Os dias fáceis no Kansas | The easy days in Kansas

Apesar da estrada a direito, que continua por quilómetros e quilómetros, do calor imenso, da monotonia da paisagem, da falta de sombras e da distância entre povoações, o Kansas acabou por se revelar um sítio fácil para viajar.

Em quase todas as cidades é permitido acampar no parque da cidade, geralmente com casas-de-banho e água mesmo ali à mão, na maioria das vezes com uma piscina por perto e chuveiros disponíveis. A população parece ser feliz e muito bem disposta. Sorriem-nos no supermercado, facilitam-nos a vida, tratam-nos com cortesia, e, como quase toda a gente, perguntam-nos de onde vimos, para onde vamos, quantas milhas fazemos por dia, o básico. Entrar na piscina varia entre o totalmente gratuito e um dólar por pessoa. Em Ness City um senhor escondeu-nos um dólar em cada bicicleta, em Scott City ficámos instalados num edifício de uma igreja, com acesso a chuveiros quentes, cozinha, mesas de bilhar, sofás, chão alcatifado e wi-fi. Em Sterling um casal simpático que estava numa roulote perto de nós no parque da cidade, ofereceu-nos gelo, uma autêntica benção face às temperaturas sentidas, sobremesa e ensinou-nos a jogar um tipo diferente de dominó.

Foi no Kansas que conseguimos, à custa do horrores sofridos e da conversa com outros ciclistas que fomos conhecendo, estabelecer uma rotina mais eficiente, acordar entre as cinco e as seis, começar a pedalar o mais tardar às sete sete, e meia, ver as nossas sombras longas na estrada enquanto o Sol vai subindo atrás de nós, almoçar entre as onze e o meio dia, porque nessa altura já o dia vai a meio, e chegar cedo, aproveitar a piscina, o banho, jantar cedo e ir para a cama entre as oito e as nove, sim nós sabemos, para Portugal são horários chocantes. Nunca pensámos que deitar cedo e cedo erguer fosse mesmo mesmo proveitoso, mas é verdade.

E como se tudo isto não fosse já bom o suficiente, a meio da viagem começámos a ter o vento a nosso favor, o que, associado à ausência de inclinação do terreno nos fez voar com as nossas bicicletas. E acho que foi a partir daí que começámos mesmo a apreciar esse belo estado que é o Kansas.

Num só dia conseguimos andar 120 km! Levou-nos praticamente onze horas, mudámos de estado e também de fuso horário. Agora chega a vez do Colorado e aguardamos com entusiasmo, e algum respeito, as Montanhas Rochosas.

Paulo Leal, continuamos a treinar para conseguirmos ir contigo até Évora numa manhã, esperamos no final da viagem já estarmos aptos a tal feito!

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Despite the straight road, that goes for miles and miles, the immense heat, the monotony of the landscape, the lack of shadows and the distance between towns, Kansas turned out to be an easy place to travel.

In almost every city is allowed to camp in the city park, usually with bathrooms and water right there, most often with a pool nearby and showers available. The population seems to be happy and in a good mood. They smile at us in the supermarket, make our lives easy, treat us with courtesy, and, like almost everyone, ask us where we come from, where we are going, how many miles a day do we achieve, the basics. Entering the pool varies between totally free and a dollar per person. In Ness City a man hid us a dollar in each bicycle, in Scott City we stayed in a building of a church, with access to hot showers, kitchen, pool tables, sofas, carpet floor and wi-fi. In Sterling a nice couple who was near us in a small RV in the city, offered us ice, a real blessing in face of the temperature, dessert and taught us how to play a different kind of dominoes.

It was in Kansas that, at the expense of the horrors we suffered and by talking with other cyclists we meet, we establish a more efficient routine, waking up between five and six, start riding the latest at seven to seven and a half, see our long shadows on the road as the sun rises behind us, lunch between eleven and noon, because by then we are already at the middle of the day going, and arrive early, enjoy the pool, the bath, have dinner early and go to bed between eight and nine, yes we know, for Portugal this schedule is shocking. We never thought that going to bed early and rise early would be really really useful, but it’s true.

And as if all this were not already good enough, at the middle of our passage trough Kansas we started to have a tail wind, which, coupled with a lack of inclination of the terrain made us fly with our bikes. And I think it was from there that we started to appreciate this beautiful state of Kansas.

In one day we managed to cycle 75 miles! It took us nearly eleven hours, we entered a new state and also a new time zone. Now comes the turn of Colorado and we look forward to go to the Rockies, with enthusiasm and some respect.

Paulo Leal we are still practicing to go with you to Évora in one morning, hopefully at the end of the trip we are already capable of such a feat!

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