Um sítio seguro e seco para passar a noite | A safe and dry place to spend the night

Após o dia de descanso a trabalhar na quinta da Gillian, saímos o quão cedo nos é possível após fazer um novo amigo, pois as despedidas são sempre por nós honradas, e por isso levam o todo o tempo necessário, partimos no que seria o último troço de planura antes de chegar ao sopé das montanhas Rochosas. Antes iriamos parar na maior cidade desde Washington D.C., Pueblo, que serviria de porto de abrigo e pausa para um fôlego necessário antes de entrar no que esperamos ser um regime de respirações curtas e cada vez mais esforçadas face às subidas constantes e ar mais leve.

O dia estava calmo e nas primeiras dezenas de quilómetros o vento era algo atravessado mas ainda nos dava um empurranzinho nas costas permitindo galopar cada quilómetro a uma cadência animosa, chegando a tempo de almoço a Boone, onde comemos sentados no chão empurrando as típicas sandes de manteiga de amendoim e geleia com duas garrafas de litro de gatorade, seguindo o exemplo de dois ciclistas, pai e filho, que seguiam em direção oposta.

O calor da tarde saturava o céu de água e sombriamente, à medida que nos aproximávamos de Pueblo, ia-nos sacudindo por toda a berma, obrigando-nos a pedalar continuamente sem parar. As nuvens escorriam, ora à nossa esquerda ora à nossa direita, e sem grande ímpeto salpicavam-nos nas franjas das suas cortinas.

Com o vento a ser um aliado, chegámos a Pueblo antes das 15h, e tentámos ir o mais cedo possível a um dos postos do correio da cidade, onde esperava estar o cabo do painel solar da JOOS, enviado em general delivery. Apesar de chegarmos ao sítio com alguma dificuldade, mas a tempo, afinal o posto não recolhia correio em espera e o local correto era no centro financeiro da cidade, bem longe dali.

Como estávamos já mais perto da casa do nosso hóspede resolvemos ir apresentar-mo-nos, largar os alforges e correr para o posto dos correios certo. Só tínhamos uma oportunidade pois eram 16h de sexta-feira e o posto fechava às 17h para só reabrir na segunda-feira seguinte. Assim que conhecemos o Ric e explicámos a situação ele prontificou-se a levar-nos lá de carro. Largamos tudo: bagagens e bicicletas no quarto do seu apartamento e seguimos na missão de recolha das encomendas no Yaris do Ric, para grande gáudio da Sara.

Na primeira tentativa falhámos pois era o posto errado! A senhora que estava ao balcão lá indicou qual o posto correto e como lá chegávamos. Outra vez no carro e armados de papel com indicações e gps lá seguimos para Midtown, faltavam 25 min para o posto fechar. Entre o bulício da hora de ponta a menina na caixa colada ao para-brisas ia indicando as direcções até um parque com edifícios térreos de planta quadrangular. Dos correios nem sinal à primeira vista, mas após contornarmos as duas esquinas do edifíco que se nos apresentava em frente, lá estava ele no canto mais distante. Faltavam 10 minutos, havia esperança. Entrámos e após uma curta espera na fila, lá conseguimos por as mãos nas encomendas! Lá seguimos de volta para casa do Ric após o mini rally dos correios por Pueblo. Entretanto já havia outros ciclistas à espera para entrar à porta de casa. Seguimos sem mais desvios para reencontrarmos caras conhecidas: Alex, Andy e Sam estavam à beira da piscina no condomínio. Todos juntos subimos até ao apartamento e lançámos-nos para cada canto da sala enquanto o Ric nos oferecia água fresca, smothies de morango e banana e fazia borbulhar o jantar: um creme de galinha imenso e saboroso, comida franca com base de sopa instantânea e recita de família com duas gerações de existência. Irrecusável e como tal adiamos o compromisso com a Nancy e o Erik, que também estavam na cidade em casa de um amigo. O dia estava feito e no dia seguinte acordámos cedo pois os nossos companheiros iam partir de novo.

O Garry, que tinha chegado à cidade no dia anterior precisava de um sítio diferente para dormir, e pediu ao Ric para ficar lá a noite seguinte, ao que este acedeu sem hesitar! Assim que ele chegou, e depois de lavar a roupa e depois de outra boa refeição preparada pelo Ric, era tempo de descer e ver o centro da cidade: um passeio brindado por um café, gelado e um par de cervejas para cada um dos rapazes; voltámos para casa abastecemo-nos no caminho para o jantar: um spaghetti gamberetti, dentro do possível.

