É mais fácil pedalar | It’s easier to cycle

Já por várias vezes nos pusemos a nós e às bicicletas em autocarros, traseiras de pick-ups, comboios, barcos e até num carro alugado. Nunca é uma decisão tomada de ânimo leve, em primeiro lugar porque viemos foi para pedalar, e a bicicleta ainda nos parece a melhor forma de conhecer um país, e em segundo lugar, porque, com excepção das pick-ups e de alguns comboios ou ferries, pôr as bicicletas em qualquer transporte é uma grande chatice.

O autocarro parece ser o rei dos problemas! Porque é preciso uma grande bagageira, porque às vezes nos querem cobrar mais pelas bicicletas que pelos nossos bilhetes, porque é preciso uma grande capacidade de negociação, sangue frio e persistência, e ao mesmo tempo genica para chegar com as bicicletas perto da bagageira, tirar tudo o mais depressa possível para pôr as bicicletas sem a roda da frente e depois todos os alforges. Ao mesmo tempo é preciso estar com muita atenção para ver se na nossa inúmera bagagem não desaparece nada, e tudo o que é de valor tem que ir aos nossos pés ou ao colo, já que pôr alguma mala na prateleira por cima da cadeira é um convite a que ela desapareça em menos de nada. Ora com tamanho stress é natural que não queiramos apanhar autocarros, e de cada vez que o fazemos pensamos “que seja a última vez.” Mas ao mesmo tempo, os autocarros permitem-nos fazer distâncias longas, que demorariam dias ou semanas e assim aproveitar o tempo para percursos mais agradáveis, seguros, interessantes ou ficar com pessoas que gostamos e que sabemos que dificilmente voltaremos a ver, e por isso de vez em quando lá apanhamos mais um, de tal maneira que, fazendo as contas outro dia nos apercebemos que cerca de um quarto da viagem foi feita em transportes (16.000 em bicicleta e 5.000 em transportes).

Na Colômbia fomo-nos demorando por aqui e por ali até o nosso visto estar quase a chegar ao fim, e não querendo pagar nenhuma multa, e visitar também outros países, decidimo-nos a ir de autocarro entre Popayán e a fronteira. Cerca de 320 quilómetros feitos em dez horas, e já agora aproveitando a boleia para subir uma valente montanha.

O que não contavámos era que o feriado atrapalhasse tanto os nossos planos. Diligentemente, no Domingo fomos ao terminal a saber horários e tentar comprar bilhetes, que afinal só se vendem no próprio dia. Apenas duas companhias tinham autocarros com bagageira suficiente para as bicicletas, mas numa delas os autocarros vinham de Bogotá, pelo que apenas umas horas antes saberíamos e cabiam as bicicletas, e na outra só o autocarro das dez e meia da manhã era grande o suficiente. Resolvemo-nos pelo último e com o pequeno-almoço tomado e as despedidas feitas pedalámos até ao terminal. A mesma menina que nos tinha dado a informação no dia anterior recebeu-nos com um enorme sorriso e disse-nos que afinal o autocarro não se ia realizar e que todos os outros estavam esgotados.

Foi um balde de água fria, e a normal eficiência colombiana desta vez não estava a fazer muito por nós. Regressámos a casa da Floralba com os números de telefone das companhias para ir sabendo informações, mas de cada vez que ligávamos a situação parecia piorar, até que por volta das oito lá nos disseram que havia um autocarro às três da manhã e outro às quatro, ambos procedentes de Bogotá. Deitámo-nos o mais cedo que conseguimos e já nem tirámos nada das bicicletas. Por volta da uma o despertador tocou e apressadamente arranjámos tudo e telefonámos para o terminal, aparentemente havia um autocarro às duas e meia. Lá fomos a toda a velocidade pelas ruas escuras e desertas da cidade, com excepção de um táxi ou outro e assim que chegámos dirigimo-nos ao funcionário, que dormia, e com alguma culpa lá lhe perguntámos se havia autocarro. Sim havia, mas apenas por volta das três e meia, e depois de um telefonema confirmou-se, tinha espaço para as bicicletas. Comprámos os bilhetes, não celebrando a vitória antecipada, já que essa só a celebramos quando chegamos ao destino com tudo intacto e aguardámos no frio da noite, acompanhados de outras almas com o mesmo azar que nós.

Felizmente tudo coreu bem e quando o autocarro chegou foi arranjado espaço para nós, mas acabámos por pagar 50.000 pesos pelas bicicletas (20 €), quando os bilhetes para nós tinham custado tinham sido 68.000 pesos (27,50 €), às quatro da manhã não há quem aguente regatear, mas mesmo assim tinham-nos pedido originalmente 80.000 pesos (32 €).

