Desportos Aquáticos | Water Sports

A excelente recepção do Ken e Kenny, para além da cama, banho e comida – tudo de primeira categoria – trazia-nos um desafio revelado no último momento de espertina. Na troca de um dia mais em Los Angeles, poderíamos iniciar-nos nos desportos aquáticos. O dia da semana a que chegámos a Long Beach impossibilitava que o fossemos fazer nesse mesmo dia, e foi assim que, quase decepcionado, o Ken nos disse que seria uma pena que partíssemos já no dia seguinte, pois perderia a chance de nos levar a andar de caiaque. O plano era ainda mais apetecível pois a voltinha tinha como último objectivo ir jantar fora. Ora a ideia de chegar ao restaurante de caiaque, de tão inusitada, parecia-nos esplêndida.

Foi assim que, apenas no dia seguinte, ponderámos a hipótese de aceitar a oferta do Ken. Para tal teríamos que conseguir falar com o Dennis, o nosso próximo warmshower em Newport Beach, e que nos esperava nesse mesmo dia. A distância a percorrer não era muito longa, e decidimos tentar falar com ele até cerca das 11.30, e se não o conseguíssemos até então, partiríamos. Enquanto passávamos o tempo elaborando conteúdo para esta vossa modesta edição digital, íamos tentando estabelecer contacto com o Dennis, tanto por telefone como por e-mail, e quase por milagre, ele responde em em cima do gongo, dizendo que não haveria problema, se não nos importássemos de prescindir do jantar que se nos destinava nesse mesmo dia, poia a Diane no dia seguinte estaria muito ocupada, assim como ele. Tal troca pareceu-nos justa, e como tal aceitámos as condições e ligámos ao Ken a dizer que iríamos ainda estar pela sua casa quando ele e o Kenny voltassem, ansiosos por exercitar os peitorais.

Passámos o dia recatados e dedicados à escrita, e grande parte do dia havia passado quando o Kenny chegou e nos brindou com um sorriso e instigando acção. Era necessário levar o caiaque que nos estava destinado do pátio traseiro para a entrada e vestir algo que pudesse molhar-se sem prejuízo. Assim quando o Ken chegou foi apenas necessário pôr tudo no carro, e o sol já se tinha posto quando seguíamos para oeste e de seguida para sul, com destino à marina de Long Beach. De pagaia na mão e tranquilizados pela flutuação que o colete que vestimos nos garantia, remámos até ao largo e aí esperámos pelos nossos gentis hóspedes. Os seus caiaques estariam armazenados por perto, e levar-lhes-ia uns dez minutos a juntarem-se a nós (tempo suficiente para pensarmos de tudo, até que nos deixariam ali, no meio da marina com a roupa do corpo), mas assim que nos reunimos, seguimos para o restaurante sem demora.

A noite estava calma, sem vento, e as águas da marina eram tranquilas, facilitando a nossa inexperiente remada. Iniciámos caminho quase chocando com um par de gôndolas, confirmando a nossa incrível inabilidade para manejar um caiaque de duas pessoas. Consequencia: íamos discutindo e tentávamos perceber quem remava mais, quem mandava mais, quem desviava o barco da direcção, quem era o responsável de ficarmos tão para trás. Esclarecida ficou a prova de que o nosso casamento não sobreviveria à lua-de-mel se viajássemos num tandem.

Cruzámos pontes – numa varição surpreendente – pelo lado de baixo, e passámos ao lado de grandes iates ao largo de opulentas casas de aspecto aristocrático, até chegarmos à doca que dá para as traseiras do mall onde atracámos, e num esforço hercúleo para não cairmos à água, saímos para um belíssimo jantar num restaurante mexicano. Connosco levámos as pagaias e aprendemos que são como as chaves do carro, nunca se podem deixar no barco sem correr o risco de a ele regressar para não o mais encontrar. Mas estas são bastante mais difíceis de pôr no bolso…

Já de barriga cheia e muito divertidos por entrar e sair do restaurante de pagaias em riste, voltámos à doca. E em mais uma bela hora de discussão, zigzageando marina fora, lá atolámos o caiaque na areia e carregámo-lo até perto do carro. Depois chegaram os nossos amigos que deram uma bela mangueirada em todo o equipamento, e regressamos de cú tremido novamente até casa.

Pelo caminho passámos pelo ponto mais alto de Long Beach, onde avistámos ao longe uma parte da iluminada Los Angeles. Ainda mais estranho é o facto de existirem poços de petróleo, com as respectivas máquinas extractoras em funcionamento, em lotes de terreno junto às casas!

