Há dias assim | Some days are like this

Depois de Manheim e de uma manhã chuvosa e tarde nublada e ventosa, chegando a Columbia, chegou a hora de atravessar o rio Susquehanna (o nome é índio) e chegar a Wrightsville. A pouco mais de meia dúzia de quilómetros há um parque de campismo só de ciclistas. E o que é um parque de campismo só para ciclistas perguntam vocês?

Parece que há uns anos alguém pediu ao Frank e à Sally para acampar no seu relvado. Eles gostaram tanto da experiência, e tinham uma quinta inteira à disposição que decidiram contactar a Adventure Cycling Association (a organização que faz os mapas e rotas que temos estado a usar) e incluir a sua quinta no roteiro. Assim é só telefonar, não é preciso pagar, temos condições precárias, mas ainda assim um chuveiro com água quente à disposição e uma pá para escavar uma latrina. O Harry pensou que entre uma sanita ou um chuveiro os ciclistas preferissem o segundo. Na mouche! Esta foi também a noite mais fria que já aqui enfrentámos, quase com temperaturas negativas, e que passámos na nossa tenda.

Os donos da quinta, pessoas muito dadas à gargalhada, diga-se de passagem, depois de nos receberem e mostrarem as instalações, convidaram-nos para tomar o pequeno-almoço em sua casa no dia seguinte, onde nos presentearam também com frutos secos e muffins para o caminho.

O dia seguinte é que foi pior. Eu (Sara) acordei ligeiramente mal disposta. Ainda pensei que o melhor seria ficar mais um dia, mas com o optimismo que, regra geral, assola o meu espírito, tomei um priperam e achei que a má disposição passaria em menos de nada. Não passou, depois de uma súbita visita à casa-de-banho em casa dos nossos hosts, e já na estrada, o Pedro, perante uma nova aflição, teve que perguntar a um senhor que cortava a relva no jardim se eu podia utilizar a casa-de-banho dele. Foi então altura de tomar um Imodium Rapid (que rapidamente fez efeito), mas o dia não melhorou. Ainda conseguimos fazer 24 kms, porque o caminho era praticamente sempre a descer e nas poucas subidas o Pedro ia-me ajudando a levar a bicicleta a pé. Quando chegámos à subida tive que dormir, já não aguentava mais.

Depois de meia hora resolvemos ligar para um parque de campismo pelo qual tínhamos passado, mas a senhora que atendeu estava só a dar uma mãozinha e não sabia se havia vagas. Ligámos então para os nossos hosts daquela noite a avisar que eu estava doente e que talvez ficássemos no parque de campismo. De forma muito atenciosa e depois de perceberem a nossa localização prontificaram-se para nos ir buscar de carro, dali a duas ou três horas, o que aceitámos prontamente.

Ainda assim, a provação não tinha acabado. A vila onde nos iam buscar ficava a 7 km do sítio onde estávamos e o caminho era constituído pela subida mais íngreme com que nos tínhamos deparado até aí. Depois de tentar pedalar, desisti passados 20 metros, o Pedro passados 50. Com grande esforço fui subindo e empurrando a bicicleta. Estava o Pedro já a preparar-se para me vir ajudar quando parou um carro na estrada a perguntar se precisávamos de ajuda. E foi assim que pusemos todas as bagagens no carro, as bicicletas num suporte que o amável casal de anjos tinha no carro, e voámos até Jarretsville, o nosso próximo destino.

Não sei quem enviou aquela boleia providencial, mas no fundo do meu coração eu sabia que ia receber ajuda de alguma forma!

Como a Elaine e o Tom ainda não estavam em casa quando chegámos, esperámos por ele no alpendre, acompanhados pelo seu espectacular cão, o Bruce.

E foi assim que doente, fui parar a casa de dois enfermeiros (ela com uma especialidade que a aproxima de um médico de clínica geral), que nos deixaram ficar por quatro dias, até eu estar totalmente recuperada da gastroenterite (presumo eu) que tive de enfrentar.

Confesso que ao fim do segundo dia doente eu estava pronta para voltar para casa. Felizmente fiquei melhor e a vontade de viajar prevaleceu.