Foi com alguma pena que começámos a vislumbrar as montanhas quando o Sol nasceu, absolutamente imponentes e muito diferentes do que já tínhamos observado na Colômbia. Depois da cidade de Pasto o cenário fica muito verde, com enormes cascatas a cair das paredes quase verticais e o motorista ansioso por chegar fazia as curvas um bocadinho depressa de mais, mas chegámos vivos, embora mais mortos que vivos e com vontade de chegar a um hotel para descansar o mais depressa possível, já que o Pedro estava um pouco adoentado.

À tarde ainda fomos visitar a atracção local, o Santuário das Lajas, onde terá havido uma aparição da Nossa Senhora. Já tínhamos visto a igreja em inúmeras fotografias e por isso ficámos um pouco decepcionados com o seu tamanho. Ainda assim a igreja está construída numa escarpa e a estrutura não deixa de ser impressionante.

Depois de um dia de recuperação e exploração de Ipiales chegou a hora de mudar de país, e três meses depois de entrarmos saímos finalmente da fantástica Colômbia.

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Several times we have put ourselves plus the bikes on buses, pick-up trucks, trains, boats and even a rental car. A decision like this is never taken lightly, first because we came here to ride, and the bike still seems to be the best way to know a country, and secondly, because, with the exception of pick-ups and some trains or ferries, putting the bike in any form of transportation is a big hassle.

The bus seems to be the king of the problems! Because it needs to have a big trunk, because sometimes they want to charge more for the bikes than the price of the tickets, bikes because you need to have a big bargaining power, cold blood and persistence, while at the same time be quick enough to arrive with bikes near the tailgate, take everything as quickly as possible to put the bike without the front wheel in and then all the panniers. At the same time we must be very carefully to see if the luggage does not disappear, and everything that is of value have to go on our feet or on our lap, because if we put something on the topo shelve it will probably disappear in no time. With such stress is natural that we do not want to take buses, and each time we do it we think “that is the last time.” Still buses allow us to do long distances, that would take days or weeks and thus enjoy time for more pleasant, safe or interesting roads or staying with people we like and we know that we will hardly see again, and so once in a while twe take another one, so that, doing the math the other day we realized that about a quarter of the journey was made by some sort of transportation (cycling: 16.000 km; transportation: 5.000 km).

In Colombia we travelled around quite a lote until our visa was almost coming to an end, and not wanting to pay any fines, and also visit other countries, we decided to take the bus between Popayan and the border. About 320 kilometers made in ten hours with the extra bonus of leaving us on the top of a mountain.

What we did not expect was that a holiday day would messed up our plans. Diligently, on Sunday we went to the terminal to find out schedules and try to buy tickets, which after all are only sold on the day of the trip. Only two companies had enough big buses with luggage space to take the bicycles, but some of the buses were coming from Bogota, so only a few hours before the bus came we would know if there was enough space for the bikes. The other bus with space would leave at ten thirty in the morning coming from Cali so we decided to take this one. On the next morning we took breakfast, did the farewells and biked to the terminal. The same girl who had given us information on the previous day greeted us with a huge smile and told us that the bus was not going to happen as all the others were taken.

It was a bucket of cold water, and normal Colombian efficiency this time was not doing much for us. We came back to Floralba’s with the phone numbers of the companies to try and have some information, but every time we called the situation seemed to get worse until around eight o’clock they told us there was a bus at three in the morning and another at four, both coming from Bogotá. We went to bed as early as we leaving the bikes totally packed. At around one the alarm rang and hurriedly we got ourselves and everything ready and phoned the terminal, apparently there was a bus at half past two. So we went at full speed through the dark and deserted city streets, except for tow or three taxi and as soon as we arrived we headed to the clerk, who was sleeping, and with some guilt in waking him up we asked him if there was bus. Yes there was, but only around three-thirty, and after a phone call was confirmed, it had space for bicycles. We bought the tickets, not celebrating an early victory, since we only celebrate when we reach the destination with everything intact, and we waited in the cold of the night, accompanied by other souls with the same fate as us.

Fortunately everything went well and when the bus arrived they arranged space for us, but we ended up paying 50,000 pesos for the bikes (€ 20), when our tickets had costed 68,000 pesos (€ 27.50), but at four in the morning there is only some haggling one can do, but still they had originally asked us 80,000 pesos (32 €).

It is with some pitty that we began to glimpse at the mountains when the sun rose, they were absolutely impressive and very different from what we’ve seen in Colombia. After the city of Pasto the scenery is very green, with huge waterfalls falling from almost vertical walls and the driver was going quite fast on the curves, but we arrived alive, though very exhausted and willing to reach a hotel to rest as soon as possible, since Pedro was feeling a bit sick.

In the afternoon we also visit the local landmark, the Shrine of Lajas, where there has been an apparition of Our Lady. We had already seen the church in countless photographs and so we were a little disappointed with it’s size. Yet the church is built on a slope and the structure is nonetheless impressive.

After a day of recovery and exploration of Ipiales the time to change the country arrived, and after three months of entering the fantastic Columbia we finally left.

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