Assim que caiu a noite, a mais magnífica e assustadora tempestade varreu a cidade. Ventos intensos e relâmpagos a cada segundo sob um jorrar de água são descrições que não conseguem fazer justiça à imensa intensidade da tempestade. E melhor que sair para uma cerveja de despedida? Lá fora o caos da natureza testava a cidade e dentro nós bebericávamos cerveja e cidra enquanto grupos de dezenas de adolescentes volatilizavam-se entre uma mais bebida, um salto à mesa do lado ou outro à pista de dança para uma coreografia. Bebemos até conseguirmos sair até ao carro secos e voltarmos a casa para dormir.

Este foi o dia de iniciação à cultura da micro cervejeiras do colorado e na manhã seguinte a cerveja fez-se sentir no tempo que levámos a sair de casa. Mais de 3 horas depois de acordármos, estávamos na estada e saíamos de Pueblo na direção das montanhas, na direcção de Cañon City.

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After the rest day working on Gillian’s farm, we left as early as it is to us possible after making a new friend, because goodbyes are something we like to honor, so we take all the time necessary, and then set off on what would be the last stretch of plain before reaching the foothills of the Rocky Mountains. Before we would stop at the largest city since Washington DC; Pueblo, which would serve us as a safe haven and a pause for a much needed long breath, just before entering into what will hopefully be a scheme of short breaths and increasingly hardwork winning the constant ascents and dealing with lighter air.

The day was calm and on the first dozen of  miles of the day, the  wind was somehow crossed but we still took a slight back push, allowing every mile to gallop at a spirited pace, arriving in time for lunch at Boone where we ate sitting on the floor pushing the typical sandwich peanut butter and jelly with two liter bottles of gatorade, following the example of two cyclists we met there, father and son, who followed in the opposite direction.

The afternoon heat saturated the sky with water and grimly, as we approached Pueblo, shook us throughout the shoulder, forcing us to cycle continuously without stopping. The clouds poured, now both on our left and right, and without great impetus sprinkled us on their fringes.

With the wind being an ally, we reached Pueblo before 15h, and tried to go as soon as possible to one of the post offices in the city, where he hoped to be the cable from the solar panel JOOS, sent to us in general delivery. Despite arriving at the site with some difficulty, but in time, after the post office didn’t collect mail on hold, and the right location was in the financial center of the city, far away.

As we were already closer to the house of our warmshower host, we decided to go introduce ourselfs, drop the panneirs and run to the post office right away. We only had one chance, because it were 16h on a Friday, and the post office closed at 17h only to reopen the following Monday. So we met Ric and explained him the situation, and he promptly offered himself to take us there by car. We dropped everything: luggage and bicycles in the room of his apartment and went on a mission to collect the parcel in Ric’s Toyota Yaris , much to Sara’s delight.

In the first attempt we failed because it was the wrong post office! The lady who was behind the counter indicated us the correct location and how we should get there. Again in the car and armed with directions on paper and gps, there we went to Midtown, still missing 25 min to closing time. Among the hustle and bustle of rush hour, the girl in the box glued to the windshield was indicating directions to a park with earthen quadrangular. No sign of the post office at first, but after going around the two corners of the building that we had in front, there it was, in the far corner. Missing just 10 minutes, there was still hope. We went in and after a short wait in line, we managed to get their hands on our packages! From there we followed back home right away, after the Ric’s mini rally by postal Pueblo, as he had other cyclists waiting at his apartment door. We were on our way to meet again familiar faces: Alex, Andy and Sam were by the pool at the condo. All together we went up to the apartment and launched us into every corner of the room while Ric offered us fresh water, and strawberry and banana smothies while dinner was bubbling: huge and tasty chicken cream soup – honest food based on instant soup and a family recipe with two generations of existence. Irrefutable and therefore we had to postpone the dinner appointment with Nancy and Erik, who were in town in a friend’s house. The day was done and the next day we woke up early as our companions, for they were leaving again.

Garry, who had come to town the day before needed a different place to stay, and asked us to ask Ric if he could stay there the next night, for which he agreed without hesitation! As soon as he arrived, and after spending the morning doing laundry and having another good meal prepared by Ric, it was time to go downtown and see the city center: a walk stopping for a roasted coffee, ice cream and a couple of beers for each of the boys, and then we returned home and got some groceries on the way for dinner: a spaghetti gamberetti, as truthful as possible on a strange town.

Once night fell, the most magnificent and frightening storm swept through the city. Intense winds and lightning every each second under a gush of water are descriptions that fail to do justice to the utter intensity of the storm. And under that threat, what’s better than to go out for a beer farewell? Outside the chaos of nature was testing the city and within a bar we sipped beer and cider while groups of dozens of teenagers would linger between one more drink, a jump to the next table or to the dance floor. We drunk until we could get out to the car without getting wet and return home to sleep.

This was the day of initiation into the culture of Colorado’s micro breweries and the next morning the effects of last night’s beer was felt in the time that we took out to get on our bikes. More than three hours after getting up, we were on the road and leaving Pueblo towards the mountains, towards Cañon City.

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