Ressaca, ou como quase voltámos aos primórdios da viagem | Hangover, or how we almost returned to the initial stage of this trip

Aproveitámos a Via Recreativa, que se realiza todos os Domingos, quando a cidade fecha as suas principais avenidas entre as oito e as duas da tarde, para que ciclistas e peões possam usufruir de um espaço, regra geral, deixado aos automóveis, para tentar sair de Guadalajara sem grande trânsito. Claro que os planos saíram furados. As ruas fechadas só abrangiam parte da cidade, e por isso tivemos que enfrentar o trânsito inerente a uma grande metrópole. Durante os primeiros 25 Km fomos confrontados com subúrbios e subúrbios, e só depois nos começámos a consolar com uma paisagem mais campestre que já adivinhava a chegada a Chapala.

Amavelmente acolhidos pelo Valentin, o único warmshowers daquela região, fomos conduzidos a um pequeno rancho, com uma casinha simples, colocada totalmente à nossa disposição por tempo ilimitado. Desde que tínhamos chegado a La Paz passou mais de um mês sem pegarmos na bicicleta para enfrentar grandes distâncias e a falta de exercício fez das suas. Pouco mais de 50 Km, com uma subidinha de nada, deixaram-nos derreados e com dores nos joelhos e nas pernas. Por isso aproveitámos a oferta e depois das semanas passadas em movimento citadino resolvemos descansar no campo.

Claro que também aproveitámos para conhecer melhor Chapala, uma pequena cidade, muito muito tranquila à beira do lago que lhe dá nome e que é o maior do México, e também Ajijic, pequena povoação de ruas empedradas e casas coloridas, onde vive a maior comunidade de gringos (Americanos) neste país.

Com a família do Valentim celebrámos o tradicional Dia de Reis. As famílias reúnem-se para comer a Rosca de Reyes, algo semelhante ao nosso Bolo Rei, mas dentro de cada bolo há dois ou três monos, que são pequenos bonecos de plástico, e a quem sair os monos, deverá trazer tamales (um prato típico mexicano), para um jantar no dia 2 de Fevereiro. Como nos saíram três monos, que também são sinal de sorte, ficámos de enviar tamales pelo correio.

Mas a vida não é só descanso, e já recuperados do primeiro trauma do recomeço, logo nos fizemos à estrada para enfrentar os próximos desafios que os deuses escolheram para nossa provação.

Mas primeiro, um belíssimo passeio à beira do lago, num dia que começou por ser de Inverno, ar límpido com vento frio e o Sol a brilhar, para às onze e meia passar a Primavera com o Sol a aquecer e as árvores a encherem-se de folhas verdes, para um calor infernal de Verão, a desajudar a subida íngreme de empedrado, que fizemos à mão e que nos demorou uma hora e meia para percorrer uns meros 2 Km.

Antes da subida uma passagem pelas belas aldeias junto ao lago, cheias de crianças a brincar pelas ruas, que adicionadas às senhoras sentadas às portas das casas e aos homens a conversar em grupo, fizeram com que disséssemos o maior número de “buenas tardes” de que há memória.

Depois da subida, uma quase corrida para chegar antes do pôr-do-sol à cidade de Jamay. O enorme cansaço, resultante dos tempos festivo-relaxados a que nos dedicámos com convicção, fez com que o cérebro se desligasse temporariamente e acabámos por ficar no hotel mais sujo desta viagem, numa cidade engraçada mas pouco interessante. Felizmente comemos os melhores tacos de bistek que experimentámos até à data. Nem tudo estava perdido.

Na manhã seguinte pusemo-nos a andar bem depressinha do quarto deprimente e fizemos-nos à estrada, que tal como no dia anterior nos fazia lembrar algumas paisagens rurais portuguesas, algures entre a Beira Baixa, o Alentejo e o Ribatejo. Desta vez não tivemos que correr contra o tempo, mas foi em estado de igual, ou pior exaustão, que chegámos a casa da Gabi, em Zamora.