No dia seguinte rumámos a Newport Beach, onde nos esperavam o Dennis e a Diane. O dia foi curto, e ociámos a manhã para chegarmos no final da tarde num dos mais stressantes dias de ciclismo, por uma estrada de inumeras faixas cruzadas por potentes bólides que nos ignoravam rasando quilómetro sim, quilómetro não, salvo o troço com ciclovia, já mais perto do nosso destino.

À noite demos uma volta pela cidade, pois fomos brindados por tempo a sós por obrigações dos nossos anfitriões, mas no dia seguinte de manhã fomos surpreendidos por um tema que se tornava recorrente. Uma nova proposta para experimentar um outro desporto aquático. Desta vez para andar de outrigg, uma canoa com origem havaiana, no presente caso um barco com uma tripulação que pode ir até seis pessoas.

Todas as quintas-feiras às oito da manhã há um passeio para quem aparecer, e o Dennis costuma levar os seus hóspedes ciclistas, quando assim calha, para dar uma volta. Pois calhou-nos a oportunidade, e claro, não a queríamos desperdiçar!

Por oposição ao caiaque do dia anterior onde as instruções foram curtas e concisas, aqui fomos instruídos na posição das mãos e do corpo, das ordens da tripulação, do lado para onde tínhamos que nos virar para não virarmos o barco quando não estivéssemos a remar. Como é um desporto de equipa é necessário coordenação total, daí a importância de sabermos precisamente o que fazer.

Barcos na água, desta vez com a ajuda das dez pessoas, eu (Sara) e o Pedro encontrámo-nos separados em equipas diferentes. Atrás de mim o comandante sempre a corrigir-me a posição e a dar-me dicas, e quando passados dez minutos lhe disse que andávamos depressa, respondeu-me que só estávamos a aquecer. “Ups”, pensei eu, já em angústia com  esforço que se antevia. Instruiu-me então que se ficasse cansada devia parar de remar, já que a descoordenação com o resto da equipa faz com que o barco desacelere.

Parece que a boa forma física que já vamos atingido ajudou bastante, e conseguimos acompanhar a equipa o tempo inteiro. Demos uma longa volta ao largo, e numa pequena corrida entre os dois barcos senti que pela primeira vez na minha vida contribuí para a vitória de um desporto de equipa. Sem nos apercebermos a distância percorrida quando mudámos de direcção e encarámos a praia de longe estava tudo muito pequenino. Passamos por um pequeno farol cheio de leões marinhos, e só não avistámos os desejados golfinhos.

Voltando à praia, levámos os barcos de volta ao clube e todos se cumprimentaram pelo bom trabalho. Estranhamente houve dois comentários, ambos das duas únicas mulheres que tinham ido connosco, que me soaram estranhos. Uma delas disse que já tinha ganho o almoço. Ora se eu pedalo todos os dias quilómetros sem fim, não era uma volta de barco que ia fazer muita diferença. Já a outra disse para tomar um advil (a versão americana do brufen). Este então achei que era algo exagerado.

De volta a casa, pegámos nas nossas miúdas e fizemos oitenta quilómetros até Carlsbad, e foi já ao fim da tarde que percebi o que é que eram verdadeiramente aqueles comentários. Já nos habituámos ao esforço da bicicleta, mas o uso de músculos diferentes traz dores completamente diferentes! E assim passámos um belo serão, em sofrimento (mais eu do que o Pedro), com dores nas costas, advil, vinho tinto e o que mais pudesse atenuar a minha dor.

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The excellent reception at Kenny’s and Ken’s, besides the bed, bath and food – all first class – brought us a challenge revealed at the last moment of night time. In exchange for a day in Los Angeles, they could start us in watersports. The day that we arrived at Long Beach were to make it impossible for the same day, and so an almost disappointed Ken told us it would be a pity if we go the next day, since we would lose the chance to go kayaking. The plan was even more attractive because the ride was ultimately intended to go out to dinner. Now the idea of getting to the restaurant in a kayak, so unusual, seemed to us splendid.

The next day, we pondered the possibility of accepting Ken’s offer. To achieve this we would have to talk to Dennis, our next warmshower in Newport Beach, which was expecting us that same day. The travel distance was not too long, and we decided to try to talk to him until about 11:30, and if he was unreachable, we could still leave. While we spent time developing content for this modest digital edition, we were trying to establish contact with Dennis, either by phone or by email, and almost miraculously, he replies in upon the gong, saying that there would be no problem if we did not care to go without the dinner that was prepared in that day, since in the next day Diane and him would be very busy. This exchange seemed to us fair, and with such accepted conditions we called Ken to say that we would still be by his house when he and Kenny returned, eager to exercise the pectoral.

