Ego, teimosia e uma tentativa falhada | Ego, stubbornness and a failed attempt

Tuxtla Gutierrez não mereceria uma visita só por si, mas havia o Cañon do Sumidero e a espectacular subida até San Cristobal de las Casas, e por isso decidimos ficar por aí e fazer o resto de bicicleta.

No dia em que chegámos fomos logo ao Cañon e no dia seguinte tentámos acordar muito cedo, mas o cansaço da viagem de autocarro abateu-se sobre mim (Sara), dormi só mais cinco minutos que se transformaram em hora e meia e decidimos ficar mais um dia, o da visita ao zoo. Quando chegámos à cidade preparámos tudo para o dia seguinte e deitámo-nos bem cedo.

Para chegar a San Cristobal de Las Casas há duas opções, a estrada de cuota (auto-estrada), só com 63 km, ou a libre, que vai pelo meio da serra mas com 82 km. Em ambos os casos a subida é sempre de 2000 metros. Animada por conquistas recentes, como o Paso de Cortez, achei que conseguíriamos subir pela auto-estrada e fazer tudo num só dia. O Pedro bem insistia em irmos pela libre, que seria com certeza mais bonita, mais tranquila, com mais que ver, e sítios para acampar pelo meio se fosse preciso. Não sei porque é que não o ouvi, mas na minha cabeça nós íamos ser capazes.

Os dez primeiros quilómetros, comuns a ambos os caminhos, foram muito fáceis, sair da cidade e descer. Antes de entrarmos na auto-estrada o Pedro ainda me perguntou se tinha a certeza em relação à auto-estrada, eu disse que sim e lá fomos. A primeira dificuldade foi o enorme calor na já de si difícil subida, o segundo a pressão para fazermos tudo no mesmo dia. Por isso não fizemos tantos intervalos para descansar, não comemos as vezes que devíamos e começámos a sentir-nos frustados com as contas de cabeça a pensar a que horas chegaríamos se continuássemos àquele ritmo.

Eram 43 km de pura subida. Ao meio dia e meia tínhamos feito 14 km quando decidimos parar para almoçar junto a uns trabalhadores das obras. Comemos e eu percebi que íamos ter que acampar praticamente à beira da estrada. Depois de comer pedimos aos trabalhadores para encherem as nossas garrafas. Em mais uma hora tínhamos feito quatro quilómetros e esvaziado as garrafas. A estrada não tinha nada de inspirador, a vista, que ia ficando cada vez mais alta, era bonita mas não tinha nada de especial que nos motivasse a continuar. Foi então que pedi ao Pedro para parar e lhe disse que tinha razão, devíamos ter ido pela libre, e que só nos restava acampar. Segundo ele, à velocidade que bebíamos água, esta não ia ser suficiente para os dois dias de caminho. Podíamos voltar atrás e voltar a tentar no dia seguinte pela outra estrada, o que seria um bocado estúpido já que tínhamos percorrido parte do caminho, ou tentar apanhar uma boleia. Depois de um bom bocado à sombra a descansar optámos pela segunda.

Em menos de quinze minutos, três para conseguir a boleia, e o resto para arrumar tudo, estávamos sentados no banco traseiro da pick-up do Luís enquanto voávamos estrada acima, já no fresco do ar que entrava pelas janelas. E a verdade é que havia uns comedores e umas lojas pelo caminho onde teria sido possível abastecer-nos, e a estrada também ficava mais interessante. A paisagem a mudar para pinheiros, a impressão de atravessar as nuvens. Mas devemos confessar que nos soube bem a boleia, chegar tão cedo à cidade e pensar que as regras da nossa viagem somos nós que as fazemos.

De lição fica que, independentemente do número de quilómetros, a nossa capacidade de subida fica-se pelo mil metros diários, e é com isso que temos que contar para planearmos os nossos percursos, e para não ficarmos feridos nos nossos egos.

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Tuxtla Gutierrez would not merit a visit in itself , but there was the Cañon Sumidero and the spectacular climb to San Cristobal de las Casas, and so decided to stay there and get to San Cristobal de Las Casas by bike.

The day we arrived we went to the Cañon and the next day we tried waking up really early, but the fatigue of the journey by bus came over me (Sara), so I slept five more minutes that turned into an hour and a half and we decided to stay another day, and visit the zoo. When we got back to town that nigh we prepared everything for the next day and went to sleep really early.

To get to San Cristobal de Las Casas there are two options, the cuota road (highway), with only 63 km, or the libre, going through the mountains but with 82 km. In both cases the climb is always 2000 meters. Encouraged by recent achievements such as the Paso de Cortez, I thought we could go up on the highway and do everything in one day. Pedro insisted on going through the libre, it would be with more quiet, there would be more to see, and certainly most beautiful places to camp through if we needed. I don’t know why I did not hear him, but in my mind we were going to be able to do it.

The first ten kilometers, common to both pathways, were very easy, getting out of town and then down. Before we get on the highway Pedro asked me if I was sure about it, I said yes and so we went. The first difficulty was the enormous heat in the already difficult climb, the second the pressure to do everything in one day. So we did not do as many rest breaks as we should, didn’t eat as often as we should and we started to feel frustrated with the math on our heads thinking what time we would get to our destination if we kept to that pace.

The path consisted of 43 km of pure climb. At noon and half, after doing 14 km of the climb we decided to stop for lunch near some construction workers. We ate and I realized we were going to have to camp by the side of the road. After eating we asked workers to fill our bottles. In another hour we had done four kilometers more and emptied the bottles. The road was anything but inspiring, the view, which was getting higher, was beautiful but had nothing special to motivate us to continue. It was then that I asked Peter to stop and told him he was right, we should have gone through libre, and that we had to camp that night. According to him, at the speed we were drinking water, there would not be enough for the two-day journey. We could go back and try again the next day by the other road, which would be a bit stupid as we had already cycled part of the way, or trying to catch a ride. After a good bit in the shade to rest, we opted for the second.

In less than fifteen minutes, three to get the ride, and the rest to get everything inside, we were seated in the back seat of Luis’s pick-up truck as we flew up the road, now in the cool air that came through the windows. And the truth is that there were places to eat and a few shops along the way where we would have been able to supply, and the road was also more interesting. The changing landscape to a forest of pine trees, the impression of passing through the clouds. But we must confess that it was really nice to take the ride, arriving soon to the city and thinking that the rules of our trip are made by us.

However we learned our lesson, regardless of mileage, our ability to climb is of a thousand meters daily, and that’s what we have to count when we plan our routes and not to have our egos wounded.

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