Da Gabi falaremos mais tarde, mas para já ficam a saber que ela e a sua família são donos de um extraordinário bom senso. Encheram-nos de comida assim que chegámos, indicaram-nos o duche de água quente e o armário das toalhas (o apreço que agora damos a toalhas que efectivamente sequem o corpo atingiu valores incalculáveis), e depois a Gabi perguntou-nos se queríamos ver um filme, eram ainda umas seis e meia da tarde, já deitados na cama onde iríamos passar a noite, e da qual, efectivamente, já não saímos!

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We took the Via Recreativa, held every Sunday, when the city closes its main avenues between eight in morning and two in the afternoon, so that cyclists and pedestrians can enjoy an area generally left to the car to try to leave out Guadalajara without much traffic. Of course, the plans went down the drain, the closed streets covered only part of the city and so we had to fight the traffic inherent to a large metropolis. During the first 25 km we had to face suburbs and suburbs, and then we entered a more rural landscape, hint of what was waiting for us in Chapala.

We were kindly hosted by Valentin, the only warmshowers in that region, that led us to a small ranch house with a simple cottage, fully available to us indefinitely. Since we had arrived in La Paz we spent more than a month without taking the bike to tackle long distances and the lack of exercise was visible. We did just a bit over 50 km, with a little tiny climb, and we got there exhausted, with pains on knees and legs. So we took advantage of the offer and after the weeks passed in the city movement we decided to rest in the countryside.

Of course we also took the opportunity to get to know Chapala a little better. This is a small town, very very quiet by a lakeside, with the same name and that is the largest in Mexico. We also visited Ajijic, a small village of cobblestone streets and colorful houses, where the largest community of gringos (Americans) leaves.

With Valentin’s family we celebrated the traditional Dia de Reyes. Families get together to eat the Rosca de Reyes, somewhat similar to the portuguese Bolo Rei, but within each cake there are two or three monos, which are small plastic dolls, and the one who get the monos, must bring tamales (a typical dish Mexican), for a dinner on the 2nd of February. As we found three monos, which are also a sign of luck, we were to send tamales by mail.

But life is not only rest, and have recovered from the trauma of the first restart, we then did hit the road to face the upcoming challenges that the gods chose for our trial.

But first, a beautiful ride along the lake, a day that began at Winter, clean air with cold wind and beautiful sunshine. At eleven thirty it changed to Spring with the sun warming up and the trees filled up with green leaves for a hellish summer heat, to make worst the steep cobbled hill, that we made by hand and that took us an hour and a half to go a mere 2 Km.

Before the climb we passed by the beautiful lakeside villages, full of children playing in the streets, which added to the ladies sitting at the house’s doors and men chatting in groups, caused us to say the highest number of “buenas tardes” of living memory.

After the climb, we had to race to get to the city Jamay before the sunset. The enormous fatigue, resulting from relaxed-festive times that we have dedicated ourselves to with conviction, caused the brain to temporarily shut down and we ended up in the dirtiest hotel of this trip, in a somewhat funny but little interesting town. Fortunately we had the best bistek tacos we’ve experienced to this date. Not everything was lost.

The next morning we began to ride real quick to escape the depressing room and hit the road, which like the previous day reminded us some Portuguese landscapes, somewhere between rural Beira Baixa, Ribatejo and Alentejo. This time we did not have to race against time, but was in a state of equal or worse exhaustion, that we arrived at the home of Gabi in Zamora .

About Gabi we tell you more later, but for now we have to say that she and her family own some extraordinary good sense. They filled us with food as soon as we arrived, showed us a hot shower and the cabinet towels (the appreciation that we now have for towels that actually dry out the body reached untold amounts), and then Gabby asked us if we wanted to see a movie, (it was still about six -thirty in the afternoon), lying on the bed where we would spend the night, and which, indeed, we no longer left!

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