Ao Tom e à Elaine, aqui deixamos o nosso profundo agradecimento, pois foram o melhor porto de abrigo que podíamos encontrar!

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After Manheim and a rainy morning and windy overcast afternoon, arriving at Columbia it was time to cross de Susquehanna River (it’s an indian name) and arrive at Wrightsville. Little more than 5 miles from town along the trail there is a cyclists only campground. And what is a cyclists only campground, you ask?

Seems that a few years ago some couple stoped at the top of the steep hill that precedes the trail just in front of Frank and Sally’s house. After some talking, they proposed them to stay in a space they had in their farm, just a couple hundred meters back on the road they just climbed. They liked it so much, they decided to contact Adventure Cycling Association (the organization that lays downs the trails and puts out the maps we’ve been using) and asked them to include their farm as a camping ground for cyclist in the route. As it is, one only needs to call in advance, and with no fee we’re entitled to primitive camping facilities, but still with the luxury of a warm bath and shovel to dig a latrine hole in the ground. Harry had to choose between a toilet or a hot shower, and thought cyclists would prefer the latest. Bullseye! That was the coldest night we encountered since we started our trip, near freezing temperatures, and we spent it in our tent!

The owners of the farm, people fond to a laugh, one has to say, after welcoming us and showing the facilities, invited us to breakfast at their house the following morning, offer which we gladly took. After the meal and some lovely chattin’, they offered us dried nuts and muffins to keep us going on our journey.

That following day thing didn’t turn out to be so good. I (Sara) woke up feeling not so well. Still tought that it would be best to stay put one more day, but as an optimistic spirit which I usually am , I took some medicine and thought the ill disposition would go away in an instant, but it didn’t. After a sudden visit to our hosts bathroom, and already on the road, Pedro, facing the recurring ailment, had to ask a gentleman who mowed is lawn to allow me to use his bathroom.

Then I decided to take an Imodium Rapid, that acted almost instantly, but the day didn’t improved. We were still able to do 24 km of the day’s expected length, because the road was mainly downhill and in the few uphills Pedro would help me push up the bike. When we arrived at a foot of a hill, I couldn’t do it no more, I had to sleep for a little while.

After half an hour we resolved on calling a camp ground we just cycled by, but the lady that answered the phone was just lending a hand, and didn’t knew if there were any vacancies. We then called our scheduled hosts to warn them of my condition and that I would not be able to cycle all the way and that we intended to stay in that camp ground if we could. In a very thoughtful way and after getting a sense of where we were, they promptly offered to pick us up by car, in two of three hours time, offer that we took right away.

But even so, the day’s test wasn’t over still. The town where we arranged to meet where 4 miles ahead of where we were, and the road comprised the steepest longest climb we ever faced until. After trying to pedal our way up, I gave up after 20 meters, Pedro after 50. With great effort I slowly pushed myself and the bike uphill. While Pedro was walking down to help me push the bike another stretch of the climb a car stopped alongside him and asked if we were in need of any assistance. And we shure were! We put all the luggage in the trunk and the bikes on a rack that that lovely couple of guardian angels wad in their car and it seemed we flew just until our host’s door, in Jarretsville.

I still can’t figure out who sent that providential lift, but from the bottom of my heart, I knew help was coming somehow!

Has Elaine and Tom weren’t home we waited for them in the sheltered porch of their home, accompanied by their friendly dog, the most amazing creature, Bruce. That’s how I ended up in the house of two nurses, Elaine of the practitioner kind, whom allowed us to stay for four days in their home, until I was recovered enough from the (presumibly) gastroenteritis I had to cope with.

I have to confess: by the end of the second day of illness I was ready to cut it short and fly back home. Thankfully I stayed and the will to travel prevailed.

To Tom and Elaine, here we leave our sincere acknowledgment, for they where the best safe harbor we could ever find!

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3 pensamentos sobre “Há dias assim | Some days are like this

  1. It is the hard days and the uphill slogs that make the other days even more magical. Excited that you found a great host and took time to recover.

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