We spent the day demure and dedicated to writing, and much of the day had passed when Kenny arrived and offered us a smile and instigating action. It was necessary to take the kayak that was designed in the back yard for the entrance and wear something that could get wet without prejudice. So when Ken arrived it was only necessary to put everything in the car, and the sun had already set when we headed west and then south, bound for Long Beach marina. With the paddles in hand and reassured by the flotation vest we dress we row up off and waited there for our kind guests. Their kayaks were stored close by, and would take them ten minutes to join us (enough to think of everything, maybe they would leave us there in the middle of the marina just with our clothes and nothing else), but as soon as they arrived, we went to the restaurant without delay.

The night was calm, no wind, and the waters of the marina were quiet, facilitating our inexperienced stroke. We started almost shocking way with a pair of gondolas, confirming our incredible inability to handle a two-person kayak. Consequence: we were discussing and triyng to figure out who rowed over, who sent over, who diverted the boat steering, who was responsible as we get back. This was an evident proof that our marriage would not survive the honeymoon if we traveled in a tandem.

We crossed bridges – a surprising variation – from below, and we passed next to large yachts near opulent homes of aristocratic appearance, until we reached the dock near the backdoor of the mall where we docked, and in a herculean effort not to fall to the water, went out for a wonderful dinner at a Mexican restaurant. We brought with us and we learned that the paddles are like car keys, they can never leave the boat without running the risk of returning to find nothing in it’s place. But these are much more difficult to put in your pocket …

With our bellys full and having great fun to enter and exit the restaurant with the paddles in hand, we returned to the dock. And another great hour of discussion took over, after a constant left to right in the marina we got to the sand and bear it until near the car. After our friends arrived we rinsed all the equipment, and we returned home by car.

Along the way we passed the highest point in Long Beach, where we saw in the distance a part of Los Angeles light. Stranger is the fact that there are oil wells, with the respective extractor machines in operation, on plots of land next to the houses!

The next day we headed to Newport Beach, where Dennis and Diane were waiting for us. The day was short, but it took us a while to go in the morning, to arrive in the late afternoon in one of the most stressful days of cycling along a road crossed by numerous tracks where potent cars who made us close calls every other mile, with the exception of the bike lane section.

At night we went around the city, as we were treated by time alone for obligations of our hosts, but the next day in the morning we were surprised by a theme that became recurring. A new proposal to try other water sports. This time to ride outrigg, a canoe with Hawaiian origin, in this case a boat with a crew of up to six people.

All Thursdays at eight in the morning there is a tour for those who appear, and Dennis cyclists often take their guests, as well as rail, for a spin. For us the opportunity just happened, and of course we didn’t want to waste it!

In contrast to the previous day’s kayaking where instructions were short and concise, here we were instructed in the position of the hands and body, orders to the crew, to what side we should turn in order not to turn the boat over. Full coordination, hence the importance of knowing precisely what to do as this is a team sport.

Boats on the water, this time with the help of ten people, I (Sara) and Pedro found ourselves separated into different teams. Behind me the commander always corrected my position and gave me tips, and when ten minutes later I told him that him we were going fast, he replied that we were just warming up. “Oops,” I thought, already in trouble with the anticipated effort. He Instructed me that if I got tired I should stop rowing, since the mismatch with the rest of the team makes the boat decelerate.

It seems that the fitness that we have achieved greatly helped, and we accompanied the team all the time. We took a long turn off, and a small race between the two boats felt that for the first time in my life I contributed to the victory of a team sport. Without realizing the distance traveled when we changed direction and we looked at the beach far everything was very little. We passed a small lighthouse full of sea lions and just missed the desired dolphins.

Returning to the beach, we took the boat back to the club and all shook hands for the good work. Strangely there were two comments, both of the only two women who had come with us, that sounded strange to me. One of them said I had already earned lunch. Well if I pedal lots mile days on end, it was not a boat ride that would make much difference. The other said to take an advil. And then I thought this was a little exaggerated.

Back home, we took in our girls and made fifty miles to Carlsbad, and it was already late in the afternoon when I truly realized what those comments were about. I’m now accustomed to the effort of the bicycle, but the use different muscles brings totaly different pains! And so we spent a wonderful night, with back pain, advil, red wine and what more could ease my pain.

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