Rafting no rio Flathead | Rafting at Flathead river

Aqui (Sara) me e nos confesso. Nunca tínhamos feito rafting e o nome Glacier Park invocava águas geladas e rios rápidos. A maioria dos americanos tinha boas sandálias, roupa adequada e alguma experiência e nós, de havaianas e com os nossos simples fatos-de-banho sentíamo-nos inadequados à tarefa.

A tranquilidade fácil da Ann ajudou bastante, a precisão com que ia dando instruções asseguraram que estávamos em boas mãos, a forma como encaixou facilmente no bote uma geleira cheia de cervejas e gelo garantiram-nos que não ia haver qualquer perigo. Estávamos em boas mãos.

A escolha era entre ir num barco de dois lugares ou no de dezasseis (mais ou menos dois…). Inexperientes como éramos, nós e o resto dos europeus, escolhemos logo o barquinho maior, onde ia a guia, e onde a probabilidade de cairmos ao rio nos pareceu mais escassa. Ainda mais nervoso que nós só o Garry, que não sabia nadar. A escolha dos lugares foi feita em função dos níveis de salpico, mais à frente ficamos mais molhados, mas é bom que quem tenha alguma experiência ocupe os lugares fronteiros pois são estes os “chefes” do resto dos remadores. Aos da frente cabe-lhes coordenarem-se entre si, e aos restantes tentar remar ao mesmo tempo que os primeiros.

A Liz, que já tinha alguma experiência, ofereceu-se e ficou à frente do lado direito, seguida pelo Garry e por mim. Do lado esquerdo ficou o Maarten seguido do Pedro e do Tod. No meio a Annie, sem nenhum remo, que ainda estava a recuperar da queda. Atrás a Ann e mais uma amiga, também ela guia de rafting.

Aos restantes (Evan, Jeanné, Kevin, Eric, e mais dois amigos australianos) coube a sorte de seguirem em barcos dois a dois.

O barco já estava a navegar quando a Ann saltou para a frente e nos explicou como posicionarmos o corpo, como remar, e como era importante não pararmos de remar nos rápidos, já que essa era a única forma de tentar estabilizar o barco para não se virar. Passámos o primeiro obstáculo, remámos, tudo correu bem, até que ela nos informou que estávamos prestes a entrar no primeiro rápido, ao que o Garry, com um ar preocupado, retorquiu: “o quê? Aquilo não era um rápido?”

Também nos disse que tinha sido no rápido que aí vinga que uma das cenas do filme Wild River tinham sido gravadas. “Aquela em que o irlandês cai do barco!”, respondeu de imediato o Garry.

E em que consiste a essência do rafting? – Dito por esta vossa expert, e com base na sua única experiência: em navegar ao sabor da corrente de um rio de águas cristalinas; pousando os remos para apreciar a tranquilidade e a beleza da paisagem; em remar com força, vigor e de forma coordenada para ultrapassar os rápidos e a aproveitar aquele momento do dia, em que o Sol já não bate de chapa e vai anoitecendo devagarinho.

Depois do primeiro rápido a Ann percebeu que o Pedro era um remador por excelência e sugeiru pô-lo à frente, para se coordenar com a Liz. Não sei se a Ann também terá percebido a sua enorme capacidade de liderança, entenda-se por capacidade de liderança fazer aquele papel do senhor do tambor nas galés romanas, enquanto ritmava as remadas dos pobres condenados. Assim ia o Pedro, quando a Ann dizia para remarmos, lá começava ele, “remem!, remem!, remem!, remem!”, algumas vezes dando mais remadas do que o necessário, mas levando-nos sempre a bom porto, e evitando a viragem do bote.

De rápido em rápido lá fomos indo, e então começaram as peripécias. Primeiro foram o Pedro e a Liz que decidiram tomar banho de rio, seguidos de algum pessoal nos barcos mais pequenos. Depois foi o Eric que caiu ao rio, ficando por alguns instantes preso numa corrente, mas o seu companheiro voltou para o salvar e ele conseguiu subir para o barco. Em seguida o Evan e um dos australianos ficaram presos nas rochas, a Jeanné levou com uma carga de água em cima. Parámos os barcos e a Ann desafiou quem quisesse a saltar de uma ponte com uns 10 metros de altura, para mais, directamente para o rio. Contagem até três, um dos australianos hesitou e ainda demorou mais uns minutos a ganhar coragem. E o Maarten quando mergulhou ainda bateu com um bocadinho da cara na água. Gente corajosa!

Quem ainda se mantinha sequinho era o Tod, estado que o Eric tentou alterar puxando-o do barco para o rio. Enquanto a Ann dizia, “dás-me um bocadinho da tua cerveja?” e ele lhe passava a lata inocentemente, o Eric aproximou-se por trás no seu pequeno barco e tentou puxá-lo para o rio, o que não resultou à primeira tentativa. Eis que à segunda o Eric pôde contar com a nossa ajuda, e enquanto o Pedro o empurrava, eu, feita Tweety (piu-piu), ia-lhe tirando os dedos bem agarrados à geleira, um por um. Já cheia de calor e com alguns remorsos pela ajuda a tão maquiavélico acto (e no fundo, temendo que fosse eu a próxima vítima), resolvi atirar-me ao rio também e fazer companhia ao Tod.

