O homem mais popular da cidade sem passadeiras |The most popular man in the town without crosswalks

Quando perguntámos à Lupita, de San Quintin, como é que encontrávamos a loja do Gabino em Loreto, ela respondeu-nos que bastava perguntar pela loja – Segunda Gabino. Um pouco desconfiados com a simplicidade da resposta, chegámos a Loreto e abordámos um transeunte, inquirindo para que lado ficava o centro. Logo veio outro senhor oferecer os seus préstimos de guia, questionando o que buscávamos efectivamente. Quando dissemos que era uma loja chamada Segunda Gabino, para nosso grande espanto, deu-nos indicações precisas de como lá chegarmos.

As lojas em segunda mão são um negócio popular na Baja California, mas nenhuma será tão popular como a loja do Gabino. Ele vai todas as semanas aos Estados Unidos, onde adquire por atacado uma panóplia de objectos usados, que traz na sua carrinha até Loreto. Todas as semanas tem mercadoria nova, o que faz com que as gentes da cidade passem frequentemente na sua loja para ver as novidades. Ao seu lado tem a Sandra, o Eduardo e a Alicia, a família que lhe arrenda o espaço da loja e o quarto onde fica, que gere o negócio, e que nos acolheu com a frase “esta é su casa” enquanto prolongámos a nossa estadia por mais dois ou três dias, ao mesmo tempo que íamos provando a fantástica cozinha mexicana pelas mãos da Sandra.

Mas se a novidade e a dedicação da família Murillo Robles, são um trunfo para a prosperidade da loja, o sucesso e a alma do negócio devem-se ao Gabino. Dotado de um coração de ouro e de um incrível à-vontade para conversar com crianças, graúdos, velhos, homens, mulheres, quem apanhar à mão, o Gabino vai fazendo amigos entre a clientela, de tal maneira que muitos dizem que se se candidatasse a Presidente da Câmara de Loreto, a sua eleição eram favas contadas.

No dia em que um acidente na carrinha o deixou no hospital dias seguidos, correu o boato em Loreto que tinha morrido, e foram até rezadas missas em sua honra. Quando se soube que afinal estava bem e que já tinha voltado a casa, recebeu tantos telefonemas, que este comunicador por excelência já nem queria atender o telefone. Regressado a Loreto teve um amigo que lhe disse: “O seu acidente teve mais impacto aqui em Loreto que a morte do Papa!”.

Foi através do Gabino que conhecemos a Sandra, brasileira, e a Tânia, mexicana, as duas arquitectas, que apareceram na loja para nos conhecer e falar um bocadinho de português, e com quem combinámos ir no dia seguinte a San Javier. Esta pequena e habitualmente tranquila localidade, fica a 30 Km de Loreto, no cimo de uma montanha de desfiladeiros verdejantes e por isso foi com bastante agrado que aceitámos a boleia de carro para lá chegar. Ainda estávamos a preparar-nos para sair quando apareceu a Tânia a correr, a dizer para nos despacharmos, eram as festas da cidade e ia haver uma cavalgada até lá. Tínhamos que alcançar a estrada antes que os imponentes cavaleiros dela tomassem conta, senão, para lá chegar teríamos que ir em marcha lenta atrás dos cavalos especialmente enfeitados para a festa. Não conseguimos e adivinhava-se o pior. Eis senão quando, os cowboys, devidamente trajados para a ocasião, viraram para uma estrada de terra batida e nós pudemos tomar a única estrada que dá acesso à povoação.

Quando lá chegámos, a habitual pacatez que nos tinham descrito, tinha sido substituída por barraquinhas de feira que vendiam tudo o que se possa imaginar, desde doces de leite a chapéus de cowboy, desde plaquinhas com o nome gravado a brinquedos, desde imagens de santos a comidas de todos os géneros. Para a festa de três dias já se preparavam também os visitantes que, à laia de festival, montavam tendas onde havia espaço, evitando assim fazer o caminho de curvas vertiginosas de regresso a Loreto, depois das típicas festanças de muita comida e bebida, no escuro da noite.

San Javier é famosa pela sua igreja jesuíta, construída no cimo de uma montanha, em 1759, apenas com recurso a mulas para efectuarem todo o transporte de materiais e pessoas necessárias. Nesta Igreja está uma imagem de São Francisco Xavier, onde peregrinos a pé ou a cavalo vêm pagar promessas. Foi o caso do Eduardo, que deixou crescer o cabelo durante o ano, para depois o cortar numa trança, que foi oferecer ao Santo, tendo saído de Loreto pelas quatro da manhã.

