Paraíso | Paradise

Corriam os vinte e três dias do mês de Novembro, do ano da graça de 2013, quando estes vossos criados, habituados há mais de três décadas a pôr um pezinho no oceano, o mais tardar no mês de Junho, deram o seu primeiro mergulho do ano, nas águas transparentes do Mar de Cortéz, em plena Bahia Concepcion. Finalmente praias paradisíacas, e a nossa viagem começou a ganhar alguns contornos de uma típica lua-de-mel.

Antes de chegarmos à praia, passámos dois dias a descansar na bonita e tranquila cidade de Mulegé, na Casa de Hóspedes Manuelita, esta última quase a cair aos bocados, onde conhecemos a Pernile e o Thomas, um casal de dinamarqueses que estão a dar a volta ao mundo em dois anos, por meios variados. Correntemente têm um carro em segunda mão, que compraram no Canadá e que está prestes a desintegrar-se.

No nosso guia lemos acerca da Bahia Concepcion e decidimos rumar à Playa Escondida, uma praia de difícil acesso, e consequentemente livre das enormes autocaravanas americanas a estragar a paisagem. Ainda não tínhamos saído de Mulegé e logo encontrámos quatro ciclistas que decidiram juntar-se a nós e com eles passámos uns belíssimos dias de dolce fare niente, com excepção da apanha de amêijoas, que deu direito à Noemie a ser picada por uma raia, mas que nos deu um fantástico jantar de churrasco de conchas. Num dos dias um local apareceu na sua carripana a vender camarão, e mais uma vez nos deliciámos com um fabuloso almoço de marisco. Pelo meio dormimos sestas, fizemos fogueiras, assistimos ao nascer do sol, vimos um pelicano a planar na água como se de uma pista de gelo se tratasse, nadámos e observámos a incrível biodiversidade do Mar de Cortéz, que Jacques Costeau apelidou um dia de aquário do mundo.

Cansados desta praia, que em vez de areia tem conchas de amêijoas partidas, testemunho da enorme quantidade que aqui existe, e que é apanhada, e comida pelos mexicanos que enchem as praias no Verão e na Semana Santa, rumámos à praia El Coyote, localizada a cerca de 2 km da anterior. Aqui tínhamos o contacto do Paul e da Gayle, americanos de San Diego que nos receberam na sua casa mexicana, e que nos deram a conhecer a realidade desta pequena localidade onde americanos reformados escolhem passar os seus invernos. O Paul é artesão e faz magníficas peças em vidro, que são depois vendidas como colares, brincos ou bibelots, para lojas de artesanato nos Estados Unidos e na Baja California. Desde que tenha o seu equipamento pode trabalhar em qualquer local. Já a Gayle ainda mantém um trabalho como assistente legal, que a obriga a voltar a San Diego, depois de dois meses de férias, mas do qual se vai reformar já no próximo ano, para que este fabuloso casal possa passar todo o tempo que quiser no México. Para isso compraram uma casa e em conjunto com o resto da comunidade vão arranjando recursos próprios, para enfrentar o isolamento típico da zona. Cada casa tem o seu próprio poço, painéis solares e geradores, algumas têm ligação satélite à internet, e em comum já arranjaram uma ambulância e um carro de bombeiros, instalaram uma antena de telecomunicações, e têm um sistema de rádio que os liga aos bombeiros e onde ouvem às oito da manhã o tempo e as marés.

Durante o resto do dia, o rádio também serve para relatar os mexericos referentes aos membros da comunidade, aos dois mexicanos mafiosos e inimigos que são os donos dos terrenos na praia onde as casas são construídas, aos vizinhos que construíram a sua própria casa, incluindo o sistema eléctrico, que depois pegou fogo e pelo caminho incendiou umas quantas casas à volta. Até nós, que acompanhámos o Paul e a Gayle, na noite de baile, no bar local, onde duas margaritas nos deixaram KO’s, e onde dançámos ao som dos maiores êxitos comerciais das últimas décadas, devemos ter sido alvo de um ou outro comentário na rádio. Em suma, foram dias de verdadeira diversão, num regresso a uma pequena América, que culminou com uma tradicional refeição de peru e outras iguarias no Dia de Acção de Graças, no bar da praia Buenaventura, onde nos despedimos dos nossos amigos, para depois passarmos a noite na deserta praia de Requeson, mesmo ali ao lado.

Pelo caminho ainda nos aventurámos num passeio de caiaque ao longo da baía, fizemos mais praia, descansámos, relaxámos e preparámo-nos para mais uma estirada de longos quilómetros até Loreto.

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It was the twenty- third day of November, in the year of 2013, when these servants of yours, accustomed for more than three decades to put our feet in the ocean at the latest in June, had our first swim of the year, in the transparent waters of the Sea of Cortez, in the middle of Bahia Concepcion. Finally paradisiacal beaches, and our trip started gaining some contours of a typical honeymoon.

Before we get to the beach, we spent two days resting in beautiful and quiet town of Mulegé, at Casa de Hóspedes Manuelita, the latter almost falling apart, where we met the Pernile and Thomas, a Danish couple who are in a world tour, by various means. Currently they have a second-hand car, which they bought in Canada and it is about to crumble.

In our guide we read about Bahia Concepcion and decided to head to Playa Escondida, an inaccessible beach, and therefore free of the huge American campers spoiling the landscape. We had not yet left Mulege and soon we met four cyclists who decided to join us and together we spent some beautiful days of dolce fare niente, with the exception of harvesting clams, with poor Noemie being stung by a stingray, but which gave us a fantastic shells BBQ for dinner. On one day a local appeared on his pick up truck selling shrimp, and once again we marveled with a fabulous seafood lunch. We took naps, made campfires, watched the sunrise, saw a pelican gliding on water like if it was an ice rink, we swam and observed the incredible biodiversity of the Sea of Cortez, that Jacques Cousteau once called the aquarium of the world.

Tired of this beach, that instead of sand has broken clam shells, witness of the huge amount that exists here, and that is caught and eaten by Mexicans who fill the beaches in the summer and during Holy Week, we headed to the beach El Coyote, located about 2 km from the previous. Here we had contact Paul and Gayle, Americans from San Diego who received us in their Mexican home, and we got to know the reality of this small town where retired Americans choose to spend their winters. Paul is a craftsman and makes magnificent pieces of glass, which are then sold as necklaces, earrings or trinkets for craft stores in the United States and Baja California. Since he has his own equipment he can work anywhere. Gayle still holds a job as a legal assistant, which requires them to return to San Diego after two months of vacation, but she is retiring next year, so this fabulous couple can spend all their time in Mexico. For this purpose they bought a house and together with the rest of the community they are arranging their own resources to fight the typical isolation of the area. Each house has its own well, solar panels and generators, some have satellite internet connection, and in common they already arranged an ambulance and a fire truck, installed a telecommunications antenna, and have a radio system that connects to the firefighters and where at eight in the morning they hear the weather and the tides.

During the rest of the day, the radio also serves to report the gossip relating to members of the community, the Mexican mobsters and enemies who are the owners of the land on the beach where the houses are built, the neighbors who built their own home, including the electrical system, which then caught fire and burned a few houses around is. We guess they even gossiped about us, when we accompanied Paul and Gayle, on the evening of the dance at the local bar, where two margaritas left us KO, and where we danced to the sound of the biggest commercial successes of recent decades. In short, the days were real fun, a return to a small America, culminating with a traditional meal of turkey and other delicacies on Thanksgiving Day at the beach bar in Buenaventura, where we parted from our friends, and then move to spend the night at the deserted beach Requeson, right next door.

During this time, we ventured on a kayak trip along the bay, we enjoyed the beach, we rested, we relaxed and we prepared for another long stretch to Loreto.

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