Ainda não descansado com as suas partidas, o Eric resolveu puxar o Pedro para a água, tendo sido de imediato ajudado pelo Tod, mas ele não se ficou. Em vez de cair ao rio trepou pelo barco do Eric acima, e por lá ficou, quase até ao fim da viagem, em posição nunca antes testemunhada, inclusive pela própria Ann, que já acumula anos de experiência como guia de rafting.

E assim chegámos à praia, já quase ao anoitecer, molhados e a sentir o frio que chegava com a noite. Depois foi regressar a casa, comer uma excelente pizza e agradecer esta oportunidade de um dia de vistas gloriosas, novas experiências e amizades especiais.

Tendo em conta a situação potencialmente molhada não registámos o momento em fotografias, mas aqui ficam mais algumas do Parque de Glacier.

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Here I ( Sara ) and for both of us confess . We had never done rafting and the name “Glacier Park” invoked icy waters and swift rivers . Most Americans how accompanied us had good shoes, appropriate clothing and some experience and we, on our flip-lops and casual bathing suits – felt inadequate to the task ahead.
Ann’s easy tranquility helped a lot, the precision with which was giving instructions ensured that we were in good hands, how she easely embedded crate full of beers on ice in the raft assured us that there would be no danger. We were in good hands.
Our choice was either to go on a boat of two or in a bigger of sixteen places (minus two plus two…) . Inexperienced as we are, us and the rest of the European, then chose the larger vessel, where there was a guide, and where the probability of falling in the river seemed slighty scarcer. Even more nervous that we was Garry, who could not swim . The choice of sites was done according to the level of potential speckle, the ones on the front would get more wet , but it’s good that who takes the forward places has some experience for these will be the “leaders” of the rowing crew. The leaders’ role is to coordinate among themselves , and to the rest try to row at the same pace.
Liz, who already had some experience, volunteered and stayed ahead on the right, followed by Garry and me. On the left was the Maarten followed by Pedro and Tod . On the center Annie, with no paddle, as she was still recovering from the fall. On the back Ann seated steering the raft with paddle and besides her laid another friend, she also a rafting guide .
The remaining ( Evan Jeanné , Kevin , Eric , and two Australian friends ) fell fortunate to follow in three two person boats.
The boat was already sliding down the river when Ann jumped forward and explained how to position our bodies, how to paddle and how important we never stop paddling the rapids , as this was the only way we had to try and stabilize the boat, so it would not flip over. We passed the first hurdle , we row, everything went well , until she informed us that we were about to enter the first rapid, to that Garry, carrying a worried look, replied: “What? This was not a rapid?”
The guides also told us that it was where one of the scenes from the movie “Wild River” had been recorded . ” The one where the Irish guy falls from the boat!”, Garry responded immediately.
And what is the essence of rafting ? As put by yours truly experts, and based on our sole experience: surfing with the flow of a river of clear waters; putting the paddles aside to enjoy the tranquility and beauty of the landscape; to row with strength, stamina and coordinated to overcome the rapids and enjoy that moment of the day, when the sun has not striking hard as nails and is slowly setting .
After the first rapid Ann realized that Peter was a natural born rower, she suggested him moving forward, to coordinate with Liz. I do not know if Ann has also realized its enormous capacity for leadership, leadership here meaning the capacity to act in the same manner as a Roman galleys’ master drum , while pacing the strokes of the poor chained slaves. So was Peter when Ann commanded to paddle, he began “row!, row! , row! , row!” sometimes taking more strokes than necessary , but always leading us to a successful conclusion , and avoiding turning the boat .
The rapids succeeded as we floated downstream, and then began the adventures. First were Peter and Liz who decided to bathe in the river, followed by some of the guys in the smaller boats . Then it was Eric who fell into the river on one of the craziest rapids, getting momentarily stuck on a back rip, but one of his mates came to rescue and he got back on the boat. Just after that Evan and one of Australians were trapped in the rocks , and Jeanné took a major water splash. We stopped the boats and Ann then challenged anyone who wanted to jump off a bridge over 10 meters high directly to the river. Count to three, one of the Australians still hesitated and took a few more minutes to gain courage. And Maarten plunged, but still hit his face in the water a little. Brave people!

Who still remained dry was Tod , state that Eric tried to change it by pulling the boat to the river. As Ann said , ” give me a bit of your beer? ” And he handed her the can innocently , Eric came up behind in his small boat and tried to pull him into the river, which did not work at first attempt. Behold, on Eric´s second try he could count on us, and while Peter was pushing and tickling Tod’s feet, I made like ​​Tweety, snapping free his fingers firmly attached to the glacier, one by one. Also feeling hot and having some remorse for assisting in such a machiavellian act (and deep down fearing that I was the next victim), I decided to throw myself in the river and make company to Tod.
Not yet over with his trickeries, Eric decided to pull Pedro out of the boat and was immediately helped by Tod; but he didn’t went down easy. Instead of falling to the river he climbed up Eric´s boat, and there remained, almost to the end of the trip, in a position never before witnessed , even by Ann itself , who has several years of experience as a rafting guide.
And so we came to the beach, almost at dusk, wet and feeling the incoming night coldness. Then it was back home , eat a great pizza and this opportunity to thank a day of glorious views , new experiences and special friendships.

Due to the wetness of the situation our cameras were left in the car, so here are some more photos of Glacier National Park.

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