Não foi fácil imaginar a pequena aldeia de San Javier como um oásis de tranquilidade mas o clima de festa também não nos desagradou.

Já Loreto, que é relativamente grande, é a calma e o relaxamento feitos cidade e espelhados no comportamento dos seus habitantes. Se existem duas passadeiras em toda a localidade é muito, mas também não são precisas, ao mínimo sinal de que um peão quer atravessar a estrada, os carros logo param para os deixar passar.

Foi mais uma vez com dificuldade que partimos, para um dia curto até à praia de Ligui, de onde sairíamos bem cedo para enfrentar a estirada longa, morosa e com uma subida extensa e íngreme que nos aguardava no dia seguinte. O que não adivinhávamos era que uma vez mais, os nossos planos iam pelo cano.

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When we asked Lupita, from San Quintin, how we could find Gabino’s store in Loreto, she answered, “just ask for Segunda Gabino”. A bit wary by the simplicity of the answer, we reached Loreto and approached a passerby, asking which way was the center. Soon came another gentleman offering his services as a guide, questioning what we actually sought. When we told it was a store called Second Gabino, to our great astonishment, gave us precise directions on how to get there.

The second-hand stores are a popular business in Baja California , but none is as popular as Gabino’s shop. He goes every week to the United States, where he buys an array of used objects, which he brings in his truck to Loreto. Each week he has new merchandise, which makes city dwellers pass often by his store to see what’s new. Beside him is Sandra, Eduardo and Alicia, a couple who rents his shop space and the room where he stays, who manages the business, and who welcomed us with the phrase “esta es su casa” as we extended our stay by two or three days, while we were tasting the fantastic Mexican cuisine by Sandra’s hands.

But if the novelty and the dedication of the Murillo Robles family, are an asset to the prosperity of the store, the success and soul of the business are due to Gabino. With a heart of gold and an incredible at ease to talk to kids, grownups, old, men, women, whoever is at hand, Gabino will make friends among the clientele, so that many say if he were applying to be the Mayor of Loreto, his election was already won.

On the day of the accident in the truck, that left him at the hospital days in a row, it was rumored in Loreto that he had died, and prayers and church services were made in his honor. When people found out that he survived and had returned home to recover, he received so many calls, that this communicator par excellence didn’t want to answer yet another phone call. Back in Loreto he had a friend who told him : “Your accident had more impact here in Loreto that the death of the Pope” .

It was through Gabino we met Sandra, Brazilian, and Tania, from Mexico, the two architects , who appeared in the store to meet us and speak a bit of Portuguese, and with whom we agreed to go the next day to San Javier. This small and usually quiet town is 30 km from Loreto, perched on a verdant mountain gorges and so was it quite pleased that we accepted the car ride to get there. We were still preparing to leave when Tania appeared running, telling us to hurry up, because it was town party and there would be a horseride up there. We had to reach the road before the towering knights take account of it, because if not, to get there we had to go idling behind the horses specially decorated for the party. We didn’t get there on time and guessed the worst . But then, the cowboys, properly dressed for the occasion, turned into a dirt road and we could take the only road that leads to the village free from horses.

When we got there, the usual quietness people had described us, had been replaced by fair stalls selling everything imaginable, from sweet milk to cowboy hats from platelets with the name engraved to toys, from images of saints to foods of all kinds. For the three-day party the visitors were also prepared, just like in a music festival, there were tents all over the place, thus avoiding making the way trough the dizzying curves on the return to Loreto after the typical revelry of great food and drink in the dark night.

San Javier is famous for its Jesuit church, built on top of a mountain, in 1759, only with the use of mules to carry all transport of materials and people needed. This church has an image of Saint Francis Xavier, where pilgrims on foot or on horseback come to pay promises. It was the case of Eduardo, who let his hair grow during the year, and then cut it in a braid, which then he took as an offering to the Saint, having left Loreto four in the morning for the walk.

It was easy to imagine the small village of San Javier as an oasis of tranquility but the party atmosphere did not displease us.

On the contrary, Loreto, which is relatively large, it is calm and relaxing and you can also see it in the behavior of its inhabitants. If there are two crosswalks across the city it is too much, but they are not needed, at the minimum signal that a pedestrian wants to cross the road, the cars just stop to let them pass.

It was again with difficulty that we leave for a short day to Ligui beach, where we would leave early to face the long, slow and with an extensive and steep ascent stretch that awaited us the next. What we couldn’t guess was that once again, our plans went down the drain.

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