Idaho dos banhos de rio | Idaho of the river baths

Idaho era um daqueles estados em relação aos quais não tínhamos quaisquer expectativas. Sabíamos que não ia demorar muito a atravessar, que tínhamos um contacto de um sítio para ficar a meio do caminho e pouco mais.

Para chegarmos à fronteira do estado era necessário subir mais uma passe, o Lolo Pass, mudar de hora uma vez mais (já estamos agora com oito horas de diferença em relação a Portugal) e depois, para grande surpresa nossa, apreciar a descida do passe para uma espécie de floresta encantada, vistas maravilhosas, e cedros gigantes.

No dia seguinte foi altura de descer a estrada 12, ao longo do rio Clearwater (água límpida), provavelmente a estrada mais bonita que já fizemos até agora, onde no final de cada curva vamos descobrindo paisagens de sonho. De um lado da estrada uma colina com uma armação maciça de árvores, do outro lado o cenário repete-se, mas entre a colina e a estrada um rio de águas cristalinas, mais do que convidativo a um bom banho.

E foi assim que inaugurámos a série, “um banho de rio por dia, não sabe o bem que lhe fazia””, às vezes o calor era tanto que mergulhávamos mesmo vestidos, uma vez tive um ataque de pânico e achei que ainda me afogava ou era levada pelo rio, apesar de ter a água abaixo dos joelhos. No entretanto, como não parava de sorrir ninguém sentiu necessidade de me ajudar (nota mental: não sorrir da próxima vez que me sentir em “perigo”, mesmo que me aperceba do ridículo da situação). Quando fomos tomar banho, em plena noite escura, a uma barragem imensa, tanto eu como o Pedro nos sentimos fragilizados com a situação e tentámos despachar-nos o mais depressa que conseguimos, num dia em que acampámos numa praia fluvial, entre duas montanhas, tomámos banho à noite para nos limparmos e de manhã para nos refrescarmos antes de começar o dia. Pelo meio ainda ficámos num parque de campismo com piscinas de águas quentes, que nos souberam a pato já depois de escurecer.

E que tal a nossa tenda? Tem-se portado lindamente, conseguimos dormir sem o duplo tecto, a ver as estrelas ou mesmo uma lua cheia a nascer atrás de uma montanha, mas houve um dia muito especial, o mesmo da barragem, em que nos separámos do resto do grupo e ficámos só com o Kevin e a Jeanné, em que dormimos sem tenda, só assim, dentro dos sacos-cama, e sob o céu ultra estrelado.

Mais umas subidas de montanha, mais vistas incríveis e descidas super divertidas, daquelas que nos fazem bater records de velocidade e em que sentimos o vento quente a percorrer-nos o corpo, num dia de generosidade do acaso, ao fim da tarde, e depois de uma subida bem puxada, encontrámos na estrada um saco de compras, caído de algum carro em andamento, com pão, queijo, salame, massas instantâneas, sumos, tudo devidamente embalado e em quantidade suficiente para partilhar em grupo.

E foi também a generosidade e alegria da Irene, que tínhamos conhecido num pequeno-almoço no Connecticut, e do Carl, que acolheram seis esfomeados ciclistas (o Garry e a Liz ficaram para trás em Missoula e só nos voltámos a reunir mais tarde) com iguarias caseiras, incluindo limoncello (mais parecido com água ardente com sabor a limão), numa noite muito bem passada. Ainda mais divertido foi ver as três cabras que eles têm na sua imensa propriedade, e que usam quando vão fazer caminhadas e acampar nas montanhas durante alguns dias, para lhes carregarem as bagagens. As cabras são bichos muito muito engraçados, sobem escadas, tentam entrar dentro de casa, pedem que lhes façam festas e são malucas por amendoins (e por qualquer tipo de comida). A Irene e o Carl revelaram-se pessoas surpreendentes. No meio de um terreno gigante têm uma pequena cabana que imaginamos decorada em estilo rústico, nada mais diferente, parece o nosso pequeno e moderno T1 em Lisboa. Agora já estão reformados, mas antes eram bombeiros para-quedistas, ou seja, quando começava um fogo no meio de uma montanha, sem estradas de acesso, eles eram largados do ar, juntamente com uma enorme quantidade de equipamento e ficavam na floresta, às vezes mais de uma semana, até o fogo estar extinto. Depois tinham que sair pelo seu próprio pé e carregar às costas todo o equipamento. Num Idaho conservador, republicano, pró-armas e anti-Obama, este casal é sem dúvida uma excepção em muitos sentidos.

E assim, num instantinho, que é como quem diz, numa semana, nem sempre com o grupo todo, chegámos à fronteira com o Oregon.

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última foto da autoria de Annie Long | Last photo was taken by Annie Long

Idaho was one of those states for which we did not have any expectations. We knew it would not take long to go through, we had a contact for a place to stay midway and little else.

To get to the state line we had to climb one more pass, Lolo Pass, change time again (we are now eight hours difference from Portugal) and then , to our surprise , enjoy the descent of the pass to a kind of enchanted forest, wonderful views, and giant cedars .

The next day it was time to go down the road 12 along the Clearwater River, probably the most beautiful road we’ve done so far, where at the end of each curve we discover wonderful landscapes. On one side of the road a hill with a massive frame of trees, on the other side the same thing, but between the hill and the road a river of crystal clear waters, inviting for a good bath.

And so it was that inaugurated the series, “a river bath per day, puts you in a good way” sometimes the heat was so intense that we even dived in our clothings, one of the times I (Sara) had a panic attack and thought I could drown or being taken by the river, despite knowing that the water was below my knees. In the meantime , I did not stop smiling so nobody felt the need to help me (mental note : do not smile the next time I feel in ” danger “, even if I’m aware of the ridiculousness of the situation) . When we went to bathe in full dark night, at a huge dam, both me and Pedro felt fragile with the situation and tried to hurry up as fast as we could, on a day when we camped in a beach by the river, between two mountains, we took bath in the evening to cleanse and in the morning to freshen up to start the day. We even stayed at a campsite with hot pools, where we hanged out after dark and it was so good!

And what about our tent? It’s been really good, we can sleep without the flysheet, to see the stars or even a full moon rising behind a mountain, but there was a very special day, by the same dam, where we separated from the rest of the group and we were only with Kevin and Jeanné. We slept without a tent, just like that, with our sleeping bags , and under the ultra starry sky .

We had some more mountain climbs, incredible views, super fun descents, the kind of ones that make us hit speed records and where we can feel the hot wind in our body, in one day, by chance, after a tough climb, we found a shopping bag by the road, that probably just fell from a moving car, with bread, cheese, salami, instant noodles, juices, everything still packed and enough to share with the group.

And it was also the generosity and joy of Irene (who we had known over a breakfast in Connecticut) and Carl, who welcomed six hungry cyclists (Garry and Liz were back in Missoula and we only got back together later) with homemade delicacies, including limoncello (more like burning water with lemon flavor) and a night well spent. Even more fun was to see three goats that they have in their immense property, and that they use when they go hiking and camping in the mountains for a few days, for them to carry the luggage. Goats are very very funny animals, they climb stairs, try to enter the house, ask for petting and are crazy for peanuts (and any kind of food) . Irene and Carl proved to be surprising people. In the middle of a big property, they have a small cabin, that we imagined was decorated in a rustic style, nothing more different, it looks like our small modern apartment in Lisbon. Now they are retired, but before they were parashoot firefighters, ie, when a fire started in the middle of a mountain, with no access roads , they were dropped from the air , along with a huge amount of equipment and stayed in the forest until fire was extinguished. Then they had to leave by their own fooy and bring back all the equipment on their backs. In a conservative, republican , pro-gun and anti-Obama Idaho, this couple is definitely an exception in many ways .

And so, in a jiffy, or a week, not always with the whole group, we came to the Oregon border.

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