El Salvador estava a um quilómetro de distância.

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Leaving Antigua would bring us a fabulous day, a descent of almost 70 Km, followed by a small climb of 16 Km and we would be a day away from El Salvador. The first few kilometers, flat and through a beautiful road revealed a good start. We stopped at a gas station to have a snack and then we hit the road and started the steep descent with some narrow curves.

I (Sara) don’t know why, but in one of those curves I wasn’t really paying attention and I only saw the big hole when my front wheel was entering it. The only thing I could do was break and one or two meters after that that there was another hole, in the form of a scratch, waiting for my out of control bicycle, making me fall underneath it. My first reaction was to scream Pedro as loud as I could, trying to avoid that he kept going fast on the descent. But he had seen and avoided the holes, but without being able to alert me, he was already going slow and watching the accident on his rearview mirror, so he stopped really quickly to come help me.

I fell on the middle of the lane and was really scared that some car couldn’t break in time to avoid hitting me, so I tried to get out of there as soon as I could, but not as quickly has I should, however a pick up truck had already stopped behind me avoiding the worst. And then I started crying!

The damage were not so bad, I left some skin from my right elbow, shoulder and knee on the road, I also hit with my face on the floor but it was ok, my t-shirt, the handlebar bag and part of the bar tape got some scratches but the rest of the bicycle and gear were fine. I was very lucky in the middle of my unlucky moment!

Pedro helped me with first aid and then we decided to take a ride back to Antigua, where we knew we would have a nice place to stay and rest until we could move again. This time the guardian angel was Carlos, also a cyclist and the only driver who decided to stop. When we arrived in Antigua, Geraldine, who is a nurse, said the best thing I could do was go to the hotel swimming pool, put some water with chlorine on the wounds and then take a really hot shower (luxury that we weren’t entitled at the house where we were). And it was a really good thing to do, except for the fact that I got an urinary infection, otherwise it would have been wonderful!

The next day was not so good, I had a sore body, and spent the entire day resting. But after that we decided to leave Antigua and visit Lake Atitlán with Jan.

This lake is one of the most famous places in Guatemala, and was described by Aldous Huxley as “too much of a good thing”. It’s surrounded by mountains and volcanoes, and on the shore there are some mayan settlements, known by it’s crafts or it’s healing powers. As many other places in Guatemala, part of the lake was taken by tourism, the richest kind with boutique hotels and fancy restaurants, the backpacker style, with hostels and parties, or even the holistic kind, maybe trying to capture some of the lake’s energies. Between luxury houses and poor indigenous people, public and private boats cross the lake linking the villages.

The Nature and the views are gorgeous, the ambience depends on the village.

We got back from the lake and it took only two more rest days to get us ready for our next try. This time I didn’t fell and after the first thirty miles I recovered my confidence with the bicycle. The views became greener, the people became nicer (just as when we arrived – maybe it has something to do with the proximity of the border), and the firefighters who provided us a place to sleep were very thoughtful. Two days of traveling and El Salvador was only a kilometer